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tais como, o locus de controlo (medido atravésda Escala de Locus de controlo de Rotter, 1966)e a desejabilidade social (av...
que está mais de acordo com as expectativas damulher e possibilita a relação imediata com o be-bé.No entanto, os estudos q...
mória precisa do que aconteceu (e.g., Algom &Lubel, 1994). A dor no parto, por exemplo, écorrectamente avaliada e é um dos...
Figueiredo, B. (2001). Mães e bebés. Lisboa: FundaçãoCalouste Gulbenkian e Fundação para a Ciência e aTecnologia.Figueired...
Walker, N. C., & O’Brien, B. (1999). The relationshipbetween method of pain management during laborand birth outcomes. Cli...
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Experiência de parto

  1. 1. 1. ENQUADRAMENTO SOCIAL E CULTURAL«Childbirth is an intimate and complextransaction whose topic is physiologicaland whose language is cultural. Neitherelement is available without the other»(Lozoff, Jordan, & Malone, 1988, p. 37).Na maior parte das sociedades, considera-seque o parto e o pós-parto imediato são períodosde risco para a mãe e o bebé, pelo que se produ-ziu um sistema de crenças e de práticas bastanteuniformes e ritualizadas, para lidar com o perigoe a incerteza ligados ao parto. Este sistema espe-cifica a forma de enfrentar os aspectos psicoló-gicos e sociais do parto, pelo que, embora as prá-ticas relativas ao parto sejam bastante distintasentre culturas, não são grandes as variações sus-ceptíveis de serem observadas no quadro deuma mesma cultura.A visão do parto, nomeadamente enquanto fe-nómeno natural ou médico, varia muito de cultu-ra para cultura, assim como varia o lugar que édado à dor neste processo. A forma como o partoé considerado determina muitas outras diferen-ças que são também observadas, inclusive nassociedades ocidentais (por exemplo, entre osEUA, a Alemanha, a Holanda e a Suécia), emimportantes aspectos do parto – como seja, notipo de preparação, local (casa ou hospital), pes-soas que assistem e que estão envolvidas (técni-cos ou pessoas significativas), recurso à tecnolo-gia médica e à medicação e participação da mu-lher nas decisões a tomar (Lozoff et al., 1988) –fazendo com que a experiência de parto seja cul-turalmente determinada. Para além disso, comoveremos ao longo deste artigo, a visão acerca domodo como o parto deve decorrer mudou radi-calmente nos últimos tempos, o que igualmentese traduziu em mudanças muito significativasnos aspectos acima assinalados (Figueiredo,2000).Mesmo assim, em todas as sociedades, inclu-sivamente nas não industrializadas, existe eleva-da preocupação com a dor e a morte associadasao parto, dimensões que são sempre reconheci-203Análise Psicológica (2002), 2 (XX): 203-217Experiência de parto: Alguns factores econsequências associadas (*)BÁRBARA FIGUEIREDO (**)RAQUEL COSTA (**)ALEXANDRA PACHECO (**)(*) Este estudo foi desenvolvido com o apoio doServiço de Saúde e Desenvolvimento Humano daFundação Calouste Gulbenkian.(**) Departamento de Psicologia da Universidadedo Minho. Maternidade Júlio Dinis (Porto).
  2. 2. das como integrantes da experiência de parto(Lozoff et al., 1988). Em função disso, todas associedades procuraram produzir métodos comvista à redução da dor e do perigo de morte en-volvidos no parto.Em Portugal, por exemplo, o Plano Nacionalde Luta Contra a Dor da Direcção Geral deSaúde contempla especificamente a dor de parto.Este documento recomenda a utilização de anes-tesia epidural e aponta a necessidade de informaras futuras mães acerca desta técnica, no sentidode proporcionar uma escolha consciente. Apre-senta ainda as vantagens e riscos da analgesiaepidural e dá indicações particulares para a suautilização. Considera que «a analgesia do parto,adquire contornos de um direito universal, aoqual todas as mulheres devem ter igualdade deacesso, o que pressupõe, por parte destas, infor-mação detalhada e direito de opção conscienteperante este acontecimento tão importante» (Di-recção Geral de Saúde, 2001).2. A EXPERIÊNCIA DE PARTOA maior parte das mães descreve um mesmoconjunto de acontecimentos, que são específicos,a propósito da sua experiência de gravidez eparto. No entanto, se as mães tendem a falar dasua vivência de gravidez, o parto em si, geral-mente considerado como uma experiência difícil,não parece ser um acontecimento que esponta-neamente apontem como importante, embora omomento em que contactam pela primeira vezcom o bebé seja referido como significativo porquase todas as mães.Lee (1995), por exemplo, conduziu um pri-meiro estudo sobre uma amostra de 36 mulheres(80% caucasianas, 20% afro-americanas), primí-paras (42%) e multíparas (58%), com idades en-tre os 18 e os 41 anos, as quais foram entrevis-tadas acerca da sua experiência de gravidez eparto, durante o primeiro ano do puerpério. Osresultados desta investigação mostram que,embora alguns acontecimentos sejam referidospor apenas algumas mães, existe uma concordân-cia substancial nos seguintes oitos aspectos, assi-nalados como os mais importantes acontecimen-tos da gravidez por uma elevada percentagem desujeitos da amostra: saber que