51FISIOTERAPIA E PESQUISA 2005; 12(2)Classificação e tratamento fisioterapêutico da doençade Legg-Calvé-Perthes: uma revis...
52 FISIOTERAPIA E PESQUISA 2005; 12(2)INTRODUÇÃOA Doença de Legg-Calvé-Perthes é mundialmente pesquisa-da e estudada em di...
53FISIOTERAPIA E PESQUISA 2005; 12(2)este apenas da porção anterior dacabeça do fêmur; no grupo II, o pro-cesso envolve a ...
54 FISIOTERAPIA E PESQUISA 2005; 12(2)TRATAMENTOO principal objetivo do trata-mento é a prevenção das defor-midades da cab...
55FISIOTERAPIA E PESQUISA 2005; 12(2)pouso na cama, com tração asso-ciada à fisioterapia, para a dimi-nuição de espasmo mu...
56 FISIOTERAPIA E PESQUISA 2005; 12(2)1 Lopes NC. Bases experimentais para aprevenção e tratamento precoce da doença deLeg...
57FISIOTERAPIA E PESQUISA 2005; 12(2)29 Meehan P, Angel D, Nelson JM. The Scottish-Rite abduction orthosis for the treatme...
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

Legg calvé-perthes

1.461 visualizações

Publicada em

Publicada em: Saúde e medicina
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
1.461
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
2
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
10
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Legg calvé-perthes

  1. 1. 51FISIOTERAPIA E PESQUISA 2005; 12(2)Classificação e tratamento fisioterapêutico da doençade Legg-Calvé-Perthes: uma revisãoClassificationandphysicaltherapyoftheLegg-Calvé-Perthesdisease:areviewRoberto Guarniero1, Félix Ricardo Andrusaitis2, Guilherme Carlos Brech3, Arthur Perez Eyherabide31Médico Ortopedista,Prof. associado doDepartamento deOrtopedia e Traumatologia– FMUSP, responsávelpela disciplinaOrtopedia Pediátrica doIOT– HC/FMUSP(Instituto de Ortopedia eTraumatologia doHospital das Clínicas daFaculdade de Medicinada Universidade São Paulo)2Fisioterapeuta doLaboratório de Estudos doMovimento do IOT – HC/FMUSP3Fisioterapeuta; aprimorandoem Fisioterapia emOrtopedia e Traumatologiado IOT– HC/FMUSPENDEREÇO PARA CORRESPONDÊNCIAArthur Perez EyherabideR. São Domingos 75, apto 4207110-080 Guarulhos S.Pe-mail:arthur_eyherabide@yahoo.com.brDESCRITORESDoença de Legg-Perthes/reabilitação. Doença deLegg-Perthes/história.Doença de Legg-Perthes/terapia. Técnicas defisioterapia/utilização.Reabilitação.KEYWORDSLegg-Perthes disease/rehabilitation. Legg-Perthes disease/history.Legg-Perthes disease/therapy. Physical therapytechniques/utilization.Rehabilitation.ACEITO PARA PUBLICAÇÃOset. 2004RESUMO: Embora a Doença de Legg-Calvé-Perthes (DLCP) seja estudada desdeo início do século XX, ainda hoje se discute sua etiologia. Basicamente,consiste em uma interrupção do suprimento sangüíneo que leva a isquemiana cabeça do fêmur. Em geral afeta crianças entre 2 e 12 anos, numaproporção de 4 meninos para uma menina, ocorrendo bilateralmente em10% a 20% dos casos. O quadro clínico é bem definido, com dor referidano joelho ou na coxa, claudicação e perda do movimento articular doquadril. Não há consenso sobre a melhor forma de tratamento. As diversasformas usadas, tanto cirúrgicas quanto conservadoras, visam a prevençãode deformidades da cabeça do fêmur. Apesar de a maior parte da literaturaconsultada afirmar a importância da fisioterapia na reabilitação de criançascom DLCP, raros estudos detalham ou comparam os recursos fisioterapêuticosempregados, o que sugere a necessidade de mais estudos com este foco.ABSTRACT: Although the Legg-Calvé-Perthes Disease (LCDP) has been studiedsince 1909, its obscure etiology is still under discussion. It is known that aninterruption of blood supply causes ischemia of the femoral head. Typicallyit affects children aged 2 to 12 years old, with a male-to-female