Investigação de fatores de risco associados a hipertensão arterial em grupos de escolares

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Investigação de fatores de risco associados a hipertensão arterial em grupos de escolares

  1. 1. R Enferm UERJ 2006 abr/jun; 14(2):169-75. • p.169Chaves ES, Lopes MVO, Araújo TLINVESTIGAÇÃO DE FATORES DE RISCOASSOCIADOS À HIPERTENSÃO ARTERIALEM GRUPO DE ESCOLARESAN INQUIRY INTO THE RISK FACTORS ASSOCIATED TOHYPERTENSION IN A SPECIFIC SCHOOL GROUPEmilia Soares Chaves*Marcos Venícius de Oliveira Lopes**Thelma Leite de Araújo***RESUMO:RESUMO:RESUMO:RESUMO:RESUMO: Objetivou-se detectar alterações da pressão arterial e presença de fatores de risco cardiovascularesem estudantes de 12 a 18 anos. Estudo exploratório-descritivo, realizado entre 2001 e 2002, em umaescola pública de Fortaleza, com 179 escolares. Foi utilizado um formulário para registro dos valores dapressão arterial e dos fatores de risco da hipertensão arterial como hereditariedade, consumo diário eleva-do de sal, tabagismo e etilismo. Os dados foram colhidos por meio de entrevista e analisados por teste deassociação estatística. Foram encontradas elevações da pressão arterial em 20,1% dos adolescentes, dosquais 7,8% apresentaram, simultaneamente, alteração nos valores de pressão arterial sistólica e diastólica.A hereditariedade foi o fator de risco predominante que, associada a outros, pode contribuir para maioreselevações da pressão ou dificultar sua redução. Os resultados confirmaram a necessidade de acompanha-mento clínico desses sujeitos para evitar-se futuras complicações.Palavras-chave:Palavras-chave:Palavras-chave:Palavras-chave:Palavras-chave: Adolescente; enfermagem; fator de risco; pressão arterial.ABSTRACTABSTRACTABSTRACTABSTRACTABSTRACT::::: This study aimed to search for blood pressure alterations and risk factors for cardiovasculardisease among students aged between 12 and 18 years. It is an exploratory-descriptive study, carried outbetween August 2001 and July 2002, with 179 students of a public school in the city of Fortaleza. Theform used for data collection included records of arterial blood pressure and of risk factors related tohypertension such as hereditary factors, weight / stature ratio, sex, age, daily salt consumption, tobaccouse, alcoholism and exercising. Data have been obtained by means of interviews and analyzed by thestatistical association test. The results showed high blood pressure in 20,1% of the adolescents; 7.8% ofthem presented alterations of both systolic and diastolic arterial pressure. The hereditary factor was thepredominant risk factor and, when associated to other risk factors, can contribute to higher blood pressurelevels or make it difficult to reduce them. The results confirmed the need of clinical follow up of suchsubjects in order to prevent future complications.Keywords:Keywords:Keywords:Keywords:Keywords: Adolescents; nursing; risk factors; blood pressure.INTRODUÇÃOAs doenças do aparelho circulatório, tam-bém denominadas, na prática, de doençascardiovasculares, representam um importante pro-blema de saúde pública em nosso País1. Há algu-mas décadas, são a primeira causa de morte noBrasil, segundo os registros oficiais do Sistema deInformação sobre Mortalidade. Em 2000,corresponderam a mais de 27% do total de óbitos,além de responder por 15,2% das internações rea-lizadas no Sistema Único de Saúde (SUS), na fai-xa etária de 30 a 69 anos2.A hipertensão arterial é uma alteração do apa-relho circulatório e constitui um dos principais fa-tores de risco para outras doenças como diabetesmellitus, cerebrovasculares, isquêmicas do cora-ção, em especial, as doenças cardiovasculares, con-tribuindo para elevar os índices de morbidade ede mortalidade3,4. Atinge grande parte da popu-lação em todo o mundo e apresenta-se como umasíndrome caracterizada pela presença de eleva-dos níveis de pressão arterial, associados a alte-rações hormonais e, no metabolismo, a fenôme-nos tróficos5.Entre os agravantes desse grande problemade saúde, mencionam-se sua detecção quasesempre tardia e sua prevalência rotineira em fai-
  2. 2. p.170 • R Enferm UERJ 2006 abr/jun; 14(2):169-75.Fatores de risco e hipertensão arterialxas etárias mais elevadas. Isto dificulta o contro-le e o tratamento, dependentes de mudanças noestilo de vida. Por ser uma doença assintomáticae de evolução silenciosa, nem sempre lhe é dadaa devida importância, porém, quando se encon-tra em estágio avançado, provoca lesões gravesem órgãos-alvo como coração, rins e retina. Taislesões podem levar o indivíduo à dependência fí-sica ou até à morte3.Sabe-se, atualmente, que a hipertensão ar-terial detectada em algumas crianças pode ser se-cundária a outras doenças, como as renais. Emoutros casos, entretanto, pode representar o co-meço precoce da hipertensão arterial essencial quese manifesta, geralmente, na fase adulta6. Assim, ahipertensão arterial pode ter sua história inicial nainfância e na adolescência. Desse modo, justifi-cam-se estudos que enfoquem essa clientela comvistas não apenas a caracterizá-la, mas, também,conhecer seus níveis de pressão arterial7,8.Considera-se indispensável o controle peri-ódico da pressão arterial, pois o conhecimentoprecoce das suas alterações, associadas ou não aoutros fatores de risco cardiovasculares, é decisi-vo para o início do tratamento, cuja finalidade épossibilitar, se não a cura, pelo menos o controleda hipertensão. Esses resultados contribuirão parauma vida com qualidade, evitando futuras com-plicações decorrentes da doença.A enfermagem, ao diversificar e ampliar suaárea de atuação, tem se proposto a realizar estetipo de trabalho. Nesse contexto, as escolas tor-nam-se locais favoráveis para o desenvolvimentode ações de saúde, pois nelas há grande concen-tração de possíveis portadores dessas alterações.Portanto, a verificação da pressão arterial dosadolescentes no ambiente escolar poderia propi-ciar a identificação de jovens com fatores de ris-co para doenças cardiovasculares e tendentes adesenvolver a hipertensão arterial.Este estudo objetivou investigar a associa-ção entre os valores indiretos da pressão arterialauscultatória e os fatores de risco cardiovascularesem escolares.METODOLOGIAO estudo caracterizou-se como exploratório-descritivo e foi realizado em uma instituição deEnsino Fundamental e Médio da rede pública dacidade de Fortaleza-CE. O trabalho foi desenvol-vido de agosto de 2001 a julho de 2002, e a fontede coleta de dados foi primária, junto aos alunos.Teve como população 179 adolescentes de 12 a18 anos, matriculados, nos horários da manhã outarde. A determinação dos horários decorreu daconveniência do tempo disponível dos pesquisa-dores para a coleta de dados.Para o cálculo do tamanho da amostra, consi-derou-se um erro alfa de 3% e um intervalo deconfiança de 95%. A prevalência de hipertensãoarterial em adolescentes foi estimada em 10%, combase nas variações encontradas na literatura3-5. Aamostragem foi probabilística, randômica sistemá-tica, cujos participantes foram selecionados a par-tir das listas de chamada de cada turma, respei-tando-se sua proporcionalidade em relação aototal da população. Após a seleção, os estudantese seus pais foram contatados e esclarecidos e osalunos convidados a participarem do estudo.Para a coleta de dados, foi realizado exameclínico dos sujeitos e aplicou-se um formulário,adaptado de modelo já testado e aprovado emestudos anteriores9,10. Nele havia itens que possi-bilitaram o alcance do objetivo estabelecido, quaissejam, o registro dos valores da pressão arterial edos fatores de risco estabelecidos como heredita-riedade, relação entre peso e estatura, sexo, ida-de, consumo diário elevado de sal, tabagismo,etilismo e prática esportiva. Na coleta dos dados,foram utilizados: fita métrica para medir a circun-ferência do braço; balança digital marca PlennaFutura Digital; esfigmomanômetros aneróides damarca Tycos, aferidos pelo INMETRO e testados,com manguitos de larguras de 6cm, 6,5cm, 8cm e12cm; e estetoscópio biauricular. Para audição desons, foi usado o diafragma.Na verificação da pressão arterial, seguiram-se os procedimentos recomendados para a obten-ção de dados fidedignos como: repouso durante,no mínimo, cinco minutos antes da mensuração;posição sentada com pernas paralelas, pés apoia-dos no chão, braço na altura do quarto espaçointercostal e silêncio durante o procedimento;determinação da pressão arterial diástolica (PAD)no quinto som de Korotkoff; e registro dos valoresapós a segunda verificação. O manguito utilizadocorrespondeu a 40% da circunferência do mem-bro de cada cliente11.Estudos3-5recentes padronizam o registro daPAD no quinto som. A justificativa para a adoçãodeste som é que o desaparecimento total dos ruí-dos vasculares parece estar menos sujeito a errosauditivos de interpretação que seu abafamento12.
  3. 3. R Enferm UERJ 2006 abr/jun; 14(2):169-75. • p.171Chaves ES, Lopes MVO, Araújo TLPara a análise dos valores da pressão arteri-al, optou-se por tabela da classificação da pressãoarterial5, que leva em conta a idade, o sexo e opercentil de estatura.Esses dados foram organizados e analisadosutilizando-se o software Epi-info 2000 versão 1.0.Os dados referentes a fatores de risco para altera-ção da pressão arterial foram analisados por meiode testes de associação estatística. Para dadosnominais, adotou-se o teste de Qui-quadrado dePearson. Neste caso, quando identificadas fre-qüências esperadas menores que 5, adotou-se oteste de Fisher. Para as variáveis contínuas, ana-lisaram-se as medidas de tendência central, dis-persão e aplicou-se o Teste t para análise de dife-rença de média.De acordo com as recomendações éticas empesquisas com seres humanos13, a realização doestudo foi autorizada pelo Comitê de Ética emPesquisa do Complexo Hospitalar da Universida-de Federal do Ceará (COMEPE) e os adolescen-tes e responsáveis assinaram o Termo de Consen-timento Livre e Esclarecido.RESULTADOSForam avaliados 179 adolescentes, com ida-de entre 12 e 18 anos. A distribuição por idade esexo está apresentada na Tabela 1.a classificação de acordo com os percentis, estáexposta na Tabela 2.TTTTTABELAABELAABELAABELAABELA 3:3:3:3:3: Distribuição dos adolescentes que apresentaram PÁS(*) e PAD (**) com valores iguais ou maiores que o percentil 95,segundo idade e sexo. Fortaleza-CE, 2002.(*)PAS = Pressão arterial sistólica; (**)PAD = Pressão arterialdiastólica.Apesar de na totalidade o grupo avaliadopossuir número quase igual de adolescentes dosexo feminino e do masculino, a presença do sexomasculino decresceu na medida em que as ida-des foram aumentando.A distribuição dos estudantes, para os valo-res da pressão arterial, levando em consideraçãoTTTTTABELAABELAABELAABELAABELA 1:1:1:1:1: Caracterização dos adolescentes segundo sexo eidade. Fortaleza-CE, 2002.(*)PAS = Pressão arterial sistólica; (**)PAD = Pressão arterialdiastólica.TTTTTABELAABELAABELAABELAABELA 2:2:2:2:2: Distribuição dos adolescentes segundo os valoresde pressão arterial. Fortaleza-CE, 2002.Segundo as recomendações para análise dosdados da pressão arterial dos adolescentes, os va-lores abaixo do percentil 90 são considerados nor-mais, sendo os iguais ou superiores ao percentil95 considerados elevados5.Como observado na Tabela 2, no total de ado-lescentes avaliados, foi encontrada elevação dapressão arterial, de acordo com as recomendaçõesatuais5, como acima do percentil de normalidadepara o sexo e estatura, em 36 (20,1%) alunos. Des-tes, 7,8% apresentaram simultaneamente valoresda pressão arterial sistólica e da pressão arterialdiastólica iguais ou acima do percentil 95. Ao seavaliar de forma isolada os valores da PAS e daPAD, identificaram-se 5,6% de adolescentes comalterações apenas nos valores da PAS e 6,7% comalterações específicas dos valores da PAD.Vale ressaltar que estes cálculos tiveramcomo base os percentis de estatura, bem mais sig-nificativos do que os percentis de IMC, já utiliza-dos em trabalhos anteriores, elevando o númerodaqueles com níveis de pressão arterial acima dafaixa de normalidade.
  4. 4. p.172 • R Enferm UERJ 2006 abr/jun; 14(2):169-75.Fatores de risco e hipertensão arterialApresenta-se na Tabela 3 os adolescentescom PAS e PAD com valores iguais ou acima dopercentil 95. Os valores iguais ou acima dopercentil 95 foram predominantes nos adolescen-tes do sexo masculino e aos 16 anos de idade.É importante considerar que, além das alte-rações nos valores da pressão arterial, em diver-sos adolescentes foi registrada a presença de ou-tros fatores de risco cardiovasculares, tais como:hereditariedade, fumo, álcool, consumo diárioelevado de sal, índice de massa corporal (IMC)acima do normal e prática esportiva inadequada.A Tabela 4 apresenta a relação entre os fatoresde risco e os valores alterados de PAS e PAD detoda amostra.Na amostra estudada, 36 (20,15%) apresen-taram valores da PAS, PAD ou ambas as pressõesiguais ou superiores ao percentil 95, conforme mos-tra a Tabela 4. A presença do fator de risco heredi-tariedade foi constatada em 55,5%. Em 3,9%, so-mente a PAS estava elevada; em 6,3%, apenas aPAD e em 3,9% ambas estavam elevadas. Quantoaos fatores tabagismo e etilismo, nenhum deles es-teve presente de forma expressiva, nem mesmonaqueles com pressões alteradas, pois 93,9% nãofumavam e 89,5% não ingeriam bebida alcoólica.O índice de massa corporal mostrou-se alte-rado em 8,4%: em 6,3% daqueles sem alteraçõesda pressão; em 0,5% daqueles com elevação ape-nas da PAS e, igualmente, daqueles com a PADalterada; esteve presente também em 1,1%, comsimultâneos valores da PAS e PAD elevados. Valeressaltar que os adolescentes com IMC acima doTTTTTABELAABELAABELAABELAABELA 4:4:4:4:4: Freqüência percentual da presença dos fatores de risco em adolescentescom diferentes percentis da pressão arterial. Fortaleza-CE, 2002.(*)H = Hereditariedade; F = Fumo; A = Álcool; Cs = Consumo diário elevado de sal; IMC= Índice de massa corporal; PE = Prática esportiva semanal; PAS = Pressão arterial sistólica;PAD = Pressão arterial diastólica.considerado normal já apresentavam sobrepeso eobesidade.A prática regular de atividade física nãomostrou uma porcentagem satisfatória, pois gran-de parte dos alunos não tinha esse hábito, mesmoos que apresentaram alterações da pressão arteri-al. Esse fator de risco evidenciou-se em 82,4%.Aplicando os testes de associação, ao cruzaros dados de percentil da pressão arterial, observou-se que não houve relação estatisticamentesignificante entre os fatores de risco analisados:IMC (p=0,53), hereditariedade (p=0,53), etilismo(p=0,19), tabagismo (p=0,43), prática esportiva(p=0,47) e consumo diário elevado de sal (p=0,84)e a alteração de ambos os percentis (PAS e PAD).Ao se cruzar estes fatores de risco com opercentil elevado de uma das pressões, obteve-seos seguintes resultados: não houve associaçãoentre obesidade e elevação da PAS (p=0,33) ouPAD (p=0,59). Entretanto, considerando um ní-vel de significância de 10%, o Teste t de Studentapontou que a PAS foi mais elevada em obesos(p=0,096). Em relação à PAD, não houve dife-rença significativa (p=0,71).Não se identificou diferença de média dePAS e a presença de fatores hereditários (0,24).Nesse caso, o valor de PAS mais elevado foi en-contrado entre os positivos para hereditariedade(113,8; DP ± 15,1). Todavia, seu desvio-padrão(DP) mais elevado indica haver influência decasos isolados com valores extremos.Em relação à prática de esportes, não foramidentificadas diferenças de média de PAS (0,79)
  5. 5. R Enferm UERJ 2006 abr/jun; 14(2):169-75. • p.173Chaves ES, Lopes MVO, Araújo TLe PAD (0,27). Mas os valores mínimos e máximostanto da PAS como da PAD são mais elevadosentre os que não praticam esportes, enquanto odesvio padrão foi menor entre estes. Portanto,houve menor influência de valores extremos.Quanto ao tabagismo, não foi encontrada dife-rença estatística significativa de média entre fu-mar e ter PAS (0,99) ou PAD (0,71) alterada.DISCUSSÃONo estudo em análise, obteve-se um de-créscimo do número de jovens do sexo masculinocom o aumento da idade. Isto pode ter ocorridopelo fato de que, a partir de 15 anos, o homempassa a ser economicamente ativo, o que signifi-ca sair da escola para o mercado de trabalho ouestudar no horário noturno.O número de adolescentes com percentisacima de 95 para a pressão arterial foi superior aode outros estudos, nos quais a prevalência de hi-pertensão arterial nesta faixa etária situa-se en-tre 2% e 13%14. Isto gera grande preocupação,pois a verificação da pressão arterial em adoles-centes não é feita habitualmente nos serviços desaúde e nem mesmo durante as consultas médi-cas de rotina. Este fato foi verificado quando aautora do estudo trabalhou em diferentes progra-mas de atendimento a essa clientela, e segundorelatos de outros profissionais que trabalham naárea. Estudo anterior já mencionava umaprevalência acima de 13% para populações jovens15.A maior freqüência de percentis iguais ouacima de 95 para hipertensão arterial em meni-nos, na faixa etária estudada, é verificada tam-bém em outros estudos16,17, nos quais, segundoconsta, dos 4 aos 13 anos de idade o incrementona pressão arterial é maior em meninas. No en-tanto, a partir desta idade, verifica-se o contrá-rio, em decorrência, principalmente, dos fatoresde maturação sexual, que ocorre mais precoce-mente em meninas16. Esse aspecto é abordado tam-bém em um acompanhamento por 15 anos de in-divíduos até 15 anos de idade17, no qual houvemaior incremento na pressão arterial dos garotosentre 7 e 15 anos.A conclusão de estudos epidemiológicosmostra associação entre pressões arteriais eleva-das e história familiar positiva18,19. Além disso, aelevação da pressão arterial na juventude parecepersistir na vida adulta, especialmente quandohá história familiar de hipertensão arterial19.Ao estudar a influência da hereditariedadena origem da hipertensão arterial20, os componen-tes de uma mesma família partilham entre si nãoapenas os genes, mas também o mesmo ambientecultural. Explica-se, assim, porque certos indiví-duos, em cuja família exista alguém com hiper-tensão arterial, são mais propensos a apresentar adoença.Entre os fatores de risco para elevação dapressão arterial, o aumento da massa corporal nosadolescentes é mencionado como o mais impor-tante determinante dessa alteração20. Conformefoi demonstrado em ensaio de intervenção, umaredução de peso corporal, até mesmo de cincoquilos, em vez de uma redução ideal, está associ-ada à diminuição da pressão arterial21.A prevalência da obesidade, em crianças eadolescentes, vem crescendo nos países desenvol-vidos e tem sido atribuída principalmente a fato-res ambientais e socioculturais, tais como o in-centivo a uma dieta inadequada com alta ingestãode gorduras e carboidratos e a uma atitude se-dentária. No Brasil, embora a desnutrição aindaseja freqüente, os índices de sobrepeso e obesida-de também vêm aumentando consideravelmenteentre os jovens22.Para contribuir na redução do peso corporal,sobressai a prática regular de exercícios, a qual,para ser benéfica, deve ser realizada, no mínimo,três vezes por semana, sem, no entanto, incluirexercícios pesados, como levantamento de pesos.Caminhada seria a atividade física mais benéficapara o coração3, mas precisa ser realizada pelomenos três vezes por semana.Inúmeros estudos verificam associação en-tre quantidade consumida de sal e níveis depressão arterial. Alguns estudos, entretanto,não confirmam essa associação. Justifica-se essadivergência pelo fato desses parâmetros (con-sumo de sal e pressão arterial) denotar varia-ções de acordo com o momento ou com o tem-po. Assim, uma única medida de pressão e umaavaliação esporádica de consumo de sal nãopodem ser consideradas representativas do com-portamento individual. Outro aspecto a ser ob-servado refere-se à sensibilidade da pressãoarterial ao sal. De acordo com o evidenciadopor estudo, alguns indivíduos respondem à so-brecarga salina com expressivo aumentopressórico enquanto outros respondem com in-crementos menores, nenhum incremento oumesmo com diminuição da pressão 23.
  6. 6. p.174 • R Enferm UERJ 2006 abr/jun; 14(2):169-75.Fatores de risco e hipertensão arterialÉ possível uma especulação, qual seja, em-bora não encontrando associação estatística en-tre as variáveis, percebem-se diferenças sutis nosvalores da pressão arterial entre aqueles que apre-sentavam fatores de risco. Isso pode indicar influ-ência no estabelecimento de pressão arterial ele-vada no futuro.Mesmo os adolescentes sem alteraçõesdetectáveis da pressão arterial devem ser incluí-dos nas ações de prevenção para a hipertensãoarterial, pois, conforme observado, entre os 143(79,9%) jovens sem alterações nos níveis de pres-são arterial, muitos evidenciaram a presença depelo menos um fator de risco para o desenvolvi-mento de hipertensão arterial. Destes, os princi-pais são a hereditariedade e o sedentarismo, pois41,4% adolescentes apresentaram o fator de riscohereditariedade e 64,8% não desenvolviam prá-ticas esportivas adequadas. Isso, associado aosdemais fatores, aumenta a possibilidade desurgimento da doença.CONCLUSÃOFoi encontrado no estudo elevação da pres-são arterial em 36 (20,1%) alunos. Destes, 7,8%com valores simultâneos da PAS e da PAD iguaisou acima do percentil 95; 5,6% adolescentes comalterações apenas nos valores da PAS e 6,7% comalterações específicas dos valores da PAD.Os achados mostraram não haver associaçãoentre obesidade e elevação da PAS ou PAD; nãose identificou diferença de média de PAS e a pre-sença de fatores hereditários; em relação à práti-ca de esportes, não foram identificadas diferen-ças de média de PAS; quanto ao tabagismo, nãofoi encontrada diferença estatística significativade média entre fumar e ter PAS ou PAD elevada.Os resultados obtidos indicaram a importân-cia de estudos sobre hipertensão e adolescentes,bem como a necessidade de avaliações periódi-cas dos níveis de pressão arterial nessa faixa etária.Conforme comentado, foram encontradospercentis superiores aos relatados na literatura14-23, mesmo considerando o limitado número de es-tudos que tenham adotado o mesmo referencialpara análise dos dados obtidos.Além disso, algumas dificuldades operacionaissão encontradas, como por exemplo, quantificar oconsumo de sal, pois os hábitos alimentares do ho-mem moderno incluem a ingesta de alimentos quejá possuem o sódio na sua composição. Isso interfe-re no cálculo de quanto representa realmente esteconsumo. Em regiões onde a ingestão de alimentosconservados no sal é maior, supõe-se que a ingestãode sódio supere em muito o valor estabelecido comosaudável.Também para os adolescentes que não tive-ram alterações da pressão arterial, mas que apre-sentaram fatores de risco, é essencial a prática deações de prevenção como forma de reduzir a possi-bilidade do surgimento deste tipo de complicação.REFERÊNCIAS1.LessaI.Oadultobrasileiroeasdoençasdamodernidade:epidemiologiadasdoençascrônicasnão-transmissíveis.SãoPaulo: Hucitec; 1998.2. Ministério da Saúde (Br). Plano de Reorganização daAtençãoàHipertensãoArterialeaoDiabetesMellitus[sitede Internet]. Brasília (DF): Secretaria de Políticas de Saú-de; 2001 [acesso em 21 set 2003]. Disponível em: http://d t r 2 0 0 1 . s a u d e . g o v. b r / b v s / p u b l i c a c o e s /reorganizacao_plano.pdf.3. Ribeiro AB. Atualização em hipertensão arterial: clíni-ca, diagnóstico e terapêutica. São Paulo: Atheneu; 1996.4. Achutti AC, Achutti VAR. Aspectos epidemiológicos.In: Amodeu C, Lima EG, Varquez, EC. Hipertensão arte-rial. São Paulo: Sarvier; 1997, p.11-22.5. Gomes MAM. Diagnóstico e classificação. In: QuartasDiretrizes Brasileiras de Hipertensão: mesa-redonda. Riode Janeiro: Publicações Científicas; 2002. p.3-7.6. Salgado CM, Carvalhaes JT de A. Hipertensão arterialna infância. J Pediatr [Rio de Janeiro] 2003; 75 (Supl 1):115-24.7.OliveiraRG,LamounierJA,OliveiraADB,CastroMDR,Oliveira JS. Pressão arterial em adolescentes e escolares: oestudo de Belo Horizonte. J Pediatr [Rio de Janeiro] 1999;75:256-66.8. Rosa AA, Ribeiro JP. Hipertensão arterial na infância ena adolescência: fatores determinantes. J Pediatr [Rio deJaneiro]1999;75:75-82.9. Arcuri EAM. Estudo comparativo da medida indiretade pressão arterial com manguito de largura correta e commanguito de largura padrão [tese doutorado]. São Paulo:Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de SãoPaulo;1985.10. Veiga EV. Medida indireta da pressão arterial em fun-ção da largura do manguito, em escolares de 6 a 10 anos deidade [tese doutorado]. Ribeirão Preto (SP): Universida-de de São Paulo; 1995.11. Perloff D, Grim C, Flack J, Frohlich DE, Hill M,McDonald M, Morgenstern BZ. Human blood pressuredetermination by sphygmomanometry: Part I. Circulation.1993;88:2460-70.12. Koch VH. Pressão arterial em pediatria: aspectosmetodológicos e normatização. Rev Bras Hipertens. 2000;7(1):71-8.13. Ministério da Saúde (BR). Resolução nº 196/96: Dire-trizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolven-
  7. 7. R Enferm UERJ 2006 abr/jun; 14(2):169-75. • p.175Chaves ES, Lopes MVO, Araújo TLdo seres humanos. Brasília (DF): Conselho Nacional deSaúde; 1996.14. Pascoal IF. Situações especiais. In: Quartas DiretrizesBrasileiras de Hipertensão: mesa-redonda. Rio de Janeiro:Publicações Científicas; 2002. p.23-5.15. Silverman MA, Walker AR, Nicolau DD, Bono MJ.Thefrequencyofbloodpressuremeasurementsinchildrenin four EDs. Amer J Emerg Med. 2000; 18(7): 784-8.16. Lopez RE, Elizaga IV, Goñi JS, Eguiluz MG, IrigoyenMO, Mateos AS, Gonzalez AM, Lopez TE, Tellechea DS,Garcia RM. Estúdio de Navarra (PECNA): variaciones delos niveles médios de tensión arterial según edad, sexo ytalla. Anal Esp Ped. 1993; 38(2): 151-58.17. Fuentes RM, Notkola IL, Shemeikka S, Tuomilehto J,Nissinen A. Tracking of systolic blood pressure duringchildhood:a15-yearfollow-uppopulation-basedfamilystudyineasternFinland.Hipertension.2002;20(2):195-202.18. Pickering TG. Papel do estresse no desenvolvimentoda hipertensão. In: Weber MA. Hipertensão. Rio de Janei-ro: Guanabara Koogan; 2003. p.35-53.19.BurkeV,BeilinLJ,DunbarD.Trackingofbloodpressureinaustralianchildren.Hipertension.2001;19(7):1185-92.20.FrancischettiEA,FagundesVGA.Ahistórianaturaldahipertensão essencial começa na infância e na adolescên-cia?Hiperativo.RevBrasHipertensão.1996;3(2):77-85.21. Weinberger MH. Sódio e outros fatores da dieta. In:Weber MA. Hipertensão. Rio de Janeiro: GuanabaraKoogan;2003.p.30-3.22. Pellanda LC, Echenique L, Barcellos LMA, Maccari J,Borges FK, Zen BL. Doença cardíaca isquêmica: a pre-venção inicia durante a infância. J Pediatria [Rio de Janei-ro]. 2002; 78 (2): 91-6.23. Heimann JC. Sal e hipertensão: aspectos históricos epráticos. Rev Bras Hipertensão. 2000; 7(1): 11-3.INVESTIGACIÓN DE FACTORES DE RIESGO ASOCIADOS A LA HIPERTENSIÓN ARTERIAL EN GRUPODE ESCOLARESRESUMEN:RESUMEN:RESUMEN:RESUMEN:RESUMEN: El objetivo fue detectar alteraciones de la presión arterial y presencia de factores de riesgocardiovasculares en estudiantes de 12 a 18 años. Estudio descriptivo y de exploración,, realizado entre2001 y 2002, en una escuela pública de Fortaleza-CE-Brasil, con un total de 179 estudiantes. Fueutilizado un instrumento para registro de los valores de la presión arterial y de los factores de riesgo de lahipertensión arterial como hereditariedad, consumo diario elevado de sal, tabagismo y etilismo. Losdatos fueron obtenidos por medio de entrevista y analizados con el uso de teste de asociación estadística.Se encontró aumento en la presión arterial en 20,1% de los adolescentes, siendo que 7,8% de ellospresentaron, simultáneamente, alteración en los valores de la presión arterial sistólica y diastólica. Lahereditariedad fue el factor de riesgo predominante que, asociada a otros, puede contribuir para subidasmás grandes de la presión o hacer difícil su reducción. Los resultados confirmaron la necesidad deacompañamiento clínico de eses sujetos para evitarse complicaciones futuras.Palabras Clave:Palabras Clave:Palabras Clave:Palabras Clave:Palabras Clave: Adolescente; enfermería; factor de riesgo; presión arterial.Recebido em: 24.08.2005Aprovado em: 05.01.2006NotasNotasNotasNotasNotas*Enfermeira. Doutoranda em Enfermagem da Universidade Federal do Ceará. Bolsista CAPES. End.: R. Osvaldo Aguiar, 1541, Cambeba– CEP:60831-060. Fortaleza-CE. E-mail: emilly.e@zipmail.com.br.**Doutor em Enfermagem. Professor Adjunto do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal do Ceará. E-mail: marcos@ufc.br***Doutora em Enfermagem. Professora Adjunta do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal do Ceará. Coordenadora doProjeto Integrado Cuidado em Saúde Cardiovascular – financiado pelo CNPq. E-mail: thelma@ufc.br****Parte integrante de monografia de graduação em Enfermagem, desenvolvida no Projeto Integrado Cuidado em Saúde Cardiovascular- financiado pelo CNPq.

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