está grávida(100%), dizer que está grávida (100%), sentir osmovimentos do bebé (100%), comprar roupas degrávida (100%), realizar testes pré-natais (ultra-sons e amniocentese) e receber os resultados dosmesmos (92%), frequentar aulas de preparaçãopara o parto (84%), ruptura das membranas(92%), ver o bebé pela primeira vez (100%). Es-te investigador salienta que apenas algumasmães falam do parto (17%), e um reduzido nú-mero (8%) refere os aspectos negativos da expe-riência de parto (tais como, a longa duração e odesconforto sentido).Numa segunda fase deste mesmo estudo, Leerealiza uma entrevista estruturada a uma amostrade 63 mulheres (82% caucasianas, 18% afro-americanas), primíparas (49%) e multíparas(51%), com idades entre os 20 e os 45 anos.Com base nesta entrevista concluiu que os acon-tecimentos seleccionados na fase anterior podemrealmente ser considerados significativos para agrande parte das mulheres, mesmo que algunssejam mais significativos que outros, em termosdo seu impacto emocional. Por ordem decrescen-te de importância, os acontecimentos foram or-denados do seguinte modo pelas participantes noestudo, no que se refere à primeira gravidez: vero bebé pela primeira vez, saber que está grávida,realizar testes pré-natais (ultra-sons e amniocen-tese) e receber os resultados dos mesmos, sentiros movimentos do bebé, ruptura das membranas,dizer que está grávida, comprar roupas de grávi-da, frequentar aulas de preparação para o parto.Ligeiras diferenças na ordenação foram contudoobservadas quando as mães foram inquiridas noque se refere à sua segunda gravidez. O autorconsidera que, tendo em conta o seu impactoemocional, os acontecimentos assinalados refe-rem-se aos mais importantes marcos dos proces-sos psicológicos relativos à gravidez e ao parto.No que diz mais propriamente respeito ao par-to, que é o principal alvo do nosso interesse, amaior parte das vezes a experiência de parto é,sob diversos aspectos, relatada como uma expe-riência difícil, sendo que quanto mais difícil é aexperiência de parto pior é o ajustamento emo-cional da mulher no puerpério, assim como me-nos adequada a relação que estabelece com o be-bé.Thune-Larsen e Pedersen (1988), por exem-plo, estudaram a experiência de parto numaamostra heterogénea de 161 mulheres noruegue-sas: casadas (86%), a viver em regime coabita-204
  3. 3. ção (12%), ou solteiras (2%), primíparas (39%)ou multíparas (61%). No dia seguinte ao parto,entrevistam as mães no que se refere à dificul-dade, dor, ansiedade, perda de controlo, confusãoe emoções sentidas durante o parto, bem como àcooperação com o companheiro e com a equipamédica. Mais tarde, no 5.º dia após o parto, asparticipantes foram novamente entrevistadas(por exemplo, quanto à relação com o bebé) euma avaliação global do seu funcionamentoemocional foi efectuada. Os resultados obtidosneste estudo mostram que a maior parte dasmães considera a experiência de parto como difí-cil (60%), mas está satisfeita ou muito satisfeitacom a forma como lidou com o parto (71%). Du-rante o parto, a maior parte das mães sentiu:muita dor (80%) (para 47% a experiência foirealmente dolorosa e para 33% a dor foi insu-portável), alguma ou muita ansiedade (58%), al-guma ou muita falta de controlo (74%), perda danoção de tempo e de lugar (50%), e alguma oumuita emocionalidade negativa, mais frequente-mente tristeza e zanga (87%).Estes autores encontram evidências de que aqualidade da experiência da mulher durante oparto se relaciona com o seu estado emocionalapós o parto. As mães que relatam um parto maisdifícil, assim como aquelas que referem maisdor, mais ansiedade, mais perda de controlo, danoção de tempo e espaço, e aquelas que exibemuma reacção emocional mais negativa para como parto e apontam que tiveram menos suportepor parte dos técnicos, apresentam níveis maiselevados de perturbação emocional no 5.º dia dopuerpério. Embora não se verifique uma relaçãoentre a preparação para o parto ou a presença decompanhia durante o parto e a ocorrência de per-turbação emocional no 5.º dia após o parto, ob-serva-se uma relação entre a insatisfação com acapacidade própria para lidar com o parto e apresença de perturbação emocional no 5.º dia dopós-parto.A investigação tem vindo a mostrar que as ex-periências relativas ao parto são de extrema im-portância, interferindo de forma muito significa-tiva no funcionamento emocional das mães e noestabelecimento de uma relação adequada com obebé. Tendo em conta o impacto da experiênciade parto no funcionamento global das mães ebebés, alguns autores dedicaram-se ao estudodos factores susceptíveis de influenciar estaexperiência, evidenciando a importância particu-lar das seguintes circunstâncias: presença deuma pessoa significativa que proporcione apoioemocional, tipo de parto, dor sentida durante oparto e possibilidade de contacto imediato com obebé. É destes e de outros factores que falaremosem seguida, tentando expor alguns dos trabalhosrealizados nestes domínios.3. FACTORES SUSCEPTÍVEIS DEINFLUENCIAR A EXPERIÊNCIA DE PARTO3.1. Presença de pessoa significativa duranteo partoPoder ter o marido ou outra pessoa