ratio of4:1, occurring bilaterally in 10% to 20% of the cases. The clinical report iswell defined: pain at the knee or thigh, limp, and loss of articular hip motion.There is no agreement as to the best treatment for LCPD. The diverse formsof treatment, whether surgical or conservative, aim at preventing deformitiesin the femoral head. Although most reviewed studies state the importanceof physical therapy for the recovery of children with LCPD, almost nonedetail or compare physical therapy procedures employed, which suggeststhe need to further research with this focus.FISIOTERAPIA E PESQUISA 2005; 12(2): 51-7
  2. 2. 52 FISIOTERAPIA E PESQUISA 2005; 12(2)INTRODUÇÃOA Doença de Legg-Calvé-Perthes é mundialmente pesquisa-da e estudada em diferentes cen-tros médicos. Entretanto, na áreade reabilitação, poucos trabalhossão produzidos e, nas citaçõesencontradas sobre a abordagemfisioterápica da doença, esta éassociada a métodos de tratamen-to conservador (não-cirúrgico), ouentão a sua aplicação no trata-mento pré e pós-cirúrgico de cri-anças com a doença.Acreditamos ser importanteesclarecer o assunto para o co-nhecimento da própria doença edas características que assume nopúblico acometido, como um pri-meiro passo para pesquisar e esti-mular a elaboração de protoco-los de tratamento de reabilitação.Este artigo relata a pesquisafeita em estudos sobre o tema,com o objetivo de identificar ostratamentos fisioterapêuticos uti-lizados na Doença de Legg-Calvé-Perthes. Foi realizado umlevantamento bibliográfico dosúltimos 35 anos, no período demaio a novembro de 2003, nasbibliotecas da Bireme e do Insti-tuto de Ortopedia e Traumatolo-gia do HC/FMUSP, assim comoem artigos de revistas indexadosnas bases de dados MEDLINE eLILACS. Foram encontrados apro-ximadamente 60 artigos, algunsdos quais foram excluídos porgrande semelhança com outros oupor metodologia inapropriada.Esta revisão baseou-se em um to-tal de 46 artigos e duas teses; agrande maioria se refere ao trata-mento cirúrgico da doença, sen-do raros os que abordam a fisiote-rapia, como se verá adiante.A DOENÇA DE LEGG-CALVÉ-PERTHESA Doença de Legg-Calvé-Perthes (DLCP) começou a serconhecida em 1910 por ArthurLegg (Estados Unidos), JacquesCalvé (França) e Georg Perthes(Alemanha) que a conceituarame descreveram quase na mesmaépoca. Em 1909 Waldeström ha-via descrito esse distúrbio do qua-dril, mas considerou-o como denatureza tuberculosa e, por isso,não foi considerado um de seusdescritores1,2.EtiologiaAté os dias de hoje, não há umateoria única sobre a causa queleva à obstrução transitória da cir-culação na cabeça femoral. Den-tre as especulações, encontram-se trombofilia, aumento de visco-sidade sangüínea, infarto de repe-tição, aumento da pressão hidros-tática intracapsular (sinovite tran-sitória) e alterações lipídicas; hátambém referências a uma possí-vel origem genética, mas não seconseguiu até hoje estabelecer umpadrão de hereditariedade com-provável3-5.Incidência e fator de riscoA incidência parece variar deacordo com a localização geográ-fica. Em Liverpool, na Inglaterra,a incidência anual é de 11,1 por100.000 habitantes; já emMassachusetts, nos Estados Uni-dos, é de 5,1 por 100.000 habi-tantes. Na África do Sul a inci-dência anual em indivíduos bran-cos é de 10,8 por 100.000 habi-tantes, em negros é de apenas0,45 por 100.0006. Assim, conclui-se que a raça branca é a maisacometida, sendo rara em negrose nos índios7.Também atinge maiscrianças do sexo masculino: a ra-zão de meninos para meninas éde quatro para um8,9. Quanto àfaixa etária, há controvérsia en-tre os autores, com variação de 2a 16 anos, mas forma-se um con-senso de que o pico de freqüên-cia ocorre aos 6 anos de idade10.O envolvimento bilateral é pre-sente em 8% a 24% dos portado-res11,12e, quanto ao lado acometi-do, o envolvimento dos lados es-querdo e direito é aproximada-mente igual, com o esquerdo sen-do um pouco mais freqüentemen-te acometido5,13.DefiniçãoefisiopatologiaA doença é caracterizada pornecrose avascular do núcleo deossificação da epífise proximal dofêmur, seguida por fratura subcon-dral, revascularização e a remo-delação do osso morto durante odesenvolvimento da criança14. Emseu processo fisiopatológico, ocor-re necrose óssea com proliferaçãoe diferenciação de tecido neofor-mado substituindo osso morto porosso novo e imaturo. O processode reparação é inflamatório, pro-vocando edema articular comdistensão capsular, o que resultaem dor. A fase de fragmentaçãocaracteriza-se por amolecimentotecidual, sendo esse período o devulnerabilidade mecânica da ca-beça femoral, que pode ser defor-mada. Simultaneamente, váriasáreas estão sendo reparadas pelasubstituição do osso necrótico portecido não mineralizado com de-posição e fixação do cálcio, re-cuperando sua resistência ósseanatural e concluindo a fase dereossificação, com conformaçãoesférica ou não, de acordo com aevolução – fase residual7,10,15(Figura 1).Quadro clínicoO quadro clínico é manifesta-do por dor, limitação da amplitu-de articular de movimento eclaudicação, sendo esses sintomasvariáveis em intensidade paracada paciente; a dor pode ser des-crita no quadril, porém normal-mente é referida na região medialda coxa ou no joelho. Na DLCPocorre diminuição da abdução,flexão e rotação interna8,16.Classificação radiográficaO diagnóstico é feito pelo qua-dro clínico e confirmado com exa-me radiográfico e exames com-plementares.Catterall9classifica os estágiosda DLCP de acordo com os acha-dos radiográficos em quatro gru-pos. No grupo I, os pacientes apre-sentam acometimento de até umquarto da cabeça femoral, sendo
  3. 3. 53FISIOTERAPIA E PESQUISA 2005; 12(2)este apenas da porção anterior dacabeça do fêmur; no grupo II, o pro-cesso envolve a metade anteriorda cabeça femoral; no grupo III,dois terços do núcleo ósseo esta-riam afetados, denominados ra-diograficamente como “cabeçadentro da cabeça”; no grupo IV, aepífise está totalmente acometida.Em 1980, Mose17relatou a ne-cessidade de medir a lesão dacabeça femoral na DLCP com oobjetivo de obter um prognósticoem relação à osteoartrose do qua-dril na fase adulta do paciente.Criou um método para avaliar aesfericidade da cabeça femoral,por meio de círculos concêntricoscom variação de 2 mm.Stulberg et al.18, em estudo queenvolveu três centros médicos,criaram uma classificação radio-gráfica baseada nos resultadosobtidos após tratamento da DLCP.Essa classificação divide os pa-cientes em quatro grupos: grupoI, cabeça femoral normal; grupo II,cabeça femoral arredondada, comcolo encurtado e metáfise alar-gada; grupo III, cabeça ovalada,não esférica; grupo IV, cabeçaachatada com colo curto e cavi-dade acetabular deformada; gru-po V, cabeça achatada com colofemoral e cavidade acetabularnormais.Salter e Thompson15, tambémem estudo multicêntrico, analisa-ram 1.122 radiografias dos quadrisde 936 crianças com DLCP ecriaram uma classificação ba-seada num sinal radiográfico delise subcondral, dividida em doisgrupos. No grupo A consideram osquadris com extensão da lesão atéa metade da cabeça. No grupo B,ocorre um comprometimento dalise subcondral de mais da meta-de da cabeça femoral. Concluí-ram também que a classificaçãosó poderia ser utilizada nas fasesiniciais da doença, quando a fra-tura subcondral é visível.Herring et al.19descreveramuma classificação baseada na al-tura do pilar lateral da epífise, nafase de fragmentação, subdividin-do os quadris em três grupos. Nogrupo A incluem os quadris emque há preservação do pilar late-ral ou com diminuição mínimade sua altura; no grupo B, aque-les com comprometimento de até50% da altura do pilar lateral daepífise; e, no grupo C, os quadriscom diminuição de mais do que50% da altura do pilar lateral.Vários trabalhos criticam aclassificação de Catterall9porconsiderá-la pouco reprodutível,apresentando discordância entreos observadores, e pela possibi-lidade de alterar-se de acordocom a fase evolutiva da doen-ça20-22. Apesar das críticas, essaclassificação é útil para a defi-nição do tipo de tratamento quevier a ser utilizado, cirúrgico ouconservador.A classificação de Salter eThompson buscou resolver essesproblemas por tratar-se de um sis-tema mais simples e repro-dutível, porém só pode ser utili-zada nas fases iniciais da doen-ça, quando a fratura subcondralé visível, sendo aplicável apenasa um número pequeno de pa-cientes23,24. A classificação deHerring tem sido amplamenteutilizada com eficácia na deter-minação do prognóstico21, 25-27.As classificações de Mose e deStulberg são utilizadas para ava-liar resultados após o tratamentodos pacientes com DLCP.PrognósticoCatterall9descreve os sinais deum mau prognóstico da doença,que seriam subluxação da cabe-ça femoral, calcificações lateraisà fise (sinal de Gage) e horizon-talização da placa epifisária.De maneira geral, alguns fa-tores parecem determinantespara o prognóstico da evoluçãoda doença. A idade influencia –quanto mais velho, pior o prog-nóstico9,28-29; no entanto, outrosautores relatam que nem sempreum paciente com pouca idadeobtém bom resultado30. O sexofeminino tem pior prognóstico17.Ainda, quanto menor o envol-vimento da cabeça do fêmur e opeso corpóreo, melhor é o prog-nóstico29,31,32.Figura 1 Fases da doença. (A) Predomínio de grande área de necrose no início dafragmentação; (B) Final da fragmentação; (C) Reossificação quase completa;(D) Fase residual (Fonte: Santili C in Hebert S, Xavier R, Pardini Jr AG, BarrosFºTEP10, fig.14.5.4, p.307; reproduzida com a permissão dos autores).Guarnieroetal. Classificação e fisioterapia da doença de Legg-Calvé-Perthes
  4. 4. 54 FISIOTERAPIA E PESQUISA 2005; 12(2)TRATAMENTOO principal objetivo do trata-mento é a prevenção das defor-midades da cabeça do fêmur,para assim evitar a degeneraçãoprecoce da articulação do quadril,mantendo a mobilidade articular,além de propiciar alívio dador33,34.O tratamento cirúrgico é indi-cado para pacientes com idade efase da doença mais avançada.Tipos de cirurgia freqüentementeusados são a osteomia de Salter32,35,a osteotomia proximal varizantedo fêmur36-38e a artrodiastase39,40.Para as diversas formas de tra-tamento conservador, quanto maiscedo for iniciado, melhor o prog-nóstico41. Petrie e Bitenc2foram osprimeiros a introduzir o conceitode tratamento por contenção dacabeça femoral por meio da cria-ção de uma órtese. Mais tardeMeehan et al.29a modificaram,desenvolvendo uma órtese deabdução do quadril. De formageral, as órteses nessa doença têmcomo objetivo manter o quadrilem abdução e centralizar a cabe-ça do fêmur, para diminuir a de-formidade e deixá-la mais esféri-ca. O uso de órteses como o splintde Thomas*e os braces de Craig eAtlanta foi muito difundido entreos anos 1970 e 1980; estudos re-trospectivos, porém, começarama mostrar maus resultados quandoos pacientes são seguidos a longoprazo29,42.Herring et al.33realizaram umestudo retrospectivo de 122 pa-cientes que tinham sido subme-tidos a diferentes condutas: bracede Craig (81), brace de Atlanta(20), osteotomia varizante (18),osteotomia inonimada (1) e semtratamento (17). Observaram quenão houve diferença estatísticasignificante, pelo critério de Mose,entre os tratamentos adotados.Em um estudo de prognósticoretrospectivo, Yrjönen43avaliou106 quadris, dos quais 80 tinhamsido tratados com splint deThomase 26 com repouso; avaliações ra-diográficas e clínicas foram reali-zadas após cerca de 35 anos (28a 47) do diagnóstico. Sinais deosteoartrose foram encontrados em51 quadris. O autor conclui que aidade do paciente quando dodiagnóstico e a forma da cabeçafemoral na maturidade esqueléti-ca são os fatores de prognósticomais confiáveis.Grzegorzewski28, em estudoretrospectivo de 197 pacientescom idade média ao diagnósticode 7,3 anos foram tratados pormétodos de contenção da cabeçado fêmur, entre eles a tração es-quelética. Concluíram que os tra-tamentos de contenção da cabe-ça do fêmur levam a 63% de bonsresultados, pelo método de Mose,e 74%, pelo método de Stulberg.Denton44realizou um estudoretrospectivo de 18 quadris trata-dos com órtese de Petrie; previa-mente à utilização da órtese forafeito repouso e/ou tração esque-lética, quando o paciente apre-sentava sinovite ou limitação daamplitude articular do quadril. Asórteses foram removidas após 6 a8 semanas e a criança submetidaao repouso na cama até atingir nomínimo 90º de flexão de joelho.Após adquirir a amplitude articulardesejada, os pacientes utilizavamnovamente a órtese durante 6 a 8semanas. Em 6 casos foi necessáriorealizar cirurgia (osteotomia deSalter). Obtiveram 14 casos combons resultados e 6 ruins (3 cirúr-gicos e 3 conservadores).Métodos conservadores comorepouso associado à tração domembro comprometido na camaou ao splint deThomas foram utili-zados em 96 pacientes, obtendo-se no entanto apenas 21% de bonsresultados, 18% regulares e 61%ruins45.Fabry et al.30revisaram 30 pa-cientes (36 quadris) com idademédia de diagnóstico de 3,8 anos;15 receberam tratamento conser-vador com uma órtese por 1,5 a 2anos, precedida de tração esque-lética; e 7 não receberam trata-mento. Pela classificação deStulberg, 44,5% dos quadris tive-ram bons resultados, 22,2% regu-lar e 33,3% ruins. Segundo o cri-tério de Mose, 28% obtiveram bonsresultados, 31% regulares e 42%ruins. Os resultados referem-se aototal de pacientes tratados, não secomparando os resultados de cadatipo de tratamento.Em um estudo com três tipos detratamentos diferentes, a amostratratada de forma conservadora foicomposta por 19 pacientes, sub-metidos a tração por duas sema-nas, seguida da utilização de órte-se por um ano e meio; 8 pacien-tes tiveram resultados bons, 8 re-sultados regulares e 3 ruins. Osautores sugerem que pacientescom classificação de Catterall I eII sejam tratados de forma conser-vadora e consideram importantea realização de exercícios (nãoespecificados)46.Na literatura encontram-se ca-sos não tratados que obtiveram60% de bons resultados9,47. Deacordo com Catterall47, para pa-cientes pertencentes a sua classi-ficação nos grupos I, II e III, me-nores de cinco anos, sem sinal derisco, com cicatrização estabili-zada, com a cabeça do fêmur se-riamente achatada, e nos casosonde a abdução seja limitada paraocorrer uma subluxação, nenhumtratamento é indicado. Foramacompanhados 51 pacientes nes-ses casos, porém um quarto delesevoluiu com osteoartrose antesdos 18 anos de idade48.FISIOTERAPIAEm um artigo de revisão da li-teratura publicado em 1975,Carpenter8encontrou poucos es-tudos sobre a contribuição do re-* Em 1875-6, Hugh Owen Thomas desenvolveu uma órtese para tratar fraturas do fêmur e doenças do quadril que ficouconhecida como splint de Thomas. Muito usada durante a I Guerra Mundial, também foi usada para tratar a DCLP (KirkupJMD. Fracture care of friend and foe during World War I. ANZ Journal of Surgery 2003; 73(6):453-9).
  5. 5. 55FISIOTERAPIA E PESQUISA 2005; 12(2)pouso na cama, com tração asso-ciada à fisioterapia, para a dimi-nuição de espasmo muscular, dador e para ganho de amplitudearticular de movimento. O autordescreve os procedimentos fisiote-rapêuticos então utilizadas noHospital Scottish Rite (em Dallas,Texas, EUA), associadas com re-pouso e tração esquelética:• exercícios ativo-assistido, ativoe ativo-resistido em todos osplanos, com ênfase na exten-são, abdução e rotação interna,para manutenção do tônus mus-cular, mobilidade e prevençãode atrofia muscular;• exercícios ativos em todos osmembros durante tratamento notanque de Hubbard, com águaaquecida, para diminuição doespasmo e exercícios que aju-dam na diminuição do tônusmuscular;• facilitação neuromuscularproprioceptiva, utilizando pa-drões bilaterais e recíprocos;• crioterapia para redução de es-pasmos musculares antes de re-alizar os exercícios, quando ne-cessário.Spósito49realizou avaliaçõespré e pós-operatória, pré e pós-reabilitação em pacientes comDLCP submetidos à cirurgia deosteotomia de Salter modificada.Concluiu que ocorrem alteraçõescinéticas nos pacientes, compro-metendo o arco de movimento ea força muscular do quadril afeta-do, o que leva a alterações postu-rais e do padrão de marcha. Noentanto, esse quadro cinético-postural tende a melhorar com afisioterapia, especialmente empaciente mais jovens e do sexomasculino – e a piorar sem o tra-tamento reabilitacional.Ishida et al.50realizaram umestudo com 16 pacientes subme-tidos a osteotomia de Salter, comfixação por dois ou três pinosrosqueados e não-utilização deimobilização gessada para insta-lação da fisioterapia precoce. Anão-imobilização durante o perío-do pós-operatório permitiu a rea-lização da fisioterapia precoce, oque proporcionou um retorno maisrápido dos pacientes às atividadesnormais. Também para Wang etal.34e Guille et al.12, a fisioterapiaé indicada aos pacientes subme-tidos ao tratamento de contençãoda cabeça femoral para manter aamplitude articular de movimento.Keret et al.51, em um estudo decaso, propuseram restrição da des-carga de peso para aliviar a dor eprevenir a limitação da amplitu-de do quadril, sem sucesso. No en-tanto, obtiveram melhora da dore da amplitude do quadril ao efe-tuar fisioterapia associada ao usode antiinflamatórios não-esteroi-dais. Na fisioterapia, recorreu-setanto ao trabalho em solo quantoà hidroterapia, mantendo uma boaamplitude articular de movimen-to. Por sua vez, Schmid et al.13su-geriram que os pacientes comdiminuição da amplitude articularde movimento devem realizar fisio-terapia antes de serem submetidosa um procedimento cirúrgico.A maioria dos artigos aqui re-visados sugere que a fisioterapiaé importante para a recuperação,mas raramente são descritos osprocedimentos preconizados parao tratamento fisioterapêutico.CONCLUSÕESVê-se pois que a DLCP, embo-ra muito estudada pela medicina,até os dias de hoje não tem etio-logia definida; tampouco há con-senso sobre a melhor forma de tra-tamento.Nos estudos encontrados quealudem aos tratamentos fisiotera-pêuticos, estes, apesar de valori-zados positivamente, não são es-pecificados ou descritos em deta-lhe (apenas um autor mencionouprocedimentos fisioterapêuticosutilizados). Como não há traba-lhos analisando e comparando di-ferentes recursos fisioterapêuticos,são necessários mais estudos paradeterminar os grupos muscularesenvolvidos na evolução do qua-dro clínico e os métodos de atua-ção mais adequados no tratamen-to da DLCP.Guarniero etal. Classificação e fisioterapia da doença de Legg-Calvé-Perthes
  6. 6. 56 FISIOTERAPIA E PESQUISA 2005; 12(2)1 Lopes NC. Bases experimentais para aprevenção e tratamento precoce da doença deLegg-Calvé-Perthes. Rev Bras Ortop Pediatr2000; 1(1):1-5.2 Petrie J, Bitenc I. Abduction weight bearingtreatment in Legg-Calvé-Perthes disease. J BoneJoint Surg Br 1971; 53B:54-62.3 Koo K, Sonh H, Ha Y, Kim J, Kim S, Kim K et al.Role of thrombotic and fibrinolytic disorders inthe etiology of Perthes’ disease. Clin Orthop2002; 1(399):162-7.4 Wall EJ. Legg-Calvé-Perthes disease. J PediatrOrthop 1999; 11(1):76-81.5 Wenger DR, Ward WT, Herring JA. Currentconcepts review: Legg-Calvé-Perthes disease. JBone Joint Surg Am 1991; 73:778-88.6 Kealey WDC, Moore AJ, Cook S, Cosgrove AP.Deprivation, urbanisation and Perthes’ diseasein Northern Ireland. J Bone Joint Surg Br 2000;82-B(2):167-71.7 Borh HH. On the development and course ofLegg-Calvé-Perthes. Clin Orthop 1980; 150:30-5.8 Carpenter BS, Blanche N. Legg-Calvé-Perthesdisease. PhysTher 1975; 55(3):242-9.9 Catteral A. The natural history of Perthes’ disease.J Bone Joint Surg Br 1971; 53B (1):37-52.10 Santili C. Doença de Legg-Calvé-Perthes. In:Herbert A, Xavier R, Pardini Jr AG, Barros FºTEP. Ortopedia e Traumatologia: princípios eprática. 3.ed. Porto Alegre: Artmed; 2003.Cap.14, p.305-19.11 Bowen JR, Foster BK, Hartzell CR. Legg-Calvé-Perthes disease. Clin Orthop 1984; 185:97-108.12 Guille J, Lipton G, Tsirikos A, Bowen JR.Bilateral Legg-Calvé-Perthes disease:presentation and outcome. J Pediatr Orthop2002; 22(4):458-63.13 Schmid OA, Hemmer S, Wünsch P, HirschfelderH. The adult hip after femoral varus osteotomy inpatients with unilteral Legg-Calvé-Perthes. JPediatr Orthop B 2003; 12(1):33-7.14 Weinstein SL. Natural history and treatmentoutcomes of childhood hip disorders. J PediatrOrthop Br 1997; 344:227-42.15 Salter RB, Thompson GH. Legg-Calvé-Perthesdisease: the prognostic significance of thesubchondral fracture and a two-groupclassification of the femoral head involvement.J Bone Joint Surg Am 1984; 66(4):479-89.16 Tsao AK, Dias LS, Conway JJ, Straka P. Theprognostic value and significance of serial bonescintigraphy in Legg-Calvé-Perthes disease. JPediatr Orthop 1997; 17(2):230-9.17 Mose K. Methods of measuring in Legg-Calvé-Perthes disease with special regard to theprognosis. Clin Orthop 1980; 150:103-9.18 Stulberg SD, Coopermann DR, Wallensten R. Thenatural history of Legg-Calvé-Perthes disease. JBone Joint Surg [Am] 1981; 63:1095-108.19 Herring JA, Neustadt JB, Williams JJ, Early JS,Browne RH. The lateral pillar classification ofLegg-Calvé-Perthes disease. J Pediatr Orthop1992; 12(2):143-50.20 Hardcastle PH, Ross R, Hamalainen M, MataA. Catterall grouping of Perthes’ disease: anassessment of observer error and prognosticusing Catterall classification. J Bone Joint SurgBr 1980; 62:428-31.21 Mukherjee A, Orth D, Fabry G. Evaluation ofthe prognostic indices in Legg-Calvé-Perthesdisease: statistical analysis of 116 hips. J PediatrOrthop 1990; 10:153-8.22 Van Dam BE, Crider RJ, Noyes JD, Larsen LJ.Determination of the Catterall classification inLegg-Calvé-Perthes disease. J Bone Joint SurgAm 1981; 63:906-14.23 Ritterbusch JF, Sanagaram SS, Gerlinas C.Comparision of lateral pilar classification andCatterall classification of Legg-Calvé-Perthesdisease. J Pediatr Orthop 1993; 13:200-2.24 Santili C, Milani JL, Pinilla NRA. Doença deLegg-Calvé-Perthes: análise crítica daclassificação de Salter-Thompson. Rev BrasOrtop 1999; 34:409-14.25 Farsetti P, Tudisco C, Caterini R, Potenza V,Ippolito E. The Herring lateral pilar classificationfor prognosis in Perthes’ disease: late results in 49patients treated conservatively. J Bone Joint SurgBr 1995; 77:739-42.26 Ismail AM, Macnicol MF. Prognosis in Perthes’disease: a comparison of radiological predictors.J Bone Joint Surg Br 1998; 80:310-4.27 Machado Neto L, Dias L. O uso da cintilografiaóssea na doença de Perthes. Rev Bras Ortop1999; 34:14-20.28 Grzegorzewski A, Bowen R, Guille JT, GluttingJ. Treatment of the collapsed femoral head bycontainment in Legg-Calvé-Perthes disease. JPediatr Orthop 2003; 23(1):15-9.REFERÊNCIAS
  7. 7. 57FISIOTERAPIA E PESQUISA 2005; 12(2)29 Meehan P, Angel D, Nelson JM. The Scottish-Rite abduction orthosis for the treatment ofLegg-Calvé-Perthes disease. J Bone Joint SurgAm 1992; 74(1):2-12.30 Fabry K, Fabry G, Moens P. Legg-Calvé-Perthesdisease in patients under 5 years of age doesnot always result in a good outcome: personalexperience and meta-analysis of the literature. JPediatr Orthop Br 2003; 12(3):222-8.31 Catteral A. Legg-Calvé-Perthes syndrome. ClinOrthop 1981; 158:41-52.32 Tachdjian MO. Ortopedia pediátrica:diagnóstico e tratamento. Rio de Janeiro:Revinter; 2001. Cap.3 Doença de Legg-Calvé-Perthes, p.210-22.33 Herring JA, Williams JJ, Neustadt JB, Early JS.Evolution of femoral head deformity during thehealing phase of Legg-Calvé-Perthes disease. JPediatr Orthop 1993; 13 (1):41-5.34 Wang L, Bowen R, Puniak MA, Guille JT,Glutting J. An evaluation of various methods oftreatment for Legg-Calvé-Perthes disease. ClinOrthop 1995; 314:225-33.35 Salter RB. Legg-Calvé-Perthes disease: thescientific basis for the methods of treatment andtheir indications. Clin Orthop 1980; 150:9-11.36 Friedlander JK, Weiner DS. Radiographic resultsof proximal femoral vastus osteotomy in Legg-Calvé-Perthes disease. J Pediatric Orthop 2000;20 (5):556-71.37 Guarniero R, Luzo CAM, Grigoletto Jr W, LageLAA, Iacovone M. A queilectomia como operaçãode salvamento na patologia do quadril: resultadospreliminares. Rev Bras Ortop 1995; 30(1-2):42-4.38 Guarniero R, Ishikawa MT, Luzo CAM,Montenegro NB, Godoy RM. Resultados deosteotomia femoral varizante no tratamento dadoença de Legg-Calvé-Perthes (DLCP). RevHosp Clin Fac Med S Paulo 1997; 53(3):132-5.39 Luzo CAM. Artrodiástase com fixador externounilateral no tratamento da Doença de Legg-Calvé-Perthes. São Paulo; 1998.Tese (Doutor.) Faculdadede Medicina - Universidade de São Paulo.40 Volpon JB, Lima RS, Shimano AC. Tratamento daforma ativa da doença de Legg-Calvé-Perthes pelaartrodiástase. Rev Bras Ortop 1998; 33(1):8-14.41 Katz JF. Conservative treatment of Legg-Calvé-Perthes disease. J Bone Joint Surg Am 1967;49:1043-51.42 Weinstein SL. Legg-Calvé-Perthes syndrome. In:Morrissy RT, Weinstein SL. Lovell and Winter’pediatr orthopædics 5.ed. Philadelphia:Lippincott William & Wilkins; 2001. v.2,chap.24, p.957-98.43 Yrjönen T. Prognosis in Perthes’ disease afternoncontainment treatment: 106 hips followedfor 28-47 years. Acta Orthop Scand 1992;63(5):523-6.44 Denton JR. Experience with Legg-Calvé_Perthesdisease (LCPD) 1968-1974 at the NewYorkOrthopaedicHospital.ClinOrthop1980;150:36-42.45 Poussa M, Yrjönen T, Hoikka V, Österman K.Prognosis after conservative and operativetreatment in Perthes’ disease. Clin Orthop 1993;297:82-6.46 Lutz FHJ, Walter D. Results of three differenttherapeutic groups in Perthes’ disease. ClinOrthop 1980; 150:88-94.47 Catteral A. Treatment in Legg-Calvé-Perthes’disease. Acta Orthop Belg 1980; 46 (4):431-4.48 Saito S, Takaoka K, Ono K, Minobe Y, Inoue A.Residual deformities related to arthortic changeafter Perthes’ disease: a long-term follow-up offifty-five cases. Arch Orthop Trauma Surg 1985;104 (1): 7-14. apudYrjönenT. Prognosis inPerthes’ disease after noncontainment treatment.Acta Orthop Scand 1992, 63 (5):523-6.49 Spósito MMM. O valor da reabilitação notratamento de pacientes portadores da doençade Legg-Calvé-Perthes submetidos à osteotomiade Salter modificada. 1991. Tese (Doutor.)Escola Paulista de Medicina - UniversidadeFederal de São Paulo.50 Ishida A, Laredo Fo J, Kuwajima SS, Milani C,Pinto JA. Osteotomia de Salter no tratamentoda doença de Legg-Calvé-Perthes: fixação compinos rosqueados e não utilização deimobilização gessada. Rev Bras Ortop 1994; 29(9):665-9.51 Keret D, Lokiec F, Hayek S, Sevev E, Ezra E.Perthes-like changes in geleophysic dysplasia. JPediatric Orthop B 2002; 11(2):100-3.Referências (cont.)Guarnieroetal. Classificação e fisioterapia da doença de Legg-Calvé-Perthes

×