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  1. 1. 353○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ARTIGO ORIGINALActaMédPort2004;17:353-358Recebido para publicação: 19 de Janeiro de 2004R E S U M OS U M M A R YÍNDICE DE MASSA CORPORALSensibilidade e EspecificidadeLINDACLEMENTE,PEDROMOREIRA,BRUNOOLIVEIRA,MARIADANIELVAZDEALMEIDAFaculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto. PortoIntrodução: O recurso a dados de peso e estatura, obtidos por auto-relato, tem sidoutilizado com o objectivo de determinar a prevalência de excesso de peso e obesidade,ainda que se desconheçam dados de fiabilidade da utilização destas medidas. O objectivodeste estudo é determinar a sensibilidade e especificidade da utilização do IMC porauto-relato para avaliar a prevalência de excesso de peso/obesidade em estudantesuniversitários.Métodos: Numa amostra de conveniência, constituída por 380 estudantes universitários(226 mulheres e 154 homens), obtivemos valores de peso e estatura por auto-relato epor avaliação directa (objectiva).Resultados: A discrepância entre valores de peso obtidos por auto-relato e avaliaçãodirecta não foi significativa. Para a estatura, essa discrepância foi significativamentediferente nas mulheres, nos homens, e entre sexos. A diferença entre valores de IMCfoi significativamente diferente nas mulheres (0,8 ± 1,1 kg /m2), nos homens (0,4 ± 1,1 kg/m2) e entre sexos. Relativamente ao excesso de peso/obesidade, segundo o IMCobjectivo, a sensibilidade foi apenas de 50% nas mulheres, e 70% nos homens, enquantoa especificidade foi 99% nas mulheres e 98% nos homens.Conclusão: Os resultados mostram fraca sensibilidade dos dados de peso e estaturaobtidos por auto-relato, para detectar excesso de peso/obesidade e, portanto, estemétodo pode não ser muito fiável para estudos de prevalência da obesidade nestapopulação.Palavras-chave: Peso, estatura, IMC; auto-relato; excesso de peso; obesidade; estudantesuniversitários.BODY MASS INDEXSensitivity and SpecificityIntroduction: Self-reported height and weight data have been used in several studieswith the purpose of determining the prevalence of overweight and obesity. Despitebeing a simple methodology, little information exists about the reliability of thesemeasures, namely, in university students. The objective of this study was to determinethe sensitivity and specificity of self-reported body mass index (BMI) to evaluate theprevalence of overweight and obesity in university students.Methods: In a convenience sample of 380 university students (226 women and 154men), weight and height were obtained by self-reported measures and anthropometricassessment according to international standards methodology (objective). BMI was
  2. 2. 354LINDACLEMENTE etalcalculated from self-reported and direct measures.Results: The discrepancy between objective and self-reported weight was notsignificative. For height, this discrepancy was significantly different in women, in men,and between genders. The difference between BMI values was significantly different inwomen (0,8 ± 1,1 kg/m2), in men (0,4 ± 1,1 kg /m2) and between genders. Concerningoverweight and obesity, according to the objective BMI, the sensitivity was only 50%in women, and 70% in men, while the specificity was 99% in women and 98% in men.Conclusion: Our results show a poor sensitivity of self-reported weight and heightdata, to estimate overweight and obesity, thus, this method might not be reliable forstudies of prevalence of obesity in this population.Key-words: Weight; height; BMI; self-reported; overweight; obesity; university students.INTRODUÇÃOO recurso a dados subjectivos de peso e estatura porauto-relato tem sido utilizado em alguns estudos com oobjectivo de avaliar a prevalência de obesidade, em váriasfaixas etárias, desde jovens adultos a indivíduos idosos1--7. No entanto, levanta-se a hipótese de tal procedimentose associar a uma fraca sensibilidade para detectar aobesidade5,8-11.Entre os factores capazes de influenciar o valor da dis-crepância entre as medidas antropométricas obtidas direc-tamente e por auto-relato incluem-se as características in-dividuais como a