significa-tiva junto de si durante o parto e poder ver e to-car no bebé logo a seguir ao parto são aspectosque, hoje em dia, as mulheres geralmente valori-zam e consideram como mais determinantes pa-ra uma boa experiência de parto (Cranley, Hed-hal, & Pegg, 1983; Figueiredo & Alegre, inpress). No entanto, nas sociedades não industria-lizadas, os homens foram geralmente excluídosdo parto, à excepção do pai que pode permanecerjunto da mãe, embora em apenas um quarto dasdiferentes sociedades que têm sido observadas(Lozoff et al., 1988).Por sua vez, nas sociedades industrializadas, otipo de companhia escolhida e as expectativasquanto ao que se espera dessa companhia podemvariar significativamente de uma mulher para aoutra. Rofé e Lewin (1986), por exemplo, estu-daram uma amostra heterogénea, constituída por300 mulheres residentes na área de Tel-Aviv (Is-rael), entrevistadas, minutos antes da sua admis-são no hospital e após o parto, quanto ao desejode companhia e tipo de companhia durante oparto (por exemplo, uma enfermeira que propor-cione suporte ou o marido) e quanto ao nível deansiedade, avaliado através de 3 itens, numa es-cala de tipo Likert, de 1 a 5. No dia seguinte aoparto, as participantes preencheram a Repres-sion-Sensitization Scale (RSS, Byrne et al.,1963) para avaliar o tipo de resposta emocional aacontecimentos stressantes.Estes autores observam que, antes do parto, asmulheres geralmente tendem a querer ficar so-zinhas e no caso de terem uma companhia prefe-205
  4. 4. rem estar em silêncio ou a falar de temas irrele-vantes para o parto; enquanto que, depois do par-to, as mulheres geralmente desejam estar nacompanhia de outras pessoas e a maioria prefereuma companhia significativa e interessada emfalar acerca de assuntos relacionados com o par-to.No entanto, esta investigação assinala diferen-ças individuais significativas que importa igual-mente referir. Com efeito, a tendência para que-rer estar sozinha e não desejar a companhia deoutras mulheres nos momentos que precedem oparto é mais elevada nas participantes que apre-sentam maior tendência para reprimir as emo-ções, menor ansiedade, níveis educacionais maiselevados e são primíparas. Embora este estudoverifique uma associação positiva entre o níveleducacional e a preferência da mãe pela presençado companheiro durante o parto, essa associaçãonão se mostrou significativa quando o nível deansiedade ou a tendência da mãe para reprimir asemoções foi considerado.Os autores concluem que, no período que an-tecede o parto, as mulheres evitam estar com ou-tras pessoas e falar acerca de assuntos relacio-nados com o parto; esta seria uma forma de lidarcom o stress gerado pela aproximação do parto,situação considerada de stress inevitável. Noentanto, no período pós-parto, a presença deoutras pessoas e o relato da experiência de partosão geralmente desejados pela mulher.Contudo, vários estudos têm vindo a mostrarque a presença do pai ou de uma outra figura desuporte durante o parto tem efeitos muito posi-tivos no bem estar físico e emocional da mulher,tanto no caso do parto normal (Brazelton, 1981;Cranley et al., 1983), como no caso do parto porcesariana (Marut & Mercer, 1979; Gainer &Van Bonn, 1977). Em particular, no caso do par-to por cesariana, verifica-se que quando o pai es-tá presente, a mãe tem mais prazer, sente-se me-nos sozinha e revela menos preocupação com oestado de saúde do bebé (Gainer & Van Bonn,1977).Mesmo assim, Keinan e Hobfoll (1989, cit.por Freitas, 2001), numa investigação realizadatambém em Israel, sobre 31 mulheres primíparase 36 multíparas, casadas e com uma média de 27anos de idade, verificaram que apenas as mãesmais dependentes e as mães primíparas revelammenor tensão emocional, especificamente,menor ansiedade e revolta, quando o marido estápresente durante o parto. Este estudo remete-nosmais uma vez para a influência de factores rela-cionados com as características individuais esituacionais, a ter em conta quando nos repor-tamos ao efeito geralmente benéfico de determi-nadas condições de parto, neste caso a presençado cônjuge durante o parto.3.2. Tipo de partoTem havido um grande debate a propósito doimpacto da intervenção médica durante o parto,nomeadamente na satisfação da mulher com oparto, no seu bem-estar físico e emocional e narelação que estabelece com o bebé no pós-parto,sendo que os resultados dos estudos conduzidoscom o objectivo de avaliar esse mesmo impactosão por vezes contraditórios. A diversidade deresultados pode ficar a dever-se ao facto de asmães não terem a mesma concepção que os mé-dicos quanto ao que consideram intervençãomédica. Com efeito, as mães, por exemplo, dãomuita importância à episotomia que não é geral-mente considerada uma intervenção médicasignificativa e dão igual importância à cesariana,ao fórceps e à analgesia epidural, enquanto queos médicos dão muito mais importância à cesa-riana (Clement, Wilson, & Sikorski, 1999).Não obstante, a investigação realizada nosentido de perceber a influência do tipo de partona experiência de parto e no estabelecimento darelação com o bebé, tem vindo persistentementea assinalar que o tipo de parto interfere na expe-riência da mulher e, consequentemente, na per-cepção e satisfação com o parto, assim como noestabelecimento da ligação inicial da mãe aobebé e nos cuidados que lhe dedica. Para alémdos efeitos benéficos que decorrem da possibili-dade de a mãe entrar e permanecer em contactocom o bebé logo a seguir ao parto, assinaladosnos estudos realizados nos anos 70 por Klaus eKennell1, outros efeitos foram mais recentemente2061Na investigação de Klaus e Kennell (1976), juntodas mães a quem o bebé não foi retirado e se permitiuo contacto corporal com o bebé nos momentos que seseguiram parto, verificou-se uma maior proximidade
  5. 5. observados, especificamente em consequênciado tipo de parto, como veremos de seguida.O estudo do impacto do tipo de parto tem sidoalvo do interesse de vários investigadores, osquais, como passamos a apresentar, verificaramque geralmente as mulheres com um parto nor-mal relatam maior satisfação, têm uma percep-ção mais positiva do parto, assim como estabe-lecem uma relação mais adequada com o bebé.Marut e Mercer (1979), por exemplo, admi-nistraram, 48 horas após o parto, a «Perceptionof Birth Scale», com vista a avaliar as percep-ções acerca da experiência de parto, em dois gru-pos de mulheres primíparas norte-americanas(N=50): 30 que tiveram um parto normal e 20que tiveram um parto por cesariana.Verificam que as mulheres com um parto nor-mal percepcionam de forma muito mais positivaa experiência de parto do que as mulheres queforam sujeitas a uma cesariana, as quais, entreoutros aspectos, hesitam mais e demoram maistempo a dar um nome ao bebé, tendem a ver oseu parto como não normal e a ter um estigmasocial. No grupo das puérperas que fizeram umacesariana, observam que as que tiveram aneste-sia local têm melhor percepção do parto do queas que foram submetidas à anestesia geral, assimcomo verificam que a presença de uma figura desuporte durante o parto torna mais positiva a ex-periência da mulher.Estes autores concluem que a cesariana temum profundo impacto adverso sobre a percepçãoe satisfação da mulher com o parto, o que se re-percute nos sentimentos da mãe para com o be-bé, sendo que a presença do pai e o sentimentode participar na decisão tomada diminuem esseimpacto negativo. Consideram que a anestesiageral não permite que a mulher se certifique doque se está a passar e estabeleça de imediatouma relação com o bebé, o que interfere nos sen-timentos maternos para com o bebé que sãoneste caso menos positivos.Também Cranley et al. (1983) estudaram apercepção e satisfação das mulheres sujeitas adiferentes tipos de parto, tendo em conta o grauem que participaram nessa decisão, o tipo deanestesia no parto e a presença do marido. Paraesse efeito, avaliaram, entre o 2.º e o 4.º dia apóso parto, uma amostra de 122 mulheres, das quais40 tiveram parto normal, 39 fizeram uma cesa-riana de emergência e 43 uma cesariana planea-da.As respostas dadas no «Perception of BirthScale» (Marut & Mercer, 1979) e na «LeiferScale» (Leifer, 1977), mostram que as mulheresque fizeram uma cesariana não planeada percep-cionam mais negativamente a experiência departo, têm menor apetência por aleitar ao peito eexibem menor envolvimento emocional com obebé do que as restantes, que tiveram um partonormal ou uma cesariana planeada.Mas este estudo evidencia também que asatisfação com o parto depende da conjugaçãode outros factores. Principalmente, da presençade suporte emocional durante o parto – pois asmulheres que foram acompanhadas por umapessoa significativa têm melhor percepção da ex-periência de parto do que as que estiveram sozi-nhas – e da participação da mulher nas decisõesrelativas ao parto dado que as mães que sentiramestar a participar na decisão quanto ao tipo departo mostram-se mais satisfeitas e com umapercepção mais positiva do parto o que se veri-ficou ainda mais no caso da cesariana planeada erevela a importância de a mulher ser consideradana decisão a tomar, sobretudo nesta última con-dição. Por último, os resultados indicam aindaque existe uma associação significativa entre asatisfação da mulher com a experiência do partoe a qualidade dos sentimentos que dirige ao bebédurante a semana que se segue ao parto, sendoque quanto maior é a satisfação da mãe, maior éo seu envolvimento emocional positivo com obebé. Esta associação é particularmente marcadapara as mulheres que fizeram uma cesariana deemergência.Quando a mãe e o bebé ainda se encontram nohospital e se observa a interacção entre eles, ve-207com o bebé um mês depois do parto, estratégias maiseficazes de apaziguamento do mal-estar do bebé aoano de idade e mais estimulação verbal do bebé aos 2anos de idade. Resultados semelhantes foram obtidosem outros estudos realizados em diversos contextosculturais (e.g., DeVries, Wellemans-Camus, & Lan-deur-Heyrant, 1983; Windstrom, Wahlberg, Matthie-sen, Eneroth, et al., 1990), designadamente no nossopaís (Gomes Pedro, 1982), e mostram a importância docontacto imediato com o bebé na qualidade da inter-acção e dos cuidados que a mãe providencia ao bebé(para uma revisão ver Figueiredo, 2001).
  6. 6. rifica-se que as mães que fizeram uma cesariana,passam menos tempo, cuidam menos, pegammenos ao colo e interagem menos com o bebé,em comparação com as mães que tiveram umparto normal. Este resultado foi encontrado nosseguintes estudos: Bradley, Ross, e Warnyca(1983), que consideram 90 mães com parto nor-mal e 25 mães que foram alvo de uma cesariananão planeada; Tulman (1986), cuja amostra écomposta por 452 mães com parto normal e 36mães com parto por cesariana; Cummins, Scrim-shaw, e Engle (1988), que investigam 36 mãesque fizeram uma cesariana e um igual número demães com parto normal. Por sua vez, as mãesque tiveram uma cesariana avaliam menos posi-tivamente o bebé e exibem menor envolvimentoemocional positivo com ele (Bradley et al.,1983; Cranley et al., 1983; Cummins et al.,1988; Garel, Lelong & Caminsky, 1987; Hwang,1987), assim como aleitam menos ao peito obebé (Bradley et al., 1983; Cranley et al., 1983;Cummins et al., 1988; Tulman, 1986).Uma razão para estas evidências empíricaspode ser o facto de, no caso de a mãe realizaruma cesariana, ser habitualmente maior o espaçode tempo que decorre entre o parto e o primeirocontacto com o bebé, o que compromete a qua-lidade da interacção e o envolvimento emocionalque pode ocorrer entre ambos (Kearney, Cronen-wett, & Reinhart, 1990; Tulman, 1986).No entanto, os efeitos do tipo de parto sobre aqualidade da interacção mãe-bebé, observadosdurante os primeiros dias, não parecem manter-se em níveis estatisticamente significativosquando a interacção mãe-bebé é avaliada maistarde no puerpério (e.g., Tulman, 1986); pois,alguns estudos que observam a interacção mãe-bebé quando a mãe e o bebé já regressaram a ca-sa não verificam tais efeitos.Gottlieb e Barrett (1986), por exemplo, nãoencontram efeitos adversos decorrentes do tipode parto na qualidade da interacção mãe-bebé,avaliada ao 2.º e 30.º dias do pós-parto, quandocompararam um grupo de 103 mães primíparasque tiveram parto por cesariana com um grupode 103 mães primíparas que tiveram parto nor-mal. Garel et al. (1988) também não verificamdiferenças significativas na qualidade da inter-acção mãe-bebé, aos 2 e 12 meses depois do par-to, num estudo que envolveu uma amostra de 34mães que fizeram ou não uma cesariana. No en-tanto, Pederson, Zaslow, Cain, e Anderson(1981), num estudo sobre 17 mães com partonormal e 6 mães que foram sujeitas a cesariana,observam que as mães que tinham tido uma ce-sariana providenciam menos estimulação táctilao bebé, numa observação realizada em casa, 5meses depois do parto.Em clara oposição com os resultados dos es-tudos apresentados no parágrafo anterior, Field eWindmayer (1980) verificam que, embora asmães com parto por cesariana percepcionem deforma mais negativa o trabalho de parto e o par-to, 4 e 8 meses após o parto, estas mães per-cepcionam de forma mais favorável o tempera-mento e têm expectativas mais realistas acercado desenvolvimento dos seus filhos, do que asmães que tiveram um parto normal.DiMatteo, Morton, Lepper, Damush, Carney,Pearson, e Kahn (1996) realizam uma extensarevisão da literatura que inclui 358 artigos eapresentam uma meta-análise sobre 74 estudos,publicados entre 1979 e 1993, os quais exami-nam as diferenças entre parto normal e parto porcesariana, em termos das repercussões numa sé-rie de 23 variáveis relativas à mãe e ao bebé.Tendo em conta esses estudos, os autoresconcluem que o parto por cesariana implica umvasto conjunto de consequências adversas sobrea mãe e o bebé. Os resultados mais robustos su-gerem que as mães que fizeram uma cesariana,sobretudo quando a cesariana não foi planeada,quando são comparadas com as mães que tive-ram um parto normal: estão menos satisfeitascom a experiência de parto, quer no imediatoquer até 12 meses depois do parto; têm menosprobabilidade de vir a amamentar ao seio o bebé;expressam uma reacção inicial menos positivapara com o bebé, a qual se mantém 6 semanasdepois do parto; demoram mais tempo a interagirpela primeira vez com o bebé; interagem menoscom o bebé em casa, por exemplo, providenciammenos estimulação táctil, prestam menos cuida-dos, e têm menos brincadeiras íntimas com obebé durante os seus primeiros 6 meses de vida.As mães que tiveram parto normal têm aindamenos probabilidade de vir a ter mais filhos. Noentanto, não foram observados efeitos do tipo departo em outras importantes variáveis, como se-ja, nos níveis de stress no hospital e em casa, naautoconfiança materna e na incidência de depres-são pós-parto.208
  7. 7. Tendo em conta os estudos apresentados atéao momento, pode concluir-se que o tipo de par-to tem efeitos claros sobre a percepção e satis-fação da mulher com a experiência de parto eefeitos menos claros sobre o bem-estar físico eemocional da mãe e a qualidade da relação queestabelece com o bebé. Para além disso, são maisvisíveis os efeitos imediatos do que os efeitos aposteriori do tipo de parto sobre a qualidade dainteracção da mãe com o bebé; o mesmo sugereque, como se verifica para o efeito de outras va-riáveis, a título de exemplo, a prematuridade dobebé (e.g., Alfasi, 1985; Crawford, 1982), osefeitos adversos que decorrem do tipo de partopodem vir a esbater-se com o tempo, à medidaque outros aspectos vão interferindo no processoque determina a qualidade da interacção e doscuidados da mãe ao bebé.A investigação conduzida neste domínio mos-tra ainda que, de acordo com as práticas que sãodefinidas pela instituição, quanto mais a mãeestá envolvida e participa nas decisões relativasao parto e também nos cuidados a prestar ao be-bé logo a seguir ao parto, melhor é a experiênciada mulher e a qualidade da interacção que esta-belece com a criança (e.g., Devries, Wellemans--Camus, & Landeur-Heyrant, 1983).Como pudemos verificar, na maior parte dosestudos atrás apresentados, o parto por cesarianapode ter um impacto negativo sobre a percepçãoe satisfação da mulher com o parto, assim comosobre outras dimensões que se referem ao ajus-tamento emocional e à relação e cuidados com obebé. Os estudos acerca das consequências psi-cossociais do parto por cesariana evidenciam queeste procedimento é susceptível não só de ate-nuar a experiência de vida positiva de dar à luz,como pode ainda implicar consequências psicos-sociais negativas (Fisher, Stanley, & Burrows,1990; Fraser, 1983; Oakley, 1983). Na cesariana,a experiência cirúrgica potencialmente pertur-badora do ponto de vista físico e psicológico,justapõe-se com a experiência de dar à luz, o quepode interferir nas tarefas psicológicas relativasà transição bem sucedida para o papel parental(DiMatteo et al., 1996). Por sua vez, os proce-dimentos médicos, particularmente quandoacontecem de forma intrusiva, inesperada e semconhecimento da mulher, tal como se verificaprincipalmente na cesariana não planeada, limi-tam a capacidade da mãe para assimilar adequa-damente a experiência a que é sujeita (Cranley etal., 1983). Assim, quando uma cesariana acon-tece, sobretudo no caso de não ter sido planeada,existe um impacto adverso sobre a mulher, quese verifica a nível físico e psicológico. A nívelpsicológico, observa-se que a mãe está menossatisfeita com o parto e com ela própria, assimcomo vivencia um conjunto de sentimentos ne-gativos de culpa e receio de ter falhado (Marut &Mercer, 1979). Esta situação parece dificultar oestabelecimento da vinculação da mãe ao bebé,interferindo adversamente na qualidade darelação e dos cuidados que estabelece com ele.No entanto, três factores afectam esta circuns-tância: o tipo de anestesia, a presença ou não deuma figura de suporte, e o nível de controlo quea mulher tem sobre a situação. Geralmente, apercepção e satisfação com o parto, tanto quantoos aspectos que decorrem ao nível da relaçãocom o bebé, aumentam quando a anestesia é ape-nas local, nomeadamente porque permite umcontacto imediato com o bebé; quando pai estápresente, o que é sentido como uma fonte de pro-tecção e de suporte (Marut & Mercer, 1979; Gai-ner & Van Bonn, 1977); e quando é maior o sen-timento de controlo da mãe sobre a situação(Cranley et al., 1983).O número de cesarianas que é hoje em diapraticado corresponde a um aumento de 25% emrelação ao número de há 20 anos a esta data. Es-te aumento nem sempre se ficou a dever a pro-blemas atribuíveis a mãe ou ao bebé, pelo que osautores consideram que as implicações físicas epsicológicas, bem como os benefícios e riscos,desta ou de qualquer outra alternativa em termosde tipo de parto, devem ser considerados na de-cisão a tomar (DiMatteo et al., 1996). Por suavez, quando a decisão de realizar uma cesarianatem mesmo que ser tomada, importa atender aum conjunto de circunstâncias psicológicas, nosentido de atenuar o impacto negativo que podeter sobre o bem-estar da mãe. Principalmente, éde valorizar a preparação da mãe para a possibi-lidade de uma cesariana, aumentando a suaparticipação na decisão a tomar e, por conse-guinte, a sua satisfação com o parto, assim co-mo, durante o puerpério, é de valorizar o seuacompanhamento, com vista à promoção doaleitamento materno que neste caso se verificacom menor frequência (DiMatteo et al., 1996).Cranley et al. (1983), por exemplo, alertam209
  8. 8. particularmente para a necessidade de reformulara preparação para o parto, de modo a que sejaconsiderada a cesariana, dada a elevada taxa comque hoje em dia este tipo de parto é praticado.Alertam ainda para a necessidade de, no caso deuma cesariana se justificar, explicar com a maiorantecedência possível a situação e preparar devi-damente a mãe para o que vai acontecer, procu-rando minimizar a interferência negativa destacircunstância sobre a satisfação com o parto, e,por consequência, sobre o envolvimento emocio-nal e a qualidade dos cuidados prestados ao be-bé.Os recentes avanços da tecnologia obstétricaasseguraram que a mortalidade e a morbilidadeperi-natal materna e infantil seja praticamenteinexistente nos dias de hoje; porém, colocam umelevado número de novas exigências, físicas epsicológicas, a todos os intervenientes no pro-cesso. Por sua vez, a preparação para o parto temsido uma das áreas privilegiadas da intervençãodo psicólogo em contextos de saúde. No entanto,continua a existir um significativo hiato entre asexpectativas e valores das mães e as novas for-mas de parto. Muitas mulheres não têm qualquerconhecimento das opções que dispõem para oparto, nomeadamente não sabem que podem es-colher uma anestesia epidural, bem como desco-nhecem por completo o impacto que cada umadestas opções pode ter na sua experiência física epsicológica (Cranley et al., 1983). Isto é tantomais importante quando se sabe que o maior co-nhecimento da mãe quanto ao processo de partogarante o seu melhor ajustamento psicológico aeste acontecimento.3.3. Dor no partoO medo é a resposta mais prevalecente quan-do as mulheres são questionadas acerca da expe-riência de parto, este medo refere-se sobretudo àdor que podem vir a experimentar durante o par-to, assim como ao bem-estar e sobrevivência damãe e do bebé (Matthews, 1964). A dor pareceser uma experiência reconhecida como intrínsecae esperada durante o parto em todas as socie-dades. No entanto, a importância que é dada àdor varia de sociedade para sociedade, sendo queem algumas sociedades, como por exemplo naSuécia, a experiência de dor é valorizada assimcomo são considerados os meios existentes parareduzir a dor no parto. Noutras sociedades, comopor exemplo nos EUA e na Alemanha, a dor éconsiderada como algo natural, sendo portantominimizada a necessidade de interferir sobreeste fenómeno (Lozoff et al., 1988).A dor experimentada durante o parto não éfacilmente esquecida e algumas mulheres relem-bram muitas vezes a dor intensa que sentiram,como se de uma situação traumática se tratasse,o que impede algumas delas de voltar a engra-vidar (Niven, 1988). A resposta de dor aquandodo parto verifica-se, mesmo quando as mulheressão sujeitas a programas de preparação para oparto que visam reduzir essa circunstância (verWideman & Singer, 1984, para uma revisão) ouquando receberam analgésicos durante o traba-lho de parto (Niven, 1988). Para além disso, umaexperiência de parto dolorosa e complicada podelevar a problemas psicológicos adicionais nopós-parto, tais como distúrbios emocionais, pro-blemas na amamentação e uma necessidade extrade ajuda prática em casa após a alta do hospital(Almgreen et al., 1972; cit. por Thune-Larsen &Pedersen, 1988), interferindo também de formamuito adversa na disposição positiva da mulherpara se envolver emocionalmente com o bebé.Robson e Kumar (1980), por exemplo, verifica-ram que o envolvimento emocional da mãe como bebé é significativamente mais demoradoquando o parto é muito doloroso.No estudo de Niven (1988), a dor sentida du-rante o trabalho de parto e o parto é avaliada nu-ma amostra de 33 mulheres, das quais 17 são pri-míparas e 16 são multíparas. A administração do«McGill Pain Questionnaire» (MPQ, Melzack,1975) e da «Visual Analogue Scale» (VAS, Scott& Huskisson, 1976) permitiu estimar a percep-ção da intensidade da dor, em duas ocasiões dis-tintas: na fase activa do primeiro estádio do tra-balho de parto, e novamente, entre as 24 e as 48horas que se seguiram ao parto. Três a quatroanos depois, as mães foram reavaliadas com re-curso aos mesmos instrumentos quanto à dor quelembram ter experimentado durante o parto.Os resultados mostram que apenas duas par-ticipantes nunca mais pensaram espontaneamen-te na dor que tiveram no parto; enquanto que ageneralidade das mães pensou novamente nador que teve no parto (85%): uma participantepensou com muita frequência, onze pensaram210
  9. 9. com bastante frequência, nove pensaram de vezem quando e dez pensaram muito raramente.Os resultados mostram ainda que todas asmães, passados três a quatro anos, estão capazesde recordar o parto e de completar as escalas daavaliação da dor, sendo que a memória da expe-riência de parto é bastante exacta e correlaciona-se altamente com o relato que se fez na altura doparto. A lembrança da dor sentida durante o par-to gerou ansiedade e mal-estar em 20% das mu-lheres do estudo, sobretudo nos casos em que éextrema a dor relatada na altura do parto. Amaior parte das mulheres que tiveram outra ex-periência de parto nos 3-4 anos que decorreramaté à realização do follow-up relata que pensouna sua experiência prévia de parto por ocasião doparto mais recente.As mães que experienciaram níveis maiselevados de dor durante o parto tendiam a ter ex-pectativas irrealistas a respeito do parto e tende-ram menos a ter mais filhos depois desse parto.Mesmo assim, a maioria das participantes re-conhece que a sua experiência de dor durante oparto deu também lugar a algumas consequên-cias positivas, aumentando a sua capacidade pa-ra lidar com situações de stress e de dor.Por sua vez, Algom e Lubel (1994) avaliamdurante o parto a acuidade da percepção da dorassociada às contracções uterinas, bem comoavaliam a acuidade da memória da dor associadaa estas mesmas contracções, depois do parto. Pa-ra esse efeito, procedem à monitorização do pa-drão de contracções uterinas ao longo do parto e,através de uma elaboração matemática, chegamao nível de dor susceptível de estar associado acada contracção. As 69 participantes no estudo(primíparas e multíparas) são levadas a estimar ador associada às contracções uterinas, quer du-rante o parto (julgamento perceptivo), quer 8, 24e 48 horas após o parto (julgamento memorati-vo).Estes investigadores observam que durante oparto as puérperas têm uma correcta apreciaçãoda intensidade da dor associada a cada contrac-ção que vai acontecendo, dado que esta avalia-ção foi funcionalmente relacionada com a ma-gnitude da contracção objectivamente medidapelos seus parâmetros biométricos. Verificamainda que a experiência de dor relatada atravésda memória é bastante semelhante à experiênciaperceptiva e espelha da mesma forma os dadosfisiológicos de intensidade da contracção uterina.No entanto, a experiência de dor associada a ca-da contracção uterina é maior quando relatada dememória do que no momento em que é sentida.Embora a dor de parto continue a ser uma dasmaiores causas de ansiedade para a maior partedas grávidas, tem-se verificado que nem todas asparturientes recorrem a fármacos analgésicosdurante o parto. Alguns estudos foram realizadosno sentido de perceber os factores que estão naorigem desta opção. Nieland e Roger (1983), porexemplo, procuraram estimar a importância dasvariáveis de personalidade da grávida no recursoa analgesia durante parto. Para esse efeito, admi-nistram o Eysenck Personality Inventory (EPI,Eysenck & Eysenck, 1964) e o Emotion ControlQuestionnaire (ECQ, Roger & Nesshoever,1987; Roger & Najarian, 1989) a uma amostrade 55 mulheres. Estes autores verificaram que asgrávidas que cotam mais elevado nas escalas dehipocondria e ruminação recorrem significativa-mente mais a analgesia durante o parto, mostran-do a interferência de dimensões individuais nador e capacidade para lidar com a dor de parto.Podemos portanto concluir que a maior partedas mulheres espera vir a sentir e sente dor porocasião do parto, sendo que a dor é uma das di-mensões mais preponderantes da experiência departo (Leventhal, Leventhal, Shacham, & Easter-ling, 1989), a qual não parece diminuir conside-ravelmente em função das técnicas de controlode dor que têm sido usadas (Wideman & Singer,1984). Tendo em conta os estudos que apresentá-mos importa também concluir que as mulheresavaliam correctamente e lembram-se com acui-dade da dor que sentiram durante o parto (e.g.,Algom & Lubel, 1994), assim como importaconcluir que a dor durante o parto é um dos ele-mentos que mais negativamente interfere naexperiência de parto da mulher, condicionandoadversamente a sua disponibilidade para se en-volver emocionalmente com o bebé (Robson &Kumar, 1980) e para voltar a engravidar (Niven,1988).3.3.1. Técnicas de controlo da dor no partoO parto é assim uma experiência difícil para agrande maioria das mulheres. À medida que oparto se desenrola, geralmente a parturiente sen-te mais dor, mais emoções negativas e mais211
  10. 10. cansaço, embora sinta menos energia e menosemoções positivas (Leventhal et al., 1989).O desejo de reduzir a ansiedade e o mal-estarassociado ao parto conduziu ao desenvolvimentode diferentes métodos de preparação para o par-to, os quais, no entanto, não foram ainda sufici-entemente validados. Nesse sentido, Leventhal etal. (1989) procuraram testar, sobre uma amostrade 89 mulheres com gravidez normal (a quasetotalidade tinha formação académica de nível su-perior e estava empregada), o efeito da instruçãode monitorização das contracções durante o tra-balho de parto, na dor sentida e no estado emo-cional da mulher durante o parto. A quando dasua admissão no serviço de obstetrícia, as par-ticipantes foram distribuídas aleatoriamente porquatro grupos: o primeiro e segundo grupo assis-tiu a aulas de preparação para o parto (LaMaze),sendo que algumas grávidas foram e outras nãoforam instruídas para atender a aspectos espe-cíficos das contracções e para monitorizar cuida-dosamente o trabalho de parto e as sensações as-sociadas; o terceiro e quarto grupo não assistiu aaulas de preparação para o parto (LaMaze), sen-do que a algumas grávidas foram e a outras nãoforam dadas sugestões de distracção para lidarcom as contracções de parto.Seguidamente, os autores avaliam, o tempo ea progressão no trabalho de parto, o tipo e afrequência de medicação para as dores e as com-plicações obstétricas; assim como, consideram oestado neo-natal e os índices de apgar dos bebésdas participantes no estudo. As mães foram ain-da entrevistadas, 8 a 18 horas depois do parto, noque se refere à experiência de parto (nomeada-mente, relativa à primeira fase, à fase de tran-sição e à fase expulsiva do parto) e ao estado dehumor, avaliado através de uma checklist de 15itens organizados em 7 medidas: dor, raiva, me-do, cansaço, energia, tristeza, humor positivo.Estes autores observam que, à medida que otrabalho de parto progride, que as contracçõesaumentam de intensidade e que a dilatação setorna maior, as mulheres relatam cada vez maisdor, raiva, medo, tristeza e cansaço e cada vezmenos energia e emoções positivas.Verificam um efeito geral positivo da fre-quência das aulas de preparação para o parto eda monitorização das contracções durante oparto, pois as mulheres pertencentes a estes gru-pos apresentam uma diminuição da dor e dasemoções negativas durante a fase activa doparto, que não foi observada no grupo de contro-lo. Mais especificamente, as mulheres que fre-quentaram as aulas reportam mais energia nafase 1, menos dor na fase 2, e menos medo, me-nos cansaço, menos tristeza em geral, pelo queos autores concluem que a preparação para oparto ajuda a mãe a formar expectativas realistasem relação ao parto e gera um sentimento de se-gurança que reduz a dor e o mal-estar inicial ebeneficia emoções positivas na finalização doparto.Verificam ainda um efeito específico das ins-truções de monitorização das contracções, poisobservam que o grupo que fez monitorização de-monstra menos dor e raiva e mais emoções po-sitivas, principalmente na fase expulsiva. Nestafase, as contracções são menos dolorosas e porisso induzem menos raiva se a mãe monitorizouas suas contracções e está capaz de assistir aoprocesso de forma eficiente. As mulheres querealizaram a monitorização e que foram às aulasreportam reduções substanciais no nível de mal--estar durante o trabalho de parto e são mais ca-pazes de coordenar a respiração com as contrac-ções e a sua participação no parto.No entanto, a frequência das aulas tem efeitosmais vastos e mais consistentes do que as instru-ções de monitorização. Os autores concluem as-sim que, quer a instrução para monitorizar, queras aulas de preparação, facilitam a participaçãoactiva da mulher e diminuem o mal estar e a dorque possa sentir na fase activa do parto, as clas-ses podem ainda ter um papel importante na for-mação de expectativas realistas, beneficiando aenergia e o humor positivo principalmente no fi-nal do parto. No entanto, não foram observadosefeitos significativos em nenhuma das restantesvariáveis consideradas.Manning e Wright (1983) estudaram igual-mente o efeito de uma série de variáveis suscep-tíveis de interferir no controlo da dor durante oparto, numa amