Fisioterapia na artroplastia de quadril

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Fisioterapia na artroplastia de quadril

  1. 1. 1UNISALESIANOCentro Universitário Católico Salesiano AuxiliumCurso de FisioterapiaLetícia DidomenicoMayra Battistini PaesFISIOTERAPIA NA ARTROPLASTIA DE QUADRIL:RELATO DE UM CASOClínica de Reabilitação Física Dom BoscoLINS- SP2010
  2. 2. 2LETÍCIA DIDOMENICOMAYRA BATTISTINI PAESFISIOTERAPIA NA ARTROPLASTIA DE QUADRIL:RELATO DE UM CASOTrabalho de Conclusão de Cursoapresentado à Banca Examinadora doCentro Universitário Católico SalesianoAuxilium, curso de Fisioterapia sob aorientação da Profª Esp. Ana Claudia deSouza Costa e orientação técnica da ProfªEsp. Ana Beatriz LimaLINS-SP2010
  3. 3. 3Didomenico, Letícia; Paes, Mayra BattistiniFisioterapia na Artroplastia Quadril: Relato de um caso: Clínicade Reabilitação Física Dom Bosco/ Letícia Didomenico; MayraBattistini Paes. – – Lins, 2010.84p. il. 31cm.Monografia apresentada ao Centro Universitário CatólicoSalesiano Auxilium – UNISALESIANO, Lins-SP, para graduação emFisioterapia, 2010Orientadores: Ana Claudia de Souza Costa; Ana Beatriz Lima1.Fisioterapia. 2. Artroplastia de Quadril. 3. Clínica deReabilitação Física Dom Bosco. I Título.CDU 615.8D556f
  4. 4. 4LETÍCIA DIDOMENICOMAYRA BATTISTINI PAESFISIOTERAPIA NA ARTROPLASTIA DE QUADRIL:RELATO DE UM CASOMonografia apresentada ao Centro Universitário Católico Salesiano Auxilim,para obtenção do título de Graduação em Fisioterapia.Aprovada em:___/___/___Banca Examinadora:Profª Orientadora: Ana Claudia de Souza CostaTitulação: Especialista em Neurologia pelo Unisalesiano- LinsAssinatura:___________________________________________1º Prof(a):______________________________________________________Titulação:______________________________________________________Assinatura:___________________________________________2º Prof(a):______________________________________________________Titulação:______________________________________________________Assinatura:___________________________________________
  5. 5. 5A minha FamíliaMinha mãe, por ter feito de mim a mulher que hoje sou. Pai, meu professor,meu exemplo, meu herói. Magrela, minha amiga mais fiel. Di, minha eternaincentivadora. Vozinha querida, que tanto rezou por mim. Vó Lourdes semprecompreensiva. E à minha menininha, Isabella, por quem eu tenho um amorimensurável e desmedido.Ao meu marido DonizetiPor ser sempre tão prestativo e compreensivo comigo. Por ser não só meuamante, como também meu amigo. Te amo.Aos meus amigosFran (mais que amiga, quase amante), Guará (alonga minha cervical),Marcela (aquela que fala com as mãos), Jú (japonesa da bunda grande), Carol(parceira guerreira), Tauã (o maior e mais importante deles), Kadu (acooooordamenina), Sara (aquela de rosa), Perseguim (a mais delicada das meninas), Helô(Helô, Helô, Hêlo), Gui (japonês louco), Jéssia (me ensinou tudo sobre banheiros),Lee (parceira nas horas de maior alegria) e Gabi (o gatinho do Xerox). Amo Vocês.A minha segunda Família (Família Santos)Obrigada por terem me acolhido em seu lar. Lugar onde compartilhei tantosmomentos bons e semeei amizades que levarei para a eternidade. Obrigado portodas as refeições que pude compartilhar ao lado de pessoas tão boas e amigascomo vocês.Mayra
  6. 6. 6A minha famíliaMãe, por ser meu porto sempre seguro. Pai, por ser meu grande amigo. Minha irmã por meencorajar e me dar colo. Tias, por me acolherem e me darem apoio todos os dias. Vó Maria e Osmarpor serem meus anjos da guarda. Meus avós, que tanto me incentivaram.Ao meu FilhoRudá, você mudou a minha vida, com suas risadinhas, gracinhas, choros, brincadeiras,carinhos, mordidas, noites mal dormidas. Tudo valeu e vale a pena desde que seja por você. Te amomais do que tudo no mundo, meu ursinho.Ao RafaelVocê me apoiou em praticamente todos os momentos, me deu carinho, força, amizade,companheirismo. Foi meu melhor amigo. Você me deu meu melhor presente, meu melhor sonho,nosso filho. Obrigada. NEOEQAVAos meus amigosGabi (minha melhor metade), Nitia (poxa, nem me chama!), Gabriel (fecho a janela?), Fran(agente precisa estudar pra fisio geral! Ahan, já já), Japoneis (pelas risadas na eletro), Meninos doBeisebol (por todos os jogos ganhos e perdidos), Thata (gruda na parede e vai), Renato (existe ummundo que só quer te ver sorrir), Dede (preciso te conta uma coisa), Silvia (Yagima), Volmir e Vinicius(vai chove hein!) e Mayrão (a melhor parceira pra tudo). Amo Vocês.A Laura, Déia, Thali e MilaPose - Engenheiros do Hawaii - Vamos passear depois do tiroteio/ Vamos dançar num cemitério deautomóveis/ Colher as flores que nascerem no asfalto/ Vamos todo mundo...tudo que se possaimaginar/ Vamos duvidar de tudo o que é certo/ Vamos namorar à luz do pólo petroquímico/ Voltarpra casa num navio fantasma/ Vamos todo mundo... ninguém pode faltar/ Se faltar calor, a genteesquenta/ Se ficar pequeno, a gente aumenta/ E se não for possível, a gente tenta/Vamos velejar nomar de lama/ Se faltar o vento, a gente inventa/ Vamos remar contra a corrente/ Desafinado coro doscontentes. Amo Tanto Vocês. Obrigada por estarem na minha vida.À minha segunda Família (Família Ohi)Aprendi muito ao lado de vocês, muito Obrigada.Letícia
  7. 7. 7AGRADECIMENTOSA DeusPela inspiração, proteção e confiança dada nos momentos de criação. Por terdado força para superar os obstáculos e vencer nossas limitações. Por ter nos dadonossos anjinhos: Isabella e Rudá.A Orientadora AnaPor ser uma amiga muito querida, e uma orientadora sempre profissional ejusta. Por acreditar na nossa capacidade e compreender nossas limitações. Muitoobrigada por tudo.A Orientadora BiaPela imensurável paciência e dedicação a nós prestada ao longo desse ano.Muito obrigadaAos Funcionários do SalesianoPor executar suas funções com excelência e dedicação, a fim de nosproporcionar o melhor ambiente para estudo. Obrigada.Ao Seu José de Fátima AssisPor ter sido um paciente fiel e compreensivo. Por ter acreditado em nossotrabalho e ter nos dado sua confiança.
  8. 8. 8RESUMOA articulação do quadril é composta pelo acetábulo e pela cabeça do fêmur.Estas estruturas são recobertas por uma cartilagem que permite que os movimentossejam feitos sem que haja atrito ou dor. Quando, por algum motivo essa cápsula édanificada, os movimentos são restringidos e acontece então o surgimento da dor.Em alguns casos, essa dor é tão intensa que o individuo passa a evitar osmovimentos do quadril, fazendo com que a musculatura enfraqueça. Com aevolução do quadro, os movimentos do quadril ficam cada vez mais limitados,dificultando a marcha, e assim a execução das atividades diárias do paciente. Então,se faz necessária a artroplastia de quadril. Um procedimento cirúrgico que tem porobjetivo restaurar a função do quadril e, principalmente, diminuir a dor. Naartroplastia total de quadril ocorre a substituição da articulação do quadril porprótese. A região acetabular é feita de plástico, e a região femoral é feita de metal. Afisioterapia na reabilitação de um paciente que se submeteu a artroplastia de quadrilé de suma importância, pois possibilita ao paciente um retorno rápido às suasatividades. O fisioterapeuta lança mão de inúmeras técnicas preconizando adeambulação com o objetivo de restabelecer a mobilidade normal do paciente. Otratamento fisioterapeutico engloba desde alongamentos, exercícios ativos,fortalecimento e até treino de marcha através de recursos, principalmente acinesioterapia e a hidroterapia. O principal objetivo deste trabalho é demonstrar aimportância do tratamento fisioterapeutico no processo de reabilitação em pacientescom artroplastia de quadril. Pode-se então observar por meio dessa pesquisa que afisioterapia promove melhor e mais rápido o retorno do paciente às suas atividadesfuncionais e com qualidade de vida.Palavras-chave: Osteoartrose. Artroplastia de Quadril. Fisioterapia.
  9. 9. 9ABSTRACTThe hip joint is composed of the acetabulum and the femoral head. Thesestructures are covered with a cartilage that allows the movements are done withoutfriction or pain. When for some reason this capsule is damaged, the movements arerestricted and it happens then the onset of pain. In some cases, this pain is sointense that the individual shall prevent the movement of the hip, causing muscles toweaken. With the evolution of the hip movements are increasingly limited, hinderingthe march, and so the implementation of the patients daily activities. So, it isnecessary to hip arthroplasty. A surgical procedure that aims to restore hip functionand, mainly, to decrease the pain. In total hip arthroplasty is the replacement of thehip joint by prosthesis. The acetabular region is made of plastic, and the femoralregion is made of metal. Physical therapy in the rehabilitation of a patient whounderwent hip arthroplasty is of paramount importance, since it allows the patient arapid return to their activities. The therapist makes use of many techniquesadvocating walking with the goal of restoring normal mobility of the patient.Treatment ranges from physical therapy stretching, active exercise, strengtheningand gait training by means of resources, especially kinesiotherapy and hydrotherapy.The main objective of this study is to demonstrate the importance of physical therapyin the rehabilitation process in patients with hip arthroplasty. You can then lookthrough this research that promotes better physical therapy and more rapid return ofpatients to their functional activities and quality of life.Keywords: Osteoarthritis. Hip Arthroplasty. Physiotherapy.
  10. 10. 9LISTA DE FIGURASFigura 1: Ossos da articulação do quadril (vista geral) .................................. 16Figura 2: Articulação do quadril (acetábulo vista lâtero-distal) ....................... 17Figura 3: Fêmur (vista anterior) ...................................................................... 18Figura 4: Fêmur (vista posterior) .................................................................... 18Figura 5: Osso do quadril (vista medial) ........................................................ 21Figura 6: Osso do quadril (vista anterior) ....................................................... 21Figura 7: Osso do quadril (vista látero-posterior) ........................................... 22Figura 8: Articulação do quadril após a abertura da cápsula articular edesarticulação parcial da cabeça do fêmur (vista látero-distal)....................... 23Figura 9: Articulação do quadril (vista ântero-distal) ...................................... 24Figura 10: Músculo iliopsoas ......................................................................... 25Figura 11: Músculos sartório e tensor da fáscia lata....................................... 26Figura 12: Músculos adutores, grácil e pectíneo............................................. 27Figura 13: Músculo glúteo médio.................................................................... 28Figura 14: Músculo glúteo máximo e trato iliotibial ......................................... 28Figura 15: Músculos semitendinoso, semimembranáceo e bíceps femoral.... 29Figura 16: Músculos glúteo mínimo, piriforme, gêmeos superior e inferior,obturador interno e quadrado femoral............................................................. 30Figura 17: Nervo femoral e nervo obturatório ................................................. 31Figura 18: Nervos glúteos e nervo isquiático .................................................. 32Figura 19: Artérias dos membros inferiores .................................................... 33Figura 20: Componente acetabular................................................................. 35Figura 21: Componente femoral ..................................................................... 35Figura 22: Próteses cimentadas ..................................................................... 36Figura 23: Próteses não cimentadas .............................................................. 36Figura 24: Exposição do acetábulo................................................................. 39Figura 25: Inserção do componente acetabular.............................................. 39Figura 26: Inserção do componente femoral .................................................. 40Figura 27: Redução dos componentes ........................................................... 40Figura 28: Alongamento dos músculos iliopsoas, pectíneo, sartório, tensor dafáscia lata e adutor longo................................................................................ 43
  11. 11. 10Figura 29: Alongamento dos músculos adutor magno, glúteos máximo e médio,semitendíneo, bíceps femoral e semimembranáceo....................................... 43Figura 30: Alongamento dos músculos adutor longo, glúteo máximo e glúteomédio ............................................................................................................. 44Figura 31: Alongamento dos músculos reto femoral, pectíneo, iliopsoas, tensorda fáscia lata, glúteos médio e máximo, adutor longo e magno ..................... 44Figura 32: Alongamento dos músculos quadríceps, vasto lateral, medial eintermédio, reto femoral e tibial anterior.......................................................... 45Figura 33: Alongamento dos músculos reto femoral, pectíneo, tensor da fáscialata, iliopsoas, adutores longo e magno, glúteos máximo e médio................. 46Figura 34: Alongamento dos músculos pectíneo, semimembranáceo, quadradofemoral, semitendíneo, adutores curto, longo e magno.................................. 46Figura 35: Alongamento dos músculos adutores curto, longo e magno,pectíneo, grácil, semitendíneo, semimembranáceo e bíceps femoral ............ 47Figura 36: Alongamento dos músculos semimembranáceo, glúteos máximo emédio, semitendíneo, bíceps femoral e adutor magno ................................... 47Figura 37: Alongamento dos músculos semimembranáceo, glúteos máximo emédio, semitendíneo, bíceps femoral, adutor magno e gastrocnêmio............ 48Figura 38: Alongamento dos músculos semimembranáceo, glúteos máximo emédio, semitendíneo, adutor magno e gastrocnêmio ..................................... 48Figura 39: Alongamento dos músculos semimembranáceo, glúteos máximo emédio, semitendíneo, adutor magno e gastrocnêmio ..................................... 49Figura 40: Flexão do quadril ........................................................................... 50Figura 41: Extensão do quadril ....................................................................... 50Figura 42: Abdução do quadril........................................................................ 51Figura 43: Adução do quadril.......................................................................... 51Figura 44: Rotação externa do quadril............................................................ 52Figura 45: Rotação interna do quadril............................................................. 52Figura 46: Flexão do quadril resistida com joelho fletido ................................ 53Figura 47: Hiperextensão resistida do quadril................................................. 53Figura 48: Abdução resistida do quadril.......................................................... 54Figura 49: Rotação externa do quadril resistida ............................................. 54Figura 50: Rotação interna do quadril resistida .............................................. 54Figura 51: Flexão do joelho resistida .............................................................. 55
  12. 12. 11Figura 52: Fortalecimento concêntrico e excêntrico........................................ 55Figura 53: Fase de apoio da marcha .............................................................. 57Figura 54: Fase de balanço da marcha .......................................................... 57
  13. 13. 12SUMÁRIOINTRODUÇÃO................................................................................................ 14CAPÍTULO I- ANATOMIA DO QUADRIL....................................................... 161 ANATOMIA DO QUADRIL .................................................................. 161.1 Ossos da Articulação do Quadril.......................................................... 161.1.1 Acetábulo ............................................................................................. 171.1.2 Fêmur................................................................................................... 171.1.3 Pelve .................................................................................................... 191.1.3.1Ílio ........................................................................................................ 191.1.3.2Ísquio ................................................................................................... 201.1.3.3Púbis.................................................................................................... 201.2 Cápsula Articular.................................................................................. 221.3 Ligamentos........................................................................................... 231.4 Músculos .............................................................................................. 241.5 Inervação.............................................................................................. 301.6 Irrigação Sanguínea ............................................................................. 32CAPÍTULO II- PRÓTESE DE QUADRIL ........................................................ 342 ARTROPLASTIA DE QUADRIL .......................................................... 342.1 Conceito ............................................................................................... 342.2 Histórico ............................................................................................... 342.3 Tipos de Prótese .................................................................................. 352.4 Indicações ............................................................................................ 372.4.1 Osteoartrose......................................................................................... 372.5 Contra-indicações ................................................................................ 382.6 Técnica Cirúrgica ................................................................................. 382.7 Complicações....................................................................................... 40CAPÍTULO III- FISIOTERAPIA NA ARTROPLASTIA DE QUADRIL ............ 42
  14. 14. 133 TRATAMENTO FISIOTERAPÊUTICO ................................................ 423.1 Conceito ............................................................................................... 423.2 Cinesioterapia ...................................................................................... 423.2.1 Alongamento ........................................................................................ 423.2.2 Exercícios Ativos .................................................................................. 493.2.3 Fortalecimento...................................................................................... 533.2.4 Treino de Marcha ................................................................................. 563.2.5 Hidroterapia.......................................................................................... 573.2.6 Propriocepção ...................................................................................... 583.3 Tratamento Fisioterapêutico................................................................. 59CAPÍTULO IV- A PESQUISA......................................................................... 614 INTRODUÇÃO ..................................................................................... 614.1 Métodos................................................................................................ 614.2 Técnica................................................................................................. 614.3 Relato de um Caso............................................................................... 614.3.1 Reabilitação.......................................................................................... 624.4 Depoimentos ........................................................................................ 664.4.1 Depoimento do Fisioterapeuta A.......................................................... 664.4.2 Depoimento do Fisioterapeuta B.......................................................... 664.4.3 Depoimento do Fisioterapeuta C.......................................................... 674.4.4 Depoimento do Paciente ...................................................................... 674.5 Discussão............................................................................................. 684.6 Parecer Final........................................................................................ 70PROPOSTA DE INTERVENÇÃO................................................................... 71CONCLUSÃO................................................................................................. 72REFERÊNCIAS .............................................................................................. 73APÊNDICES................................................................................................... 75
  15. 15. 14INTRODUÇÃOA artroplastia total de quadril é uma cirurgia onde ocorre a substituiçãoda articulação do quadril por prótese. O componente acetabular é feito,geralmente, de plástico e o femoral, de metal. Esta cirurgia se faz necessáriaquando alguma doença acomete a articulação coxofemoral causando dor erestringindo o movimento, incapacitando assim o paciente.O principal objetivo da artroplastia de quadril é restabelecer osmovimentos da articulação e aliviar a dor.Inúmeros são os tipos de prótese do quadril. A indicação dependerá dotipo de doença que acometeu a articulação, da idade do paciente, da qualidadedo osso e da experiência do cirurgião ortopedista.O objetivo deste trabalho é relatar a importância do tratamentofisioterapeutico no processo de reabilitação em pacientes com artroplastia dequadril, desde o procedimento cirúrgico até a reinserção do paciente às suasatividades funcionais.Este estudo procura responder o seguinte questionamento: qual aimportância da fisioterapia na reabilitação de um paciente que se submeteu aartroplastia de quadril?É de suma importância o tratamento fisioterapêutico no pós-operatóriode artroplastia de quadril. A aplicação de variadas técnicas promove umasatisfatória reabilitação, minimizando e prevenindo possíveis complicações,implicando assim, no resultado almejado. O tratamento engloba desdealongamentos, exercícios ativos e fortalecimento e treino de marcha. Todos osrecursos são aplicados de acordo com a necessidade específica do paciente,sendo aumentados ou modificados periodicamente, até que o paciente serecupere completamente e volte a ter uma vida normal.Para realização desta pesquisa utilizou-se os seguintes métodos:- Método de estudo de caso;- Método de observação sistemática;O trabalho fica assim organizado:Capítulo I: descreve a anatomia do quadril, desde ossos, músculos eligamentos até inervação e irrigação sanguínea.
  16. 16. 15Capítulo II: engloba todo procedimento cirúrgico e suas diretrizes.Capítulo III: descreve todo o tratamento fisioterápico no pós-operatório àartroplastia de quadril.Capítulo IV: discorre sobre a pesquisa. Finaliza-se com a proposta deintervenção e as considerações finais.
  17. 17. 16CAPÍTULO IANATOMIA DA ARTICULAÇÃO DO QUADRIL1 ANATOMIA DO QUADRIL1.1 Ossos do QuadrilSegundo Kisner e Colby (2006), o quadril é uma articulação triaxial,funcional nos três planos, assim como o ombro. Ao contrário do ombro, oquadril é uma articulação menos móvel e mais estável, pois tem como principalfunção o suporte de peso. Tanto das forças provenientes das pernas durante amarcha, como do peso da cabeça, tronco e membros inferiores. É formada pelacabeça do fêmur e pelo acetábulo. É uma articulação do tipo esférica eclassificada como diartrose (vide figura 1).Fonte: Putz e Pabst , 2006, p.283Figura 1: Ossos da articulação do quadril (vista geral)
  18. 18. 171.1.1 AcetábuloSegundo Starkey e Ryan (2001), a parede superior do acetábulo éformada pelo ilíaco, a parede inferior pelo ísquio e a parede interna pelo púbis.Centrada nessa fossa, existe uma depressão para o ligamento redondo. Aborda externa do acetábulo é revestida pelo lábio, um anel espesso defibrocartilagem que aprofunda a fossa articular.Moretti e Pizani (2004) declaram que no acetábulo há a face semilunar(porção lisa em forma de ferradura) e a fossa do acetábulo, situada entre osramos da ferradura, contínua com a incisura do acetábulo. Os ossos ílio, ísquioe púbis constituem o osso do quadril. Os ossos do quadril se unemanteriormente na sínfise púbica e posteriormente com o sacro formando apelve. Os ossos do quadril têm como função o movimento, a defesa (protegeos órgãos pélvicos) e a sustentação (vide figura 2).Fonte: Putz e Pabst , 2006, p.277Figura 2: Articulação do quadril(acetábulo vista látero-distal)1.1.2 FêmurMarieb e Hoehn (2009) declaram que o fêmur é o maior, mais longo emais forte osso do corpo. A cabeça do fêmur tem a forma de bola e possui umadepressão central chamada fóvea da cabeça do fêmur. A cabeça do fêmur esta
  19. 19. 18conectada a diáfise do fêmur pelo colo femoral. A cabeça exibe uma angulaçãolateral, articulando-se com a região lateral da pelve.Fonte: Putz e Pabst, 2006, p.275Figura 3: Fêmur (vista anterior) Figura 4: Fêmur (vista posterior)Segundo Starkey e Ryan (2001), a angulação da cabeça do fêmur éconhecida como ângulo de inclinação. Esse ângulo é de 125º no plano frontal evaria de acordo com o desenvolvimento do indivíduo, sendo menor no sexofeminino. Há também o ângulo de torção, que é de aproximadamente 15º noplano transversal. É a relação entre a cabeça e a diáfise do fêmur.Marieb e Hoehn (2009) relatam ainda, que na junção entre a diáfise e ocolo do fêmur encontram-se o trocânter maior lateralmente e o trocânter menorposteriormente. Eles são conectados anteriormente pela linha intertrocantéricae posteriormente pela crista intertrocantérica. Na região posterior situa-se atuberosidade glútea que se une a linha áspera inferiormente. Esta, por sua vez,diverge formando as linhas supracondilares medial e lateral. A epífise do fêmurapresenta os côndilos medial e lateral, que se articulam com a tíbia. Entre eles,localiza-se a face patelar. É uma superfície lisa anterior do fêmur que se
  20. 20. 19articula com a patela. Os epicôndilos medial e lateral são locais de fixaçãomuscular. O tubérculo do adutor é uma saliência do epicôndilo medial. Entre oscôndilos, posteriormente, encontra-se a fossa intercondilar, que possui formade U. A fossa poplítea é uma área lisa da diáfise do fêmur que se situasuperiormente a fossa intercondilar (vide figuras 3 e 4).1.1.3 PelveMarieb e Hoehn (2009) relatam que os ossos do quadril (ílio, ísquio epúbis) unem-se anteriormente com seu par e posteriormente com o sacro. Nainfância esses ossos são separados. Na puberdade há uma fusão entre eles,formando um único osso. Mesmo assim, seus nomes permanecemdiferenciando as respectivas regiões (vide figuras 5 a 7).1.1.3.1 ÍlioMarieb e Hoehn (2009) descrevem como a parte superior do osso doquadril. A margem superior das asas são as cristas ilíacas. Há uma parte maisespessa chamada de tubérculo ilíaco. A crista ilíaca termina anteriormente naespinha ilíaca ântero-superior e posteriormente na espinha ilíaca póstero-superior. Abaixo delas encontram-se espinhas ilíacas ântero-inferiores epóstero-inferiores. Todas são pontos de fixação muscular. Há também aincisura isquiática maior. Situa-se logo abaixo da espinha ilíaca póstero-inferior,a qual dá passagem para o nervo ciático. A superfície póstero-lateral do ílio, aface glútea, é cruzada pelas linhas glúteas posterior, anterior e inferior. Sãosaliências para fixação muscular. A superfície interna da asa chama-se fossailíaca. A articulação sacroilíaca é formada pela face auricular do ílio e a faceauricular do sacro. Recebem o mesmo nome por ambas possuírem “forma deorelha”. Logo abaixo encontra-se a linha arqueada. É uma saliência robustaque ajuda a definir a margem superior da pelve (vide figuras 5 a 7).
  21. 21. 201.1.3.2 ÍsquioDe acordo com Marieb e Hoehn (2009), o ísquio corresponde à partepóstero-inferior do osso do quadril. Apresenta formato de ”L”, com um espessoadjacente ao ílio, e um ramo inferior mais fino. Esse ramo se articula com opúbis. O ísquio possuí a espinha isquiática. É um ponto de fixação para oligamento sacro espinhal. Logo abaixo, situa-se a incisura isquiática menor, poronde passam nevos e vasos sanguíneos. Há também o túber isquiático. É umaárea espessa e rugosa que corresponde à superfície inferior do corpo doísquio. Nele se inserem grandes músculos posteriores da coxa. É a área maisforte do quadril, pois quando sentados, o peso de todo o corpo é sustentadopelos túberes isquiáticos (vide figuras 5,6 e 7).1.1.3.3 PúbisMarieb e Hoehn (2009) descrevem o púbis como a parte anterior doosso do quadril. Possui formato de “V” horizontalizado com ramos superior einferior partindo de um corpo achatado. Há uma borda anterior espessa queforma a crista púbica. Seguindo lateralmente encontra-se o tubérculo púbico.Local de fixação ligamentar. O forame obturado é formado pelos ramos dopúbis que se unem aos ramos do ísquio. Através desse forame passamimportantes vasos sanguíneos e nervos. Esse ramo é fechado por umamembrana fibrosa. A sínfise púbica é formada pelos corpos dos ossos púbicos.Eles são unidos por um disco de fibrocartilagem. Logo abaixo da sínfise púbica,o púbis estabelece um ângulo lateralmente, chamado de arco púbico ou ângulosubpúbico. Esse ângulo forma um “V” invertido. É de acordo com o grau dessearco que se diferencia a pelve masculina da feminina. A pelve feminina é nãosó mais rasa, como mais fina, mais larga e mais oval. Esses acidentesanatômicos ocorrem para que a mãe não só acomode o bebê durante toda agestação, mas que também permita a passagem da cabeça do bebê na horado parto (vide figuras 5,6 e 7).
  22. 22. 21Fonte: Putz e Pabst, 2006, p.286Figura 5: Osso do quadril (vista medial)Fonte: Putz e Pabst, 2006, p.286Figura 6: Osso do quadril (vista anterior)
  23. 23. 22Fonte: Putz e Pabst, 2006, p.287Figura 7: Osso do quadril (vista látero-posterior)1.2 Cápsula ArticularDe acordo com Starkey e Ryan (2001), a articulação do quadril possuítrês graus de movimento: flexão/extensão, abdução/adução e rotaçãointerna/externa. O que limita a amplitude desses movimentos são aprofundidade do acetábulo, a resistência dos ligamentos e a musculatura.Circundando a articulação, há uma forte e densa cápsula articular sinovial.Moretti e Pizani (2004) relatam que, a cápsula é mais espessa e fortenas regiões proximal e anterior da articulação, pois é onde se requer maiorresistência. Já na região posterior e distal da articulação ela é delgada e frouxa.Ela possuí duas séries de fibras: circulares e longitudinais. As fibras circularesocupam as partes distal e posterior da cápsula, formando um colar em torno docolo do fêmur anteriormente, fundindo-se com o ligamento iliofemoral einserindo-se na espinha ilíaca ântero-inferior. Já as fibras longitudinais sãomais abundantes na parte proximal e anterior da cápsula onde são reforçadas
  24. 24. 23por feixes ou ligamentos acessórios. A área externa da cápsula é áspera ecoberta por músculos (vide figuras 2 e 8).Fonte: Putz e Pabst, 2006, p.277Figura 8: Articulação do quadril, após a abertura da cápsula articulare desarticulação parcial da cabeça do fêmur (vista látero-distal)1.3 LigamentosSegundo Starkey e Ryan (2001), o ligamento iliofemoral origina-se naespinha ilíaca ântero-inferior. Suas fibras centrais se dividem, inserindo-se umafaixa na área distal da linha intertrocantérica e a outra na parte proximal dalinha intertrocantérica e colo femoral. Esse arranjo reforça a cápsula articularna sua parte anterior e limita a hiperextensão. Suas fibras inferiores limitam aabdução, e as superiores limitam a adução. Já o ligamento pubofemoral,emerge do ramo pubiano e se insere na fossa intertrocantérica, limitando aabdução e hiperextensão do quadril. Também ajuda a reforçar a cápsulaanteriormente. O ligamento isquiofemoral reforça a articulação posteriormente,limitando a extensão do quadril. É um ligamento triangular que origina-se noacetábulo, inserindo-se parte na cápsula articular, parte no trocânter maior dofêmur. Há também o ligamento redondo (ligamento da cabeça do fêmur). Situa-
  25. 25. 24se no interior da articulação e tem pouca função na estabilização do quadril.Ele funciona como conduíte para as artérias circunflexas. O ligamento inguinalorigina-se na espinha ilíaca ântero-superior e se insere na sínfise pubiana.Funciona como contenção dos tecidos moles e demarca a borda superior dotriângulo femoral.Fonte: Putz e Pabst, 2006, p.278Figura 9: Articulação do quadril (vista ântero-distal)Moretti e Pizani (2004) relatam que há ainda na articulação do quadril, amembrana sinovial. Ela é um dos meios de deslizamento. É extensa, cobrindoas faces da orla acetabular e a massa de gordura presente no fundo doacetábulo, a ainda, embainha o ligamento redondo até a sua inserção (videfiguras 8 e 9).1.4 MúsculosDe acordo com Marieb e Hoehn (2009), o músculo iliopsoas é compostopor dois outros músculos. O ilíaco e o psoas maior. Ambos tem como função a
  26. 26. 25flexão da coxa. O músculo ilíaco origina-se na fossa ilíaca e crista do sacro,inserindo-se logo abaixo do trocânter maior do fêmur. Já o músculo psoasmaior origina-se nos processos transversos, corpos e discos das vértebraslombares e T12, inserindo-se no trocânter menor do fêmur, junto ao músculoilíaco (vide figura 10).Fonte: Putz e Pabst, 2006, p.312Figura 10: Músculo iliopsoasSegundo Starkey e Ryan (2001), o músculo sartório tem sua origem naespinha ilíaca superior anterior, e sua inserção na parte proximal datuberosidade da tíbia. É um músculo que tem por função flexionar o quadril ejoelho, abduzir e rodar externamente o quadril (vide figura 11).Moretti e Pizani (2004) declaram que o principal flexor do quadril é omúsculo tensor da fáscia lata, além de rodar internamente o quadril. Tem suaorigem na espinha ilíaca ântero-superior e lábio externo da crista ilíaca e suainserção no trato iliotibial (vide figura 11). Há também o músculo reto femoral.Tem sua origem por duas cabeças: uma cabeça anterior, na espinha ilíacaântero-inferior, e a outra, posterior, no contorno póstero-superior do acetábulo.Sua inserção se dá pelo tendão da patela. Esse tendão é fixado à tuberosidadeda tíbia pelo ligamento patelar. É um músculo que tem como função flexionar oquadril e estender a perna.
  27. 27. 26Fonte: Putz e Pabst, 2006, p.312Figura 11: Músculos sartório etensor da fáscia lataSegundo Kisner e Colby (2006), os músculos adutor magno, longo ecurto, pectíneo e grácil são responsáveis pela adução da coxa.Marieb e Hoehn (2009) relatam que o músculo adutor magno origina-seno ramo isquiopúbico e túber isquiático, inserindo-se na linha áspera etubérculo do fêmur. Sua porção anterior aduz, flexiona e rota medialmente acoxa. Enquanto que a porção posterior é sinergista aos isquiotibiais naextensão da coxa. Já o músculo adutor longo tem sua origem próximo à sínfisepúbica, e sua inserção na linha áspera do fêmur. Tem como ação a adução,flexão e rotação medial da coxa. Completando a massa muscular que forma aregião medial da coxa, o músculo adutor curto origina-se no corpo e ramoinferior do púbis, inserindo-se também na linha áspera do fêmur. Ele aduz,flexiona e rota medialmente a coxa. Há também os músculos pectíneo e grácil.Possuem as seguintes funções: adução, flexão e rotação medial da coxa. Omúsculo pectíneo origina-se na linha pectínia do púbis e insere-se na linhaáspera da superfície posterior do fêmur. Já o músculo grácil tem sua origem no
  28. 28. 27ramo inferior do corpo do púbis e parte adjacente do ramo do ísquio e inserçãona face medial da tíbia (abaixo do côndilo medial). Esse músculo ainda age naflexão do joelho (vide figura 12).Fonte: Putz e Pabst, 2006, p.312Figura 12: Músculos adutores,grácil e pectíneoMoretti e Pizani (2004) declaram que músculo glúteo médio tem suaorigem na superfície superior externa do ílio, linha glútea anterior e aponeuroseglútea. Insere-se no trocânter maior do fêmur, e tem como função abduzir oquadril. Suas fibras anteriores fletem e rodam internamente o quadril. Enquantoque suas fibras posteriores estendem e rodam externamente o quadril. Omúsculo glúteo máximo origina-se na linha glútea posterior do ílio e regiãoposterior do sacro e cóccix, inserindo-se na tuberosidade glútea do fêmur etrato iliotibial. Suas fibras inferiores estendem, aduzem e rodam externamenteo quadril. Enquanto que suas fibras superiores abduzem o quadril (vide figura14). Há também os músculos bíceps femoral, semitendinoso esemimembranoso. Eles são extensores da perna (quando agem sobre o
  29. 29. 28quadril) e flexores da perna (quando agem sobre o joelho), exceto a curtaporção do bíceps.Fonte: Putz e Pabst, 2006, p.318Figura 13: Músculo glúteo médioFonte: Putz e Pabst, 2006, p.318Figura 14: Músculo glúteo máximoe trato iliotibialA porção do bíceps femoral origina-se na tuberosidade isquiática, aporção curta na linha áspera do fêmur. Ambas se inserem na cabeça da fíbula.
  30. 30. 29O músculo semitendinoso origina-se na tuberosidade isquiática e insere-se naparte medial da tíbia. Já o músculo semimembranoso origina-se natuberosidade isquiática e insere-se no côndilo medial da tíbia (vide figura 15).Fonte: Putz e Pabst, 2006, p.318Figura 15: Músculos semitendinoso,semimembranoso e bíceps femoralDe acordo com Starkey e Ryan (2001), o músculo glúteo mínimo abduz,flete e roda internamente o quadril. Origina-se na parte inferior do ílio e incisuraciática maior, inserindo-se no trocânter maior do fêmur. Já os músculosgêmeos superior e inferior tem como função rodar externamente o quadril. Ogêmeo superior origina-se na espinha do ísquio e insere-se no trocânter maiordo fêmur. O gêmeo inferior tem origem na tuberosidade do ísquio e também seinsere no trocânter maior do fêmur.Há também os músculos obturadores externo e interno que tem porfunção rodar externamente o quadril. O obturador externo origina-se no ramo
  31. 31. 30pubiano e insere-se na fossa trocantérica do fêmur. Já o obturador internoorigina-se na membrana obturadora, margem do forame obturador e superfíciepélvica do ísquio, inserindo-se no trocânter maior do fêmur (vide figura 16).Fonte: Putz e Pabst, 2006, p.318Figura 16: Músculos glúteo mínimo,piriforme, gêmeos superior e inferior,obturador interno e quadrado femoral1.5 InervaçãoSegundo Moretti e Pizani (2004), a cápsula articular do quadril tem suaporção medial inervada pelo nervo obturador e nervo glúteo superior, enquantoque a superfície posterior da cápsula é inervada pelos ramos do ciático. Osmúsculos sartório, reto femoral, iliopsoas são inervados pelo nervo femoral doplexo lombosacral. A porção anterior (adutora) do músculo adutor magno éinervada pelo nervo obturatório. Já a porção posterior (extensora) é inervadapelo nervo ciático. O nervo glúteo superior inerva os músculos glúteo médio emínimo e o músculo tensor da fáscia lata. O músculo glúteo máximo é inervadopelo nervo glúteo inferior. Os músculos piriforme, obturatório interno, quadradofemoral, gêmeos superior e inferior são inervados por ramos do plexolombosacral. O ramo posterior do nervo obturatório inerva o músculo
  32. 32. 31obturatório externo. Já os músculos bíceps femoral, semitendinoso esemimembranoso são inervados pelo nervo ciático (vide figuras 17 e 18).Fonte: Putz e Pabst, 2006, p.348Figura 17: nervo femoral e nervo obturatórioDe acordo com Starkey e Ryan (2001), o nervo obturador inerva osmúsculos grácil, adutor curto e longo.Kisner e Colby (2006) relatam que o nervo ciático forma-se na regiãoposterior da pelve a partir do plexo lombosacral (L4, L5, S1, S2 e S3) e segueatravés da incisura isquiática maior, passando profundamente ao músculopiriforme. O encarceramento desse nervo resulta em alterações sensoriais naporção pôstero-lateral da perna e superfície dorsal e plantar do pé. Já o nervoobturador forma-se dentro do músculo psoas (L2, L3 e L4) entrandoanteriormente na articulação sacroilíaca. Segue ao longo do canal obturadorjunto aos vasos, dividindo-se nos ramos anterior e posterior. O encarceramento
  33. 33. 32deste nervo resulta em alterações sensoriais na face medial da coxa.Fonte: Putz e Pabst, 2006, p.349Figura 18: Nervos glúteos e nervo isquiático1.6 Irrigação SanguíneaDe acordo com Marieb e Hoehn (2009), a artéria aorta, ao nível de L4,divide-se nas artérias ilíacas comuns direita e esquerda. Ao nível dasarticulações sacroilíacas elas se dividem em dois ramos principais: artériasilíacas interna e externa. Elas suprem à região pélvica, a parede abdominal e
  34. 34. 33membros inferiores. As artérias ilíacas internas suprem os músculos glúteos viaartérias glúteas e inferior e músculos adutores da coxa via artéria obturatória.As artéria ilíacas externas suprem os membros inferiores. Após entrarem nacoxa, são chamadas de artérias femorais. Dessas artérias originam-se váriosramos. A artéria femoral profunda supre os músculos isquiotibiais, quadríceps eadutores. A artéria circunflexa medial supre o colo e a cabeça do fêmur. Já aartéria circunflexa lateral supre o músculo vasto lateral. Posteriormente aojoelho, a artéria femoral passa através do músculo adutor magno para entrar nafossa poplítea. Aí passa a se chamar artéria poplítea (vide figura 19).Fonte: Putz e Pabst, 2006, p.351Figura 19: Artérias dos membros inferiores
  35. 35. 34CAPÍTULO IIPRÓTESE DE QUADRIL2 ARTROPLASIA DE QUADRIL2.1 ConceitoSegundo Kisner e Colby (2006), as indicações mais comuns pararealização da artroplastia de quadril incluem: dor intensa durante descarga depeso e movimentação, grande limitação dos movimentos, instabilidade oudeformidade do quadril e falha do tratamento conservador.2.2 HistóricoDe acordo com Camargo et al (2004), Smith Petersen desenvolveu em1940 a primeira prótese para artroplastia parcial de quadril. Era a taça devitalium. Prótese que recobria somente a cabeça do fêmur e não a superfícieacetabular. Com esse tipo de prótese não havia o alívio da dor.De acordo com Moretti e Pizani (2004), na década de 1960, foidesenvolvida a primeira prótese para artroplastia total de quadril. Foidesenvolvida por John Charnley do Wrightington Hospital de Lancashire, naInglaterra.Segundo Urso et al (2010), as primeiras artroplastias parciais nãoobtiveram sucesso, pois ocorria formação de tecido granulado entre o molde eo osso subcondral, não aliviando a dor. Foi quando Charnley desenvolveu aprótese total de quadril com componentes femorais e acetabulares, ambosmetálicos. Cerca de três anos depois, Charnley aperfeiçoou a técnica usandometal como componente femoral (titânio, vanádio, ligas de cobalto e níquel), epolietileno como componente acetabular. Outro avanço aconteceu com o uso
  36. 36. 35de cimento acrílico (polimetilmetacrilato) para fixar melhor a prótese (videfiguras 20 e 21).Fonte: Macedo et al, 2003, p. 392Figura 20: Componente acetabularFonte: Macedo, et al, 2003, p. 392Figura 21: Componente femoral2.3 Tipos de PrótesesMoretti e Pizani (2004) declaram que há variados tipos de próteses. HáAs próteses cefálicas uni e bi-polar, endo-próteses, prótese em copa, todaspróteses parciais do quadril. E há também as próteses totais de quadril:cimentadas, não cimentadas e híbridas. As próteses cefálicas uni e bi-polares
  37. 37. 36são geralmente usadas em idosos que fraturam o colo femoral e necessitamdeixar o leito precocemente. As endo-próteses são usadas em casos comoquando há um tumor e grande parte do fêmur é comprometida. As próteses emcopa são utilizadas nos pacientes em estado grave, pois dificilmentesuportariam as condições necessárias para colocação de uma prótese total.Dentre as próteses totais de quadril, a híbrida é a mais usada em pacientescom até 75 anos. Nesse caso, o componente acetabular é fixado na bacia porparafusos e o componente femoral fixado com cimento (vide figuras 22 e 23).Fonte: Moretti e Pizani, 2004, p. 40Figura 22: Próteses cimentadasFonte: Moretti e Pizani, 2004, p. 40Figura 23: Próteses não cimentadas
  38. 38. 37De acordo com Kisner e Colby (2006), as próteses cimentadas sãocomumente usadas em pacientes com osteoporose, geralmente idosos, quepraticam pouca atividade física. Já as próteses cimentadas são mais indicadasem pacientes com até 60 anos e que fisicamente sejam bastante ativos. Essaescolha evita o afrouxamento da prótese.2.4 IndicaçõesSegundo Urso et al (2010), a artroplastia total de quadril visa restaurar amobilidade articular e as estruturas que controlam esta articulação, como osmúsculos, tendões e ligamentos. Mas o principal objetivo é, definitivamente, oalívio da dor.Moretti e Pizani (2004) afirmam que são inúmeras as doenças quepodem acometer a articulação do quadril. Dentre elas estão: hemofilia,alcoolismo, tuberculose, Legg-Pethers, tumores ósseos, seqüelas deepifisiolíse, artrite reumatóide, espondilite anquilosante, luxação, entre outras.A principal causa é, predominantemente, a osteoartrose.2.4.1 OsteoartroseSegundo Camargo et al (2004), a osteoartrose é uma doença articulardegenerativa muito comum, que acontece mais freqüentemente no sexofeminino. Quando a osteoartrose acomete o quadril, pode levar até aincapacidade devido à dor, pois o quadril é uma articulação que suporta muitacarga. Com o passar dos anos, há o processo de envelhecimento normal deum indivíduo. E com isso ocorre a modificação da cartilagem articular. Quandoo indivíduo ainda é jovem sua cápsula apresenta superfície lisa e brilhante,tornando-se gradativamente granulosa e opaca. Nesse período a cartilagem jánão absorve impacto. Assim a movimentação normal causa atrito naarticulação, resultando em dor incapacitante.
  39. 39. 382.5 Contra IndicaçõesUrso, Monteiro, Zanolini e Soares (2010) declaram que uma dasprincipais contra indicação para a realização da cirurgia são as infecções.Podem ser: infecção ativa da articulação do quadril, de bexiga, de pele, detórax, ou qualquer outra.De acordo com Moretti e Pizani (2004), há também outras contra-indicações. Incluindo: pacientes com distúrbios neurológicos não controlados,doenças neuromusculares, pacientes que não possuam orientação paraconservar a prótese e qualquer processo destrutivo ósseo (osteoporose,osteopenia). A cirurgia também é contra-indicada em pacientes que nãopossuam osso suficiente para fixação dos componentes.2.6 Técnica CirúrgicaDe acordo com Kisner e Colby (2006), os diferentes tipos de incisãoinfluenciam no grau de exposição para cirurgia e nas variações do pós-operatório. Não há um acesso ideal, sendo que as três opções apresentamvantagens e desvantagens. O acesso pôstero-lateral é feito entre os músculosmáximo e médio, preservando-os. Neste caso é desnecessária a osteotomiatrocantérica. Faz-se uma incisão posterior na cápsula e libera-se os rotadoresexternos para assim luxar o quadril e colocar a prótese. Essa técnica apresentaa maior incidência de instabilidade articular, podendo levar até uma subluxaçãoou luxação do quadril. No acesso lateral, há uma divisão longitudinal dosmúsculos glúteo médio e vasto lateral, prejudicando assim a abdução no pósoperatório. Pode haver a necessidade de osteotomia trocantérica. Há tambémo acesso ântero-lateral que geralmente é usado em artroplastias de revisão ouque envolva reconstrução muito complexa. É indicada em pacientes portadoresde desequilíbrios musculares (AVC e paralisia cerebral), já que promoveexcelente estabilidade. A incisão envolve os músculos glúteos médio e mínimo,tensor da fáscia lata, iliopsoas, reto femoral e vasto lateral. Há o rompimento da
  40. 40. 39cápsula anterior e retirada do trocânter maior. A cabeça do fêmur e acetábulosão substituídas por prótese e o trocânter maior logo é reinserido. Isso podelevar a uma pseudo-artrose, fraqueza da musculatura abdutora e dor (videfiguras 24, 25, 26 e 27).Fonte: Boschin et al, 2003, p. 649Figura 24: Exposição do acetábuloFonte: Boschin et al, 2003, p. 650Figura 25: Inserção do componente acetabular
  41. 41. 40Fonte: Boschin et al, 2003, p. 650Figura 26: Inserção do componente femoralFonte: Boschin et al, 2003, p. 650Figura 27: Redução dos componentes2.7 ComplicaçõesSegundo Moretti e Pizani (2004), algumas complicações podem surgirapós a cirurgia. Tais como: infecção, trombose, afrouxamento, luxação,desgaste ou até quebra da prótese. A infecção pode ocorrer tanto na ferida
  42. 42. 41como em torno da prótese. As infecções na ferida são tratadas facilmente comantibióticos. Já as infecções mais profundas, há a necessidade de nova cirurgiapara limpeza ou remoção da prótese. Já a trombose é resultado da circulaçãolente devido à hipomobilidade. Os sintomas são edema, rubor e dor na coxa oupanturrilha. Para se evitar o surgimento desses coágulos deve-se administraranticoagulantes, meias elásticas, botas plásticas e exercícios que favoreçam oretorno venoso. Outra possível complicação é o afrouxamento da prótese.Neste caso é necessária outra cirurgia para trocar a prótese por outra demelhor fixação. Pode ocorrer também o deslizamento da prótese para fora doacetábulo, ou seja, uma luxação. Para que isso não aconteça deve-se evitar osmovimentos de adução e flexão de quadril maior que 90º. Deve-se tambémmanter forte a musculatura fazendo exercícios orientados pelo médico oufisioterapeuta. Outras possíveis complicações são o desgaste e quebra daprótese. Essas complicações são muito raras e necessitam de nova cirurgiapara a troca da prótese.
  43. 43. 42CAPÍTULO IIIFISIOTERAPIA NA ARTROPLASTIA DE QUADRIL3 TRATAMENTO FISIOTERAPÊUTICO3.1 ConceitoSegundo Magee (2002), na avaliação fisioterapêutica da pós artroplastiade quadril observa-se as capacidades e limitações do paciente para seestabelecer um plano de tratamento que tem por meta prevenir ou corrigirpossíveis disfunções, preservando assim a mobilidade, a força, o equilíbrio e ashabilidades funcionais do paciente.3.2 CinesioterapiaDe acordo com Kisner e Colby (2006), os pacientes chegam àfisioterapia em busca de tratamento para algum comprometimento físico ou atémesmo por aqueles que desejam aprimorar seu desempenho físico a fim deprevenir alguns tipos de lesão. Assim sendo, o fisioterapeuta elege umprograma de exercícios, entre outras técnicas, visando melhorar ourestabelecer a função de seu paciente. Dentre os exercícios usados para areabilitação de um paciente que se submeteu a cirurgia de artroplastia dequadril estão: alongamento, exercícios ativos, fortalecimento, propriocepção,treino de marcha e hidroterapia.3.2.1 Alongamento
  44. 44. 43Segundo Kisner e Colby (2006), alongamento é uma manobrafisioterapêutica usada para aumentar a mobilidade dos músculos, tecidoconectivo e pele, melhorando assim a ADM. Algumas condições podemrestringir a amplitude normal dos movimentos, como a imobilização prolongada,mobilidade restrita, doenças do tecido conectivo ou neuromusculares, doençascausadas por traumas e deformidades ósseas. Em alguns casos é usado oalongamento passivo: o fisioterapeuta aplica manualmente o alongamento,controlando a força, a direção, a intensidade e a duração. Há também o auto-alongamento: o próprio paciente se alonga depois que o fisioterapeuta lheorienta. E por fim, há o alongamento feito por dispositivos mecânicos. Seguealguns exemplos de auto-alongamento de membros inferiores (vide figuras de28 a 39).Fonte: Fernandes et al, 2002, p. 110Figura 28: alongamento dos músculos iliopsoas, pectíneo, sartório,tensor da fáscia lata e adutor longo.Fonte: Fernandes et al, 2002, p. 111Figura 29: alongamento dos músculos adutor magno, glúteos máximoe médio, semitendíneo, bíceps femoral e semimembranáceo.
  45. 45. 44Fonte: Fernandes et al, 2002, p. 112Figura 30: alongamento dos músculos adutor longo, glúteos máximoe médioFonte: Fernandes et al, 2002, p. 124Figura 31: alongamento dos músculos reto femoral, pectíneo,Iliopsoas, tensor da fáscia lata, glúteos médio e máximo,adutor longo e magno
  46. 46. 45Fonte: Fernandes et al, 2002, p. 123Figura 32: alongamento dos músculosquadríceps, vastos lateral, medial eintermédio, reto femoral e tibial anteriorDe acordo com Fernandes, Marinho, Voigt e Lima (2002), vários estudosforam feitos chegando-se a conclusão de que o alongamento deve ser mantidopor aproximadamente 30 segundos.
  47. 47. 46Fonte: Fernandes et al, 2002, p. 126Figura 33: alongamento dos músculos reto femoral, pectíneo, tensor dafáscia lata, iliopsoas, adutores longo e magno, glúteos máximo e médioFonte: Fernandes et al, 2002, p. 131Figura 34: alongamento dos músculos pectíneo, semimembranáceo,semitendíneo, quadrado femoral, adutores longo, curto e magno
  48. 48. 47Fonte: Fernandes et al, 2002, p. 133Figura 35: alongamento dos músculos adutores longo, curto e magno,pectíneo, grácil, semitendíneo, semimembranáceo e bíceps femoralFonte: Fernandes et al, 2002, p. 146Figura 36: alongamento dos músculos semimembranáceo,glúteos máximo e médio, semitendíneo, bíceps femoral eadutor magno
  49. 49. 48Fonte: Fernandes et al, 2002, p. 149Figura 37: alongamento dos músculos semimembranáceo,glúteos máximo e médio, semitendíneo, bíceps femoral,adutor magno e gastrocnêmioFonte: Fernandes et al, 2002, p. 151Figura 38: alongamento dos músculos semimembranáceo,glúteos máximo e médio, semitendíneo, adutor magno egastrocnêmio
  50. 50. 49Fonte: Fernandes et al, 2002, p. 157Figura 39: alongamento dos músculos semimembranáceo, glúteos máximo emédio, semitendíneo, adutor magno e gastrocnêmio3.2.2 Exercícios AtivosSegundo Kisner e Colby (2006), amplitude de movimento é o movimentocompleto possível de um segmento. Envolve músculos, nervos, vasos,cápsulas, ligamentos e superfícies articulares. É uma técnica usadaprincipalmente no inicio do tratamento cinesioterapêutico e também paraavaliação fisioterapêutica. Há três tipos de exercícios: o passivo, produzido poruma força externa, sem contração muscular; o exercício ativo-assistido, quandouma força manual ou mecânica auxilia o movimento e; o exercício, ativo,quando há o movimento sem restrições e sem auxilio, ou seja, o movimento érealizado somente com a contração dos músculos.De acordo com Magee (2002), a articulação do quadril permite osseguintes movimentos: flexão (vide figura 40), extensão (vide figura 41),abdução (vide figura 42), adução (vide figura 43), rotação externa (vide figura44) e interna (vide figura 45).Kisner e Colby (2006) relatam que a intensidade, volume, freqüência e
  51. 51. 50duração dos exercícios é estabelecida pelo fisioterapeuta de acordo com anecessidade, capacidade e limitação do paciente.Fonte: Achour Junior, 2006, p. 09Figura 40: Flexão do quadrilFonte: Achour Junior, 2006, p. 05Figura 41: Extensão do quadril
  52. 52. 51Fonte: Achour Junior, 2006, p. 14Figura 42: Abdução do quadrilFonte: Achour Junior, 2006, p. 19Figura 43: Adução do quadril
  53. 53. 52Fonte: Achour Junior, 2006, p. 24Figura 44: Rotação externa do quadrilFonte: Achour Junior, 2006, p. 29Figura 45: Rotação interna do quadril
  54. 54. 533.2.3 FortalecimentoDe acordo com Kisner e Colby (2006), para que um indivíduo tenha umavida saudável fisicamente é necessário que seus músculos sejam capazes deproduzir, manter e regular tensão, para atender as demandas das atividadescotidianas. Esse desempenho muscular poderá alterar-se em caso de lesão,doença, imobilização ou desuso. Para corrigir ou evitar essa situação éindicado que se faça exercícios com resistência. Nesse caso os exercícios éresistido estática ou dinamicamente, por uma força externa mecânica oumanual. Segue abaixo alguns exercícios resistidos manualmente (vide figuras46, 47, 48, 49, 50 e 51).Fonte: Kisner e Colby, 2006, p. 109Figura 46: Flexão do quadril resistida comjoelho fletidoFonte: Kisner e Colby, 2006, p. 110Figura 47: Hiperextensão resistida do quadril
  55. 55. 54Fonte: Kisner e Colby, 2006, p. 110Figura 48: Abdução resistidado quadrilFonte: Kisner e Colby, 2006, p. 111Figura 49: Rotação externa do quadril resistidaFonte: Kisner e Colby, 2006, p. 111Figura 50: Rotação interna do quadril resistida
  56. 56. 55Fonte: Kisner e Colby, 2006, p. 111Figura 51: Flexão do joelho resistidaMcArdle, Katch e Katch (2003) relatam que na contração isométrica háuma ativação do músculo sem que haja movimento articular. Já na contraçãomuscular dinâmica há não só a ativação do músculo como também omovimento articular. Há dois tipos de contração dinâmica: contraçãoconcêntrica e excêntrica. A contração concêntrica acontece quando o músculose contrai, encurtando-se à medida que o movimento articular vai acontecendo.Já na contração excêntrica acontece quando a resistência excede a força domúsculo, alongando-o (vide figura 52).Fonte: Kisner e Colby, 2006, p. 83Figura 52: Fortalecimento concêntricoe excêntrico
  57. 57. 56Segundo Wilmore e Costill (2001), para determinar a resistência a serdada a um paciente é necessário que se estabeleça a repetição máxima (RM)da qual o indivíduo é capaz de realizar. O indivíduo levanta o peso máximosuportável apenas uma vez. Isso se chama 1RM.Segundo Kisner e Colby (2006), quando já estabelecida a resistêncianecessária ao determinar a 1RM, deve-se estabelecer então o volume(repetições e séries) de exercícios que serão dados ao indivíduo. Não há umnúmero ideal para se seguir. A escolha dependerá do estado do paciente e dameta do exercício.3.2.4 Treino de MarchaDe acordo com Magee (2002) a marcha acontece em ciclos. Um ciclocomeça no contato inicial de um pé com o solo até o contato inicial dessemesmo pé com o solo. O ciclo da marcha tem duas fases: fase de apoio e fasede balanço. A fase de apoio representa 60 % do ciclo da marcha e é divididaem cinco subfases (vide figura 53). A primeira subfase é a do contato inicial,quando acontece o toque do calcanhar com o solo de um pé, enquanto o outrocomeça a perder esse contato (duplo apoio). A subfase seguinte é de respostaà carga e apoio médio. Neste período o peso do corpo é sustentado por um sómembro, enquanto o outro entra na fase de balanço. Já nas subfases de apoioterminal e pré-balanço o peso do corpo é transferido de um membro para outro.Nestes casos há também um duplo apoio. A fase de balanço representa 40%do ciclo da marcha e é composta por três subfases (vide figura 54). A primeirasubfase é de balanço inicial (aceleração), ou seja, quando o pé deixa o solo.Na subfase do balanço médio um membro encontra-se adjacente ao outro. Jána subfase de balanço final o membro inferior desacelera se preparando para ocontato com o solo.Kisner e Colby (2006) relatam que alguns problemas podem alterar amarcha. Deformidades articulares e ósseas alteram a mecânica da marcha,pois afetam o alinhamento dos membros inferiores. Já em condições em quehá dor, adota-se um padrão de marcha antálgica, ou seja, evita-se a descarga
  58. 58. 57de peso do lado doloroso.Konin (2006) relata que a musculatura do quadril tem suma importâncianos movimentos da marcha. Os músculos abdutores mantêm a pelve niveladadurante a marcha. Quando há um enfraquecimento dessa musculatura oquadril contralateral cai. Esta condição faz positivo o sinal de Trendelenburg.Fonte: Magee, 2002, p. 844Figura 53: Fase de apoio da marchaFonte: Magee, 2002, p. 844Figura 54: Fase de balanço da marcha3.2.5 HidroterapiaSegundo Kisner e Colby (2006), o uso da água dentro de um tratamentofisioterapeutico já vem sendo usado há muito tempo. Isso acontece porquedentro da água os exercícios se tornam mais fáceis de serem realizados,
  59. 59. 58devido as propriedades físicas da água.Deliberato (2007) relata que as propriedades da água incluem: refração,tensão superficial, viscosidade, pressão hidrostática e flutuabilidade. A refraçãoé a mudança de direção de um feixe de luz que passa de um meio menosdenso para um meio mais denso, ou vice-versa. O fisioterapeuta deve ficaratento ao posicionamento do paciente durante a execução dos movimentos,pois a refração prejudica a visualização íntegra. A tensão superficial é umaforça exercida pelas moléculas da água. Quando a paciente realizar algummovimento dentro da água essa tensão superficial atua como uma resistência.A viscosidade é a resistência de um líquido às camadas líquidas a seu redor.Há um deslizamento entre essas camadas que produz atrito. O fisioterapeutapode utilizar a viscosidade como resistência quando movimentar (turbilhonar) aágua, com auxilio, por exemplo, de pranchas. A pressão hidrostática é a forçada água em diferentes profundidades. Quanto mais funda a piscina, maior apressão hidrostática. A flutuabilidade é o oposto da gravidade. Ela age comouma força para cima dentro da água.De acordo com Kisner e Colby (2006) os exercícios fisioterapêuticosdevem ser feitos com a temperatura da água entre 26ºC e 33ºC. Essa faixaproporciona desde relaxamento e diminuição do espasmo muscular, atéaumento do limiar da dor, entre outros benefícios. Para se realizar exercíciosdentro da água, são inúmeros os dispositivos flutuadores do quais ofisioterapeuta pode lançar mão. Entre eles estão: colar cervical, halteres curtose longos, luvas, palmares, pés-de-pato, caneleiras e pranchas. Todosflutuantes.3.2.6 PropriocepçãoDe acordo com Deliberato (2007), propriocepção refer-se a percepçãode posição e movimento articular dada pelos impulsos recebidos dosreceptores periféricos. Discrimina-se também a direção, a amplitude e avelocidade com que os músculos se contraem, além da tensão que ocorre
  60. 60. 59sobre os tendões.Segundo Gabriel, Petit e Carrie (2001) a propriocepção é usada comotécnica fisioterapêutica para desenvolver ou potencializar a percepção dopaciente, facilitando principalmente o equilíbrio e o controle articular.3.3 Tratamento FisioterapêuticoMoretti e Pizani (2004) declaram que já no primeiro dia após a cirurgia, afisioterapia já é iniciada. Posiciona-se o paciente com uma almofada entre osjoelhos, mantendo o quadril em abdução de 15º e flexão menor que 90º. Essaposição evita a luxação da prótese. O paciente é colocado na posição semi-inclinada, e inicia-se o tratamento com exercícios respiratórios. Com o membrooperado são feitos exercícios ativos e ativo-assistidos de flexão e abdução doquadril. O movimento de adução do quadril é extremamente contra-indicado,pois causa a luxação prótese. No segundo dia trabalha-se a flexão e a abduçãodo quadril, e a flexão e extensão do joelho ativamente. O fisioterapeuta auxiliaesses movimentos somente quando o paciente não suportar realizá-los. Aquantidade de exercícios é aumentada de acordo com a capacidade dopaciente de realizar os movimentos.De acordo com Ribeiro et al (2008), entre o 3º ou 4º dias pós-operatório,o paciente pode sentar a beira da cama por curtos períodos, com o quadrilabduzido e fletido até 45º. Inicia-se também o treino de marcha com apoioparcial, sempre com auxílio de muletas ou andador. A progressão dotratamento varia de acordo com a técnica cirúrgica usada. Na cirurgia em queas próteses foram cimentadas e não houve a osteotomia trocantérica, asustentação total de peso é permitida bem cedo. Já nos casos em que foirealizada a osteotomia trocantérica, a sustentação de peso só será permitidadepois de 6 semanas após a cirurgia. Nos casos em que a cirurgia foi realizadasem o uso de cimento, a marcha com sustentação total de peso só serápossível três meses após a cirurgia. Até lá, faz-se o uso de muletas ouandador.
  61. 61. 60Segundo Moretti e Pizani (2004) algumas orientações devem ser dadasao paciente quando o mesmo receber alta hospitalar, tais como: andar porcurtas distâncias, mas frequentemente, dando passos largos e iguais, evitarcruzar um joelho sobre o outro (movimento de adução), evitar o flexionamentomáximo do quadril, sentar em cadeiras altas e afastar os joelhos.Ribeiro et al (2008) declara que a hidroterapia deve ser iniciada 10 diasapós a cirurgia. No início devem ser priorizados exercícios que usam aflutuabilidade como auxílio. Ao passar das semanas os exercícios vãoprogredindo em dificuldade e intensidade.De acordo com Kisner e Colby (2006), devem ser feitos alongamentospara evitar ou prevenir contraturas, bem como exercícios de ADM ativasuportadas pelo paciente. Quando for permitido ficar em pé sem apoio, deve-serealizar exercícios para fortalecimento muscular como miniagachamentos,resistência com faixa elástica e tornozeleiras de baixo peso. Aumenta-seprogressivamente com exercícios de apoio unilateral, como subida de degraus.De acordo com a evolução do paciente aumenta-se as repetições e aresistência dos exercícios. Inicia-se programas como ciclismo e natação. Noscasos em que a prótese cirúrgica for cimentada, após três semanas, passa-sea fazer o uso de uma bengala e treina-se a marcha em superfícies macias eirregulares. Quando a prótese não for cimentada, ou houve a osteotomiatrocantérica, a data é protelada por 12 semanas. O paciente só deixará de usara bengala quando não houver mais restrições de apoio de peso, ou apresentedesvios durante a marcha, como o sinal de Trendelenburg positivo (fraqueza doglúteo médio). Finalizando o tratamento, o fisioterapeuta prepara o pacientepara retornar às suas atividades funcionais, fortalecendo ainda mais amusculatura do quadril, estendendo as caminhadas semanais em tempo edistância, e orientando o paciente a conservar a prótese.
  62. 62. 61CAPÍTULO IVA PESQUISA4 INTRODUÇÃOPara demonstrar a importância do tratamento fisioterapêutico nareabilitação do paciente que se submeteu a cirurgia de artroplastia de quadril,foi realizada pesquisa no Centro de Reabilitação Física Dom Bosco, no setorde Ortopedia e Traumatologia, situado na Rua Nove de Julho, nº 1010, nacidade de Lins, São Paulo, com início em Janeiro e término em Julho de 2010.4.1 MétodoFoi realizado estudo de caso no setor de Ortopedia e Traumatologia doCentro de Reabilitação Física Dom Bosco de Lins, com um paciente que sesubmeteu a cirurgia de artroplastia de quadril, gênero masculino, 56 anos,avaliando, orientando e observando a recuperação deste paciente.4.2 Técnicasa) Roteiro de Estudo de Caso (Apêndice A);b) Roteiro de Entrevista com o Fisioterapeuta (Apêndice B);c) Roteiro de Entrevista com o Paciente (Apêndice C);d) Roteiro de Avaliação do Paciente (Apêndice D);e) Termo de Consentimento Livre e Informado (Apêndice E);4.3 Relato de um Caso
  63. 63. 62Foi realizado o estudo de um caso de um paciente que se submeteu acirurgia de artroplastia de quadril, gênero masculino, 56 anos de idade,entregador de cartas, residente na cidade de Lins/SP.Paciente desenvolveu coxartrose à direita há aproximadamente 10 anos,por realizar frequentemente longas caminhadas devido sua profissão. Com aevolução da doença se fez necessária a cirurgia para substituição daarticulação, a artroplastia de quadril. A cirurgia foi feita em dezembro de 2009,no Hospital UNIMED de Lins. No dia 13 de janeiro de 2010 pacienteapresentou quadro de trombose. Teve alta hospitalar dia 08 de fevereiro de2010. O dia 22 de fevereiro de 2010 deu inicio no tratamento na Clínica deReabilitação Física Dom Bosco, com duração em média de 1 a 2 horas por dia,finalizando em junho de 2010.4.3.1 ReabilitaçãoPós-operatório imediato: posicionamento do paciente com o quadrilabduzido e levemente fletido, e mobilização ativo-assistido de joelho.Realizados também exercícios respiratórios associados com membrossuperiores.2º P.O: Foram realizados:- Alongamentos de quadríceps.- Alongamento de isquiotibiais.- Alongamento de tríceps surais.- Exercícios ativo-assistidos de flexão de quadril até 90º.- Exercícios ativo-assistidos de abdução de quadril.- Exercícios ativos de flexão de joelho.- Exercícios ativos de extensão de joelho.- Exercícios calistênicos de tornozelo e pé.2º mês: Inicia-se o trabalho fisioterapêutico na clínica. Pacienteapresentava goniometria de: 8º de extensão, 98º de flexão, 24º de abdução erotação medial de 34º. Paciente deambulava com auxílio de andador.
  64. 64. 63Cinesioterapia:- Alongamentos de quadríceps.- Alongamento de isquiotibiais.- Alongamento de tríceps surais.- Alongamento de adutores.- Alongamentos de glúteos.- Alongamento de dorsoflexores e flexores plantares.- Exercícios ativos de flexão de quadril.- Exercícios ativos de abdução de quadril.- Exercícios ativos de extensão de quadril.- Exercícios ativos de flexão de joelho.- Exercícios ativos de extensão de joelho.Os exercícios ativos foram realizados com auxílio da bola suíça, tábuade quadríceps, overball e espelhos.- Treino de marcha nas barras paralelas com e sem obstáculos, comdescarga parcial de peso.Hidroterapia:- Alongamento global de membros inferiores.- Exercícios ativos de flexo/extenso/abdução de quadril.- Exercícios de flexo/extensão de joelho.- Exercícios dinâmicos no step.- Caminhadas de frente, laterais e para trás.- Relaxamento.3º mês: Foi autorizada a retirada do andador do paciente. Nesta data eleapresentava goniometria de: 18º de extensão, 100º de flexão, 42º de abduçãoe 25º de rotação medial.Cinesioterapia:- Alongamentos de quadríceps, isquiotibiais, tríceps surais, adutores,glúteos, dorsoflexores e flexores plantares.- Exercícios resistidos de flexo/extenso/abdução de quadril.- Exercícios resistidos de flexo/extensão de joelho.- Exercícios resistidos de dorsoflexão e flexão plantar.
  65. 65. 64A resistência foi aplicada não só manualmente, como por tornozeleiras ethera band. Iniciou-se o fortalecimento com tornozeleiras de meio quilo.- Treino de marcha nas barras paralelas, rampa e escada, com e semobstáculos, de frente, de lado e de ré.- Exercícios de agachamento utilizando a bola suíça, com ou sem auxílioda overball, fazendo ou não flexão plantar.- Bicicleta estacionária com resistência.Hidroterapia:- Alongamento global de membros inferiores.- Exercícios ativos de flexo/extenso/abdução de quadril comtornozeleiras flutuadoras.- Exercícios de flexo/extensão de joelho com tornozeleiras flutuadoras.- Exercícios dinâmicos no step com tornozeleiras flutuadoras.- Caminhadas de frente, laterais e para trás.- Minitrote.- Legg-press.- Agachamentos.- Relaxamento.4º mês: Nesta data o paciente apresentava goniometria de: 20º deextensão, 110º de flexão, 45º de abdução e 25º de rotação medial. O trabalhode fortalecimento foi intesificado com o aumento progressivo de resistência.Cinesioterapia:- Alongamentos de quadríceps, isquiotibiais, tríceps surais, adutores,glúteos, dorsoflexores e flexores plantares.- Exercícios resistidos de flexo/extenso/abdução de quadril.- Exercícios resistidos de flexo/extensão de joelho.- Exercícios resistidos de dorsoflexão e flexão plantar.A resistência, neste estágio, era aplicada por tornozeleiras de 1,5Kg.- Treino de marcha passou a incluir terrenos instáveis.- Exercícios de agachamento utilizando a bola suíça, com ou semauxílio da overball, fazendo ou não flexão plantar.- Bicicleta estacionária com resistência.- Propriocepção na cama elástica e balanço bipodal.
  66. 66. 65Hidroterapia:- Alongamento global de membros inferiores.- Exercícios ativos de flexo/extenso/abdução de quadril com flutuadoresno tornozelo.- Exercícios de flexo/extensão de joelho com flutuadores no tornozelo.- Exercícios dinâmicos no step com flutuadores no tornozelo.- Caminhadas de frente, laterais e para trás.- Minitrote.- Pedaladas.- Movimentos de tesoura sem cruzar as pernas.- Miniagachamentos.- Relaxamento.5º mês: Finalização do tratamento. Paciente apresenta prova de funçãomuscular de grau bom e amplitude de movimento normal.Cinesioterapia:- Alongamentos de quadríceps, isquiotibiais, tríceps surais, adutores,glúteos, dorsoflexores e flexores plantares.- Exercícios resistidos de flexo/extenso/abdução de quadril.- Exercícios resistidos de flexo/extensão de joelho.- Exercícios resistidos de dorsoflexão e flexão plantar.A resistência, neste estágio, era aplicada por tornozeleiras de 3k.- Exercícios de agachamento utilizando a bola suíça, com auxílio daoverball, fazendo flexão plantar.- Bicicleta estacionária com resistência.- Propriocepção na cama elástica e balanço unipodal.- Corridas com parada brusca, corrida carioca e polichinelos.Hidroterapia:- Alongamento global de membros inferiores.- Exercícios ativos de flexo/extenso/abdução de quadril com flutuadoresno tornozelo.- Exercícios de flexo/extensão de joelho com flutuadores no tornozelo.- Exercícios dinâmicos no step com flutuadores no tornozelo.- Caminhadas de frente, laterais e para trás.
  67. 67. 66- Corridas resistidas por flutuadores.- Legg-press- Agachamentos.- Saltos.- Relaxamento.4.4 Depoimentos4.4.1 Depoimento do Fisioterapeuta AFisioterapeuta, gênero masculino, 60 anos. Eis o seu depoimento:A função do fisioterapêuta parapacientes com artroplastia de quadril, éauxiliar na reabilitação do processo demarcha e AVDs com exercícios para cadagrupo muscular deficitário (na maioria osda cintura pélvica). Eu não sigo umprotocolo específico, pois o trabalho variade acordo com o déficit do paciente. E euparticiparia sim de uma nova pesquisa secaso fosse necessário.(FISIOTERAPEUTA, 60 ANOS)4.4.2 Depoimento do Fisioterapeuta BFisioterapeuta, gênero masculino, 40 anos. Eis o seu depoimento:O acompanhamento fisioterapêutico, vaiser de extrema importância, para a fasede reabilitação do paciente. Todos osexercícios e/ou recursos utilizados,
  68. 68. 67auxiliam o paciente em cada fase para oganho de ADM, realização da marcha,ganho de força, propiocepção, ou seja,todas as fases que deverão fazer parte dareabilitação. Atualmente não sigo nenhumprotocolo de tratamento, porém utilizo derecursos cinesioterápicos, hidroterápicose eletroterápicos, sendo estes utilizadosadequadamente de acordo com a fase emque o paciente se encontra. E se fossenecessário participaria de nova pesquisasobre o assunto.(FISIOTERAPEUTA, 40 ANOS)4.4.3 Depoimento do Fisioterapeuta CFisioterapeuta, gênero masculino, 35 anos. Eis o seu depoimento:É de grande importância oacompanhamento fisioterapeutico parapacientes com artroplastia de quadril, nãosó para a marcha, como também paraequilíbrio, coordenação, fortalecimento, eprincipalmente para o retorno para asAVDs. Normalmente faz-se uso dahidroterapia, eletrotermoterapia, eprincipalmente da cinesioterapia,adequando as etapas do tratamento. Ecaso fosse necessário participaria denova pesquisa.(FISIOTERAPEUTA, 35 ANOS)4.4.4 Depoimento do Paciente
  69. 69. 68Paciente gênero masculino, 56 anos de idade, carteiro. Eis seudepoimento:Todos os objetivos pessoais foramalcançados durante o processo dereabilitação. Não encontrei nenhumadificuldade durante esse tempo. Afisioterapia foi muito importante para queeu retornasse as minhas atividades e aomeu estilo de vida anterior à cirurgia.Acreditava que em apenas três meses euteria condições para retornar às minhasatividades. E posso dizer que a cirurgia foide grande importância, pois somente coma fisioterapia não teria chego a esse nívelde desempenho.(PACIENTE, 56 ANOS)4.5 DiscussãoDe acordo com Magee (2002) a articulação do quadril é formadapelo acetábulo e pela cabeça do fêmur. Esta articulação possui umamusculatura muito forte, uma cápsula bastante resistente e importantesligamentos, que juntos, controlam e estabilizam o quadril e seusmovimentos.Para Camargo et al (2004), inúmeras são as doenças que podemacometer o quadril. A principal delas é a osteoartrose. Com o processode envelhecimento de um individuo, há um desgaste da cartilagemarticular. Ocorre, às vezes, um desgaste tamanho que acabafragmentando a cápsula e expondo o osso subcondral. Assim, não hámais a absorção do impacto e a articulação fica vulnerável a qualqueratrito. Isso desencadeia o principal sintoma da artrose: a dor.
  70. 70. 69O mecanismo que lesionou a articulação do referido paciente foi aosteoartrose, devido à profissão de carteiro, houve uma sobrecarga naarticulação do quadril.Segundo Urso et al (2010), a artroplastia de quadril visa restaurara mobilidade articular e as estruturas que controlam esta articulação.Mas o principal objetivo é o alívio da dor.Moretti e Pizani (2004) declaram que há dois tipos de artroplastiade quadril. A artroplastia total, onde as superfícies articulares doacetábulo e do fêmur são substituídas por prótese, e artroplastia parcial,quando a substituição só ocorre com um dos componentes. Inúmerossão os tipos de próteses. A eleição de uma ou outra dependerá da idadedo paciente, da qualidade do osso que irá receber a prótese e daexperiência do cirurgião. Há também uma diferenciação pelo uso ou nãouso de cimento cirúrgico para ancorar a prótese femoral.No referido estudo, o paciente foi submetido a artroplastia total doquadril com o uso de cimento cirúrgico.Para Moretti e Pizani (2004) algumas complicações podem surgirapós a cirurgia. Tais como: infecção, trombose, afrouxamento, luxação,desgaste ou até quebra da prótese.O referido paciente, cinco dias após ter sido submetido aartroplastia total de quadril, apresentou Trombose Venosa Profunda(TVP). Para reverter este quadro os médicos ministraramanticoagulantes. Foram realizados exercícios que favorecem o retornovenoso.Segundo Ribeiro et al (2008), o tratamento fisioterapeuticocomeça imediatamente após a cirurgia, com o posicionamento corretodo paciente. Inicia-se a movimentação leve do quadril operado, evitandoos movimentos de adução e flexão maior que 90º, pois essesmovimentos favorecem a luxação da prótese. O tratamento evolui com oaumento progressivo dos movimentos e treino de marcha com andadorou muletas até que seja permitido o total apoio de peso por volta de seissemanas.
  71. 71. 70Kisner e Colby (2006) descrevem alguns estudos que mostramque a fisioterapia promove melhor e mais rápido retorno do paciente àssuas atividades.No referido estudo, o paciente teve acompanhamentofisioterapeutico desde o primeiro dia após a cirurgia. Iniciou-se comalongamentos e exercícios leves enquanto permaneceu no hospital. Ao ter altahospitalar, os exercícios foram aumentando gradativamente e introduziu-se aotratamento a hidroterapia. O paciente foi reabilitado em aproximadamente 4meses após a cirurgia e logo retornou às suas atividades profissionais.4.6 Parecer FinalAo longo desta pesquisa concluímos que é de suma importância otratamento fisioterapêutico no pós-operatório de artroplastia de quadril. Aaplicação de variadas técnicas promove uma satisfatória reabilitação,minimizando e prevenindo possíveis complicações, implicando assim, noresultado almejado.
  72. 72. 71PROPOSTA DE INTERVENÇÃOSendo o quadril a articulação que suporta maior peso do corpo, écomum que haja um desgaste natural. Nos casos em que a coxartroseincapacita o paciente, e se faz necessária então a artroplastia de quadril,a fisioterapia deve estar presente.No tratamento fisioterapeutico enfatiza-se a mobilização precocee a orientação correta sobre o posicionamento. A reabilitação incluidesde fortalecimento e deambulação precoce através da cinesioterapia eda hidroterapia.Para que o tratamento seja efetivo, é necessário que se façaperiodicamente uma avaliação das capacidades do paciente para quenão haja acomodação do quadro.Propõe-se a prescrição de um protocolo para artroplastia total dequadril, esclarecendo a importância de sua colaboração para adquirir oresultado esperado, e ainda, que futuros estudos sejam feitos com oobjetivo de elaborar melhores condições deste às suas atividades, com omenor tempo e o mínimo de incapacidades.
  73. 73. 72CONCLUSÃOConstatou-se com essa pesquisa que a reabilitação do pacienteque se submeteu a artroplastia de quadril deve ser adaptada de acordocom as necessidades do paciente. A utilização da hidroterapia minimizaos efeitos gravitacionais e promove, assim, mais rápido controlemuscular, além de permitir precoce descarga de peso no membrolesionado, permitindo avançar com o tratamento.Ambos os profissionais acreditam que o tratamento precoce e oacompanhamento de um profissional capacitado são de fundamentalimportância para bons resultados pós-cirurgicos.
  74. 74. 73REFERÊNCIASACHOUR JUNIOR, A. Exercícios de alongamento: anatomia e fisiologia. 2.ed. São Paulo: Manole, 2006.BOSCHIN, L. C. et al. Artroplastia de quadril minimamente invasiva. RevistaBrasileira de Ortopedia. Rio de Janeiro: Redprint, v. 38, n. 11/12, p. 649-650,nov/dez 2003.CAMARGO, O. P. A. et al. Ortopedia e traumatologia: Conceitos básicos;diagnóstico e tratamento. São Paulo: Roca, 2004.DELIBERATO, P.C.P. Exercícios terapêuticos: guia teórico para estudantes eprofissionais. São Paulo: Manole, 2007.FERNANDES, A. et al. Cinesiologia do alongamento. 2. ed. Rio de Janeiro:Sprint, 2002.GABRIEL, M.R.S.; PETIT, J.D.; CARRIE, M.L.S. Fisioterapia emtraumatologia, ortopedia e reumatologia. Rio de Janeiro: Revinter, 2001.KISNER, C.; COLBY, L. A. Exercício Terapêutico: fundamentos e técnicas. 4.ed. São Paulo: Manole, 2006.KONIN, J.G. Cinesiologia prática para fisioterapêutas. Rio de Janeiro: Lab,2006.KOURY, J.M. Programa de fisioterapia aquática: um guia para a reabilitaçãoortopédica. São Paulo: Manole, 2000.MACEDO, C.A.S. et al. Avaliação cintilográfica da artroplastia total nãocimentada de quadril. Revista brasileira de ortopedia. Rio de Janeiro:Redprint, v. 38, n. 7, p. 392, jul 2003.MAGEE, D.J. Avaliação musculoesquelética. 4. ed. São Paulo: Manole,2002.
  75. 75. 74MARIEB, E. N.; HOEHN, K. Anatomia e fisiologia. 3. ed. Porto Alegre:Artmed, 2009.MCARDLE, W.D.; KATCH, F.I.; KATCH, V.L. Fisiologia do exercício: energia,nutrição e desempenho humano. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,2003.MORETTI, A. B.; PIZANI, B. Fisioterapia na artroplastia de quadril. 2004.TCC (Pós Graduação em Fisioterapia) – Faculdades Salesianas de Lins, Lins.PUTZ, P.; PABST, P. Sobotta: atlas de anatomia humana – troncos, vísceras eextremidade inferior. Tradução Wilma Lins Werneck. 22. ed. Rio de Janeiro:Guanabara Koogan, 2006.RIBEIRO, R. et al. Fisioterapia em artroplastia de quadril. Revista ciênciaonline, Rio de Janeiro, 10.set.2010. Disponível em: <http://www.revistacienciaonline.com.br/> Acesso em: 10 set. 2010.STARKEY, C.; RYAN, J. Avaliação de lesões ortopédicas e esportivas, SãoPaulo: Manole, 2001.URSO, G. O. et al. Abordagem fisioterapêutica em diferentes tipos deartroplastia de quadril. Fisioterapia Brasil. São Paulo: Atlântica, ano 11, n. 1,p. 49, jan/fev 2010.WILMORE, J.H.; COSTILL, D.L.; Fisiologia do esporte e do exercício. 2. ed.São Paulo: Manole, 2001.
  76. 76. 75APÊNDICES
  77. 77. 76APÊNDICE A - ROTEIRO DE ESTUDO DE CASO1 INTRODUÇÃODemonstrar a evolução clínica do paciente que realizou a cirurgia deartroplastia total de quadril, descrevendo as técnicas mais usadas nareabilitação e verificar possíveis complicações decorrentes do pós-operatório eda inatividade da articulação do quadril.2 RELATO DO TRABALHO REALIZADO REFERENTE AO ASSUNTOESTUDADOI. Método empregado: relato de um caso.II. Depoimento dos profissionais (Fisioterapeutas).3 DISCUSSÃOConfronto e análise entre teoria e prática utilizada nos casos.4 PARECER FINAL SOBRE O CASO E SUGESTÕES SOBREMANUTENÇÃO OU MODIFICAÇÕES DE PROCEDIMENTOS
  78. 78. 77APÊNDICE B - ROTEIRO DE ENTREVISTA PARA O FISIOTERAPÊUTAI DADOS DE IDENTIFICAÇÃOIdade:....................................................Gênero:....................................................Cidade:....................................................................Estado:..................................Formação:..............................................................................................................Experiências Profissionais:....................................................................................Experiência Atual:..................................................................................................II PERGUNTAS ESPECÍFICAS1) Qual a importância do acompanhamento fisioterapêutico para pacientes comartroplastia de quadril?______________________________________________________________________________________________________________________________2) Você segue algum protocolo de tratamento para esses casos?______________________________________________________________________________________________________________________________3) Você incluiria hidroterapia no tratamento de pacientes que se submeteram aartroplastia de quadril?______________________________________________________________________________________________________________________________4) Qual procedimento você julga indispensável no tratamento dessespacientes?______________________________________________________________________________________________________________________________
  79. 79. 78APÊNDICE C - ROTEIRO DE ENTREVISTA PARA O PACIENTEI DADOS DE IDENTIFICAÇÃOIdade:....................................................Gênero:....................................................Cidade:....................................................................Estado:..................................Profissão:...............................................................................................................II PERGUNTAS ESPECÍFICAS1) Quais objetivos pessoais foram alcançados durante o processo dereabilitação física?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________2) Quais as queixas e dificuldades mais comuns durante o tratamentofisioterpêutico?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________3) A fisioterapia foi muito importante para você retornar às atividadescotidianas e ao mesmo estilo de vida anterior à lesão?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________4) Qual a perspectiva durante o tempo necessário,ou seja, quanto tempo vocêacreditava que poderia obter condições articulares e musculares para nãoprecisar mais da fisioterapia e voltar às suas atividades?
  80. 80. 79____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________5) A cirurgia foi importante para restaurar a estabilidade articular? Ou apenascom a fisioterapia você retornaria ao mesmo nível de desempenho antes dalesão?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
  81. 81. 80APÊNDICE D - ROTEIRO DE AVALIAÇÃO DO PACIENTEI DADOS DE IDENTIFICAÇÃOIdade:....................................................Gênero:....................................................Cidade:....................................................................Estado:..................................Profissão:...............................................................................................................II AVALIAÇÃO FISIOTERAPÊUTICA1) Hipótese Diagnóstica:______________________________________________________________________________________________________________________________2) História Pregressa:______________________________________________________________________________________________________________________________3) Dados Clínicos:Tempo de Imobilização (dias): _______________________________________RX: ____________________________________________________________Antecedentes Cirúrgicos: ___________________________________________Medicamentos: ___________________________________________________Patologias Concomitantes: _________________________________________História da Moléstia Atual: __________________________________________4) Exame Físico:Inspeção: a. Volume Muscular: Hipotrófico ( )Hipertrófico ( )Normal ( )b. Volume Articular:_____________________________________Deformidades:a. Tórax: Tonel ( ) Pombo ( )Escavado ( ) Sapateiro ( )
  82. 82. 81b. Coluna: ( ) Cifose Torácica( ) Hiperlordose Lombar( )Hiperlordose Cervical( ) Retificação da Lordose Lombar( ) Retificação da Lordose Cervical( ) Escoliose em C( ) Escoliose em Sc. Mão: ( ) Lesão Nervosa Mediano( ) Ulnar( ) Radial( ) Desvio Ulnar( ) Desvio Radiald. Cintura Pélvica: ( ) Báscula( ) Anteversão( ) Retroversãoe. Joelho: ( ) Varo( ) Valgo( ) Recurvatum( ) Flexof. Tíbia: ( ) Vara( ) Valga( ) Torção Tibialg. Pés: ( ) Valgo( ) Varo( ) Plano( ) Cavo( ) Eqüino5) Alterações durante aMarcha:_________________________________________________________
  83. 83. 826) Palpação:Palpação Muscular:_______________________________________________Palpação Articular:________________________________________________Palpação Óssea:__________________________________________________7) Alterações da Pele:Coloração da Pele: ( ) Alterada ( ) InalteradaIntegridade Anatômica: ( ) Alterada ( ) InalteradaTemperatura da Pele: ( ) Alterada ( ) Inalterada8) Outros:Pontos Dolorosos: ( ) Presentes ( ) AusentesEspasmo Muscular: ( ) Presentes ( ) AusentesTônus Muscular: ( ) Normal ( ) Hipotônico ( ) Hipertônico9) Exame Funcional:a. Exame Articular:Limitações?______________________________________________________Goniometria:_____________________________________________________b. Exame Muscular:Perimetria: Direita Acima:________________________________Direita Abaixo:________________________________Esquerda Acima:______________________________Esquerda Abaixo:_____________________________Força Muscular: ( ) Zero( ) Traço( ) Precário( ) Regular( ) Bom10) Comentários:_______________________________________________________________
  84. 84. 83_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________11) Tratamento:___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
  85. 85. 84APÊNDICE E - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E INFORMADOTendo sido satisfatoriamente informado sobre o trabalho de pesquisa intitulado:Fisioterapia na Artroplastia de Quadril: Relato de um Caso, realizado sob aresponsabilidade de Leticia Didomenico e Mayra Battistini Paes, eu________________________________________________________, portadordo documento de identificação ___________________________ concordo emparticipar do mesmo. Fui esclarecido de que deverei responder aquestionamentos relacionados à minha saúde física e que serei submetido atratamento prescrito e orientado por elas. Estou ciente de que LeticiaDidomenico e Mayra Battistini Paes estarão disponíveis para responder aquaisquer perguntas e de que posso retirar este meu consentimento a qualquertempo, sem prejuízo de cuidados paramédicos. Caso não me sinta atendido,poderei entrar em contato com o orientador (a) do trabalho de monografia.Lins, ___ de __________________ de 2010__________________________________________________AssinaturaPesquisadores: Leticia DidomenicoRua Piauí, 375, fone: 8101-4332Mayra Battistini PaesRua Liberdade, 57, fone: 011 8708-2698Orientadora: Ana Claudia de Souza CostaRua 9 de julho, 1010, fone: 9125-2231

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