idade, o sexo ou a condição sócio--económica6,9. Alguns autores6,9 referem, por exemplo, queos indivíduos com menos habilitações literáriassobrestimam mais a sua estatura do que os que têm níveisde educação superiores. Relativamente ao efeito da edu-cação na estimativa do peso, os resultados são controver-sos. Palta et al6 encontraram uma tendência para o aumen-to da subestimação do peso com o aumento das habilita-ções literárias nos homens, enquanto nas mulheres essatendência foi mais ligeira e apenas nas mais pesadas. Deforma oposta, Boström et al9 encontraram maiorsubestimação do peso nos indivíduos dos dois sexos commenos habilitações literárias.Dado desconhecer-se a intensidade da diferença entreos valores de peso e estatura obtidos por auto-relato (re-feridos) e os obtidos através de medição directa (objecti-vos), procurámos neste estudo avaliar essa discrepâncianuma amostra de estudantes universitários, e determinar asensibilidade e especificidade da utilização do IMC porauto-relato para avaliar a prevalência de excesso de peso/obesidade em estudantes universitários.MATERIALEMÉTODOSO trabalho dividiu-se em duas fases. Na primeira, osparticipantes responderam a um questionário que incluíadiferentes secções para obtenção de informações sobredados sócio-demográficos e opiniões sobre o peso e a es-tatura que apresentavam. Na segunda fase, que decorreuaté duas semanas após o inquérito da primeira fase, utilizá-mos um questionário em que pesquisámos: antecedentesmédicos pessoais e familiares; hábitos tabágicos (conside-rámos fumadores os que fumavam pelo menos um cigarro/dia); dados antropométricos objectivos (ava-liámos peso ealtura segundo técnicas normalizadas, de acordo com o pre-conizado internacionalmente12); e variação de peso no últi-mo ano (diferença entre peso máximo e mínimo nos últimos12 meses). Com base nos valores de peso e estatura calcu-lámos o índice de massa corporal - IMC [IMC = peso (kg)/estatura (m)2] e definimos como excesso de peso ou obesi-dade, um IMC ³ 25,0 kg /m2. Nenhum dos indivíduos referiuapresentar doença ou condição fisiológica (gravidez ou alei-tamento) e de saúde, ou utilização de medicação, que inter-ferissem na ingestão alimentar.Foram convidados a participar no trabalho 558 estu-dantes das Faculdades de Engenharia e de Letras da Uni-versidade do Porto, com idades compreendidas entre os18 e os 30 anos (68% do sexo feminino). Todos aceitaram,tendo completado as duas fases do estudo 380 (60% dosexo feminino) estudantes; a idade média ± desvio-pa-drão foi, no sexo feminino, de 21,3 ± 2,4 anos, e no sexomasculino, de 20,8 ± 2,2 anos. Aos participantes garanti-mos confidencialidade das informações recolhidas e ano-nimato, e todos forneceram consentimento informado an-tes da realização do estudo.
  3. 3. 355SENSIBILIDADEEESPECIFICIDADEDOIMCPara análise da informação foi utilizado o programa deestatística SPSS versão 11. A amostra foi dividida porsexos e foram calculadas médias ± desvio-padrão dos va-lores objectivos e referidos para o peso, a estatura e oIMC. Usou-se o teste t de student (amostras emparelha-das e amostras independentes) para avaliar diferençasentre os valores objectivos e referidos e diferenças entresexos. As diferenças foram calculadas subtraindo os va-lores referidos aos valores objectivos. Para avaliar o graude associação entre valores objectivos e referidos calcu-laram-se coeficientes de correlação de Pearson (r). Deter-minou-se, adicionalmente, o valor de r2, resultante da re-gressão linear dos valores referidos sobre os objectivos,para peso, estatura e IMC, no sentido de compreender aproporção de variância explicada pelos valores obtidospor auto-relato. A regressão linear múltipla foi realizadapara avaliar a influência de várias variáveis na prediçãodas diferenças entre valores objectivos e referidos de pesoe estatura.Considerou-se excesso de peso/obesidade um valorde IMC superior ou igual a 25 (13). Posteriormente, deter-minou-se a sensibilidade (probabilidade de um indivíduocom excesso de peso/obesidade, segundo os valores me-didos, ser classificado com excesso de peso/obesidade,com base nos valores referidos), e a especificidade (pro-babilidade de um indivíduo classificado sem excesso depeso/obesidade, com base nos valores medidos, ser clas-sificado como não tendo excesso de peso/obesidade, se-gundo os valores referidos).RESULTADOSAs principais características da amostra estudada apre-sentam-se no Quadro I. A classe de escolaridade dos paismais frequente foi a de um a quatro anos nas mulheres (49a 55%), o que não sucedeu nos homens (em mais de meta-de dos indivíduos do sexo masculino, os pais tinham 10ou mais anos de escolaridade). A prevalência de fumado-res variou entre 10 e 16%. Relativamente à variação depeso no último ano, a mediana foi a mesma nos dois sexos(3kg).PesoEm cada um dos sexos não existiram diferenças signifi-cativas entre os valores de peso objectivo e referido; adiferença média para o sexo feminino foi de 0,18 ± 2,2 kg (p= 0,208) e para o sexo masculino 0,29 ± 3,0 kg (p = 0,235).Estes resultados são apresentados no Quadro II. Quandocomparámos as diferenças médias do sexo feminino, comas do sexo oposto, também não se verificaram diferençassignificativas (p = 0,702).Os coeficientes de correlação foram elevados e signi-ficativos (r = 0,96, p < 0,001), em ambos os sexos, revelan-do a forte associação entre os valores de peso objectivo ereferido (Quadro II). O valor de r2, para a regressão dosvalores referidos de peso sobre os objectivos, foi de 0,93para homens e mulheres.A análise de regressão linear múltipla das variá-veis correspondentes a escolaridade paterna, escola-ridade materna, variação de peso no último ano, esta-tura objectiva e peso objectivo, na diferença entre osvalores de peso objectivo e referido, revelou um efei-to significativo, em ambos os sexos, para o peso ob-jectivo (sexos feminino e masculino, coeficiente = 0,13,p < 0,001) e estatura objectiva (sexo masculino, coefi-ciente = -0,12, p=0,003; sexo feminino, coeficiente =-0,06, p = 0,020). No sexo feminino, encontrou-se, ain-da, um efeito significativo para a variação do peso noSexoFeminino MasculinoEscolaridade paterna>12 anos10 – 12 anos5 – 9 anos1 – 4 anosAnalfabetoNão sabe13,5 %15,2 %21,1 %48,9 %0,9 %0,4 %40,8 %21,1 %19,1 %19,1 %0 %0 %Escolaridade materna>12 anos10 – 12 anos5 – 9 anos1 – 4 anosAnalfabetoNão sabe16,1 %13,4 %13,8 %54,5 %1,8 %0,4 %34,4 %18,2 %19,5 %27,3 %0,6 %0,0%FumaSimNão16,4 %83,6 %10,4 %89,6 %Variação de peso no último ano aMínimoMáximoMediana0,0 kg12,0 kg3,0 kg0,0 kg37,0 kg3,0 kgQuadro I - Características da amostraapeso máximo – peso mínimoMédia ± dpCorrelação entrepeso objectivo epeso referidoPesoobjectivo(kg)Pesoreferido(kg)Diferençaentre pesoobjectivo epeso referido(kg) p r pSexoFemininoMasculino56,7 ± 7,972,2 ± 11,256,5 ± 7,571,9 ±10,50,18 ± 2,20,29 ± 3,00,2080,2350,960,96< 0,001< 0,001Quadro II - Diferença e correlação entre valores objectivos ereferidos de peso
  4. 4. 356último ano (coeficiente = -0,16, p = 0,018). A propor-ção de variância (r2) na discrepância entre os valoresobjectivos e referidos, explicada pelas variáveis depredição, foi 0,18 para o modelo de regressão no sexofeminino, e 0,22 no sexo masculino.EstaturaA diferença média entre os valores de estatura ob-jectivos e referidos foi estatisticamente significativanas mulheres (-2,72 ± 0,23 cm, p < 0,001) e nos homens(-1,21 ± 2,19 cm, p < 0,001). A magnitude da diferençaentre os valores de estatura objectivos e referidos foisignificativamente (p < 0,001) diferente entre sexos,sendo maior no sexo feminino que no sexo masculino,resultados que se apresentam no Quadro III.IMCPara os valores de IMC objectivos e referidos verifica-ram-se diferenças significativas nos indivíduos do sexofeminino (0,79 ± 1,1 kg/m2, p < 0,001) e do sexo masculino(0,41 ± 1,1 kg/m2, p < 0,001). A amplitude da diferençaentre os valores de IMC objectivos e referidos foi signifi-cativamente diferente entre sexos (p = 0,001), verificando--se maior subestimação do IMC no sexo feminino do queno sexo masculino (Quadro IV).LINDACLEMENTE etalMédia ± dpCorrelação entreestatura objectivae estaturareferidaEstaturaobjectiva(cm)Estaturareferida(cm)Diferençaentreestaturaobjectiva eestaturareferida (cm)p R pSexoFemininoMasculino160,6 ± 6,5175,5 ± 6,2163,4 ± 6,4176,7 ± 6,0-2,72 ± 2,3-1,21 ± 2,2< 0,001< 0,0010,940,94< 0,001< 0,001Quadro III - Diferença e correlação entre valores objectivos ereferidos de estaturaÀ semelhança do peso, os coeficientes de correla-ção foram elevados e significativos (r = 0,94, p< 0,001),como se pode observar no Quadro III.A regressão dos valores referidos de estatura, so-bre os medidos, mostrou-se semelhante entre sexoscom valores de r2 de 0,87 e 0,88, para os sexos femini-no e masculino, respectivamente.A análise de regressão linear múltipla das variá-veis correspondentes a escolaridade paterna, escola-ridade materna, variação de peso no último ano, esta-tura objectiva e peso objectivo, na diferença entre osvalores de estatura objectiva e referida, revelou ummodelo inadequado para explicar os desvios na variá-vel dependente, nos indivíduos do sexo masculino.No sexo feminino, foi encontrado um efeito significa-tivo para as variáveis estatura objectiva (coeficiente =0,09, p = 0,001) e variação de peso no último ano (coe-ficiente= -0,16, p=0,035), na diferença entre os valoresde estatura objectiva e referida.A proporção de variância na discrepância entre osvalores objectivos e referidos, que é explicada pelasvariáveis de predição (r2) para o modelo de regressão,foi de 0,08 para o sexo feminino.Média ± dpCorrelação entreIMC objectivo eIMC referidoIMCobjectivo(kg/m2)IMCreferido(kg/m2)DiferençaentreIMCobjectivo eIMCreferido(kg/m2)p r pSexoFemininoMasculino21,9 ± 2,723,4 ± 3,421,1 ± 2,423,0 ± 3,10,79 ± 1,10,41 ± 1,1< 0,001< 0,0010,920,94< 0,001< 0,001Quadro IV - Diferença e correlação entre valores objectivos ereferidos de IMCOs coeficientes de correlação mostraram-se significa-tivamente elevados (p < 0,001) e com valor r de 0,94 e 0,92,para homens e mulheres, respectivamente (Quadro IV).O valor de r2 para a regressão dos valores referidos deIMC sobre os objectivos foi de 0,84 para as mulheres e0,89 para os homens.Prevalência de Excesso de Peso/ObesidadeO cálculo da sensibilidade revelou que a prevalênciade excesso de peso/obesidade foi marcadamente maiorquando calculada a partir dos valores objectivos, em am-bos os sexos. Para o sexo feminino, a prevalência de ex-cesso de peso/obesidade determinada a partir dos valo-res objectivos foi 11,6% (n = 26) e a partir dos valoresreferidos 6,3% (n = 14). Apenas 50% dos indivíduos dosexo feminino com excesso de peso/obesidade referiramvalores de peso e estatura que correspondiam a esta clas-sificação. Nos indivíduos do sexo masculino, os valoresobjectivos revelaram uma prevalência de excesso de peso/obesidade de 26,7% (n = 41), comparativamente aos 20,1%(n = 31) obtidos através dos valores referidos. Contraria-mente à tendência anterior, a especificidade foi bastanteelevada nos dois sexos. No sexo feminino, apenas 0,5% (n= 1) dos indivíduos seriam adicionalmente classificadoscomo não tendo excesso de peso/obesidade, com basenos valores referidos, em relação aos valores objectivos.Para o sexo masculino, os resultados, ligeiramente superi-ores, mostram uma classificação adicional de 1,8% (n =2)dos indivíduos sem excesso de peso/obesidade, com base
  5. 5. 357nos valores referidos, face aos valores objectivos. NoQuadro V apresentam-se os valores de sensibilidade eespecificidade por sexos.res de peso objectivo e obtido por auto-relato, dadotodos os indivíduos serem estudantes universitários,não se verificaram efeitos significativos para as habi-litações literárias do pai ou da mãe.Os valores de correlação entre peso objectivo eobtido por auto-relato foram significativamente eleva-dos, em ambos os sexos, com uma grande percenta-gem da variância (93%) nos valores do peso objecti-vo, a ser explicada pelos valores obtidos por auto--relato.No estudo das variáveis com efeito na discrepân-cia entre os valores de peso objectivo e obtido porauto-relato, verificou-se um efeito significativo posi-tivo para o peso objectivo, em ambos os sexos, o quese traduz numa maior subestimação do peso pelos in-divíduos que pesam mais. Esta subestimação do pesopelos indivíduos mais pesados foi documentada emestudos prévios5,6,15,16. Encontrou-se também um efei-to significativo negativo da estatura objectiva, emambos os sexos, revelando uma tendência para que osindivíduos mais altos subestimem menos o seu peso.Palta et al6 obtiveram resultados semelhantes, massomente para indivíduos do sexo masculino.Nas mulheres, verificamos ainda um efeito signifi-cativo negativo para a variação de peso no último ano,denotando uma menor subestimação do peso naque-las cuja magnitude de variação foi maior.Contrariamente ao peso, os valores de estatura ob-jectiva foram significativamente diferentes dos valo-res por auto-relato e com uma tendência geral para asua sobrestimação, conforme o descrito por outros tra-balhos5,11. As mulheres foram as que maissobrestimaram a estatura, tal como no estudo deBoström et al9. No entanto, Delprete et al11 referemmaior sobrestimação da estatura nos homens do quenas mulheres. Os valores de correlação entre a estatu-ra objectiva e a obtida por auto-relato, ainda que al-tos, encontram-se abaixo dos valores verificados parao peso. Estes valores são similares aos encontradosem outros trabalhos4,5. Entre as variáveis estudadas,a estatura objectiva e a variação de peso no últimoano tiveram um efeito significativo na discrepânciaentre os valores de estatura objectiva e obtida porauto-relato, no sexo feminino, revelando que as mu-lheres mais baixas foram as que sobrestimaram mais asua estatura; as que variaram mais de peso (nos últi-mos 12 meses) foram também as que sobrestimarammais a estatura. É importante salientar, no entanto, queo valor preditivo das variáveis identificadas, com sig-nificado estatístico, relacionadas com a discrepânciaSENSIBILIDADEEESPECIFICIDADEDOIMCQuadro V - Probabilidade de classificar correctamente oexcesso de peso/obesidadeSensibilidade(%)Especificidade(%)SexoFemininoMasculino50,070,799,598,2DISCUSSÃOA comparação de dados de peso e estatura obti-dos por auto-relato e por medidas directas reveste-sede particular importância, pois permite conhecer afiabilidade das medições subjectivas para interpretarresultados sobre prevalência de excesso de peso e obe-sidade. Adicionalmente, a informação sobre erros queserão esperados é sempre útil no planeamento da in-vestigação, particularmente quando é necessário de-cidir sobre as técnicas de medição a adoptar. Se porum lado, a obtenção de variáveis antropométricas porauto-relato é aliciante, proporcionando poupança detempo e recursos, principalmente em grandes amos-tras populacionais, por outro lado, é fundamental co-nhecer as relações entre a dimensão do viés e certascaracterísticas individuais.Neste estudo, os resultados encontrados revela-ram que os valores de peso obtidos por auto-relatoestavam muito próximos dos valores de peso objecti-vo. Verificou-se uma tendência geral, ligeira, em am-bos os sexos, para a subestimação do peso, à seme-lhança do referido em vários estudos5,6,9. No entanto,a diferença média encontrada entre valores objectivose obtidos por auto-relato, relativamente ao peso, foibastante inferior à verificada na maioria dos estudos5,6,9,14. Outro factor a destacar, é o facto de não seterem verificado diferenças significativas entre homense mulheres, nas discrepâncias de peso objectivo eobtido por auto-relato. Nas mulheres, particularmentenas de níveis de educação superiores, a subestimaçãodo peso poderá ser condicionada pela pressão socialpara um ideal de baixo peso e magreza5,6,9. Asubestimação do peso no sexo masculino também foireferida em alguns trabalhos6, parecendo aumentar nosindivíduos com mais habilitações literárias. Na nossaamostra, embora não tenhamos avaliado o efeito dashabilitações literárias na discrepância entre os valo-
  6. 6. 358entre os valores objectivos e obtidos por auto-relato,é limitado; por um lado, os valores de r2 dos váriosmodelos foram bastante baixos, e por outro, as variá-veis identificadas com maior significado estatísticoforam as antropométricas obtidas por auto-relato. Ovalor máximo de variabilidade explicada foi de 22% paraa discrepância entre os valores de peso, nos homens.O estudo da sensibilidade e especificidadepermitiu-nos avaliar as diferenças na prevalência deexcesso de peso/obesidade obtida através dos valo-res objectivos e por auto-relato. De facto, a sensibili-dade baseada nos valores referidos apenas detectou50 % dos casos no sexo feminino e 71% no sexo mas-culino, valores que se podem considerar muito baixospara estudos que visassem avaliar a prevalência deobesidade a partir dos valores obtidos por auto-relato.O estudo de Boström et al9 revelou valores semelhan-tes aos que encontrámos, para homens e mulheres,mas muito abaixo dos encontrados por Kuczmarski etal4 para uma faixa etária semelhante. Já a especificida-de foi bastante boa, atingindo valores perto dos 100%para as mulheres e 98% para os homens, ou seja, pou-cos indivíduos foram classificados com excesso depeso ou obesidade (usando os valores obtidos porauto-relato), quando na realidade eram normoponde-rais ou magros.CONCLUSÃOEm conclusão, apesar de em média não se teremverificado diferenças significativas entre os valoresde peso obtido por auto-relato e os de peso objectivo,encontrou-se uma tendência geral para que os indiví-duos mais pesados subestimassem mais o seu peso.As discrepâncias encontradas entre os valores de es-tatura objectiva e obtida por auto-relato, traduziram asobrestimação da estatura em ambos sexos; a maiorsobrestimação da estatura foi encontrada no sexo fe-minino, sendo as mulheres mais baixas as que maissobrestimaram a sua estatura. O viés resultante des-tas diferenças traduziu-se numa fraca sensibilidadepara detecção da obesidade, o que nos leva a concluirque o recurso a dados antropométricos obtidos porauto-relato pode não ser muito fiável para estudos deprevalência de excesso de peso/obesidade nesta po-pulação.BIBLIOGRAFIA1. KURT T, GAZIANO JM, BERGER K, KASE C, REXRODEKM, COOK NR et al: Body mass index and the risk of strokein men. Am J Clin Nutr 2002;22:2557-622. WONG J, WONG S: Trends in lifestyle cardiovascular riskfactors in women: analysis from Canadian National Popula-tion Health Survey. Int J Nurs Stud 2002;39:229-423. BELLISLE F, MONNEUSE MO, STEPTOE A, WARDLE J:Weight concerns and eating patterns: a survey of universitystudents in Europe. Int J Obes Relat Metab Disord1995;19:723-304. KUCZMARSKI MF, KUCZMARSKI RJ, NAJJAR M: Ef-fects of age on validity of self-reported height, weight, andbody mass index: findings from the third national health andnutrition examination survey, 1988-1994. J Am Diet Assoc2001;101:28-345. ROWLAND ML: Self-reported weight and height. Am JClin Nutr 1990;52:1125-336. PALTA M, PRINEAS RJ, BERMAN R, HANNAN P: Com-parison of self-reported and measured height and weight. AmJ Epidemiol 1982;115:223-307. ALVAREZ-TORICES JC, FRENCH-NADAL J, ALVAREZ--GUISASOLA F, HERNANDEZ-MEJIA R, CUETO-ESPINARA: Self-reported height and weight and prevalence of obesity.Study in a Spanish population. Int J Obes Relat Metab Disord1993;17:663-78. ZIEBLAND S, THOROGOOD M, FULLER A, MUIR J: De-sire for the body normal: body image and discrepancies be-tween self reported and measured height and weight in a Brit-ish population. J Epidemiol Community Health 1996;50:105--69. BOSTRÖM G, DIDERICHSEN F: Socioeconomic differen-tials in misclassification of height, weight and body mass in-dex based on questionnaire data. Int J Epidemiol 1997;26:860--610. ROBERTS RJ: Can Self-reported data accurately describethe prevalence of overweight? Public Health 1995;19:275-8411. DELPRETE LR, CALDWELL M, ENGLISH C,BANSPACH SW, LEFEVRE C: Self-reported and measuredweights and heights of participants in community-based weightloss programs. J Am Diet Assoc 1992;92:1483-612. JELLIFFE DB, JELLIFFE EP: Direct assessment of nutri-tional status. In: Jelliffe DB, Jelliffe EP, editors. CommunityNutritional Assessment. Oxford: Oxford University Press,1989:56-6813. GARROW JS: Treat obesity seriously. A clinical manual.Edimdurgh: Churchill Livingstone 198114. VILLANUEVA EV: The validity of self-reported weight inUS adults: a population based cross-sectional study. BMC Pub-lic Health 2001;1:11.15. STUNKARD AJ, ALBAUM JM: The accuracy of self-re-ported weights. Am J Clin Nutr 1981;34:1593-9.16. PIRIE P, JACOBS D, JEFFERY R, HANNAN P: Distor-tion in self-reported height and weight data. J Am Diet Assoc1981;78:601-6.LINDACLEMENTE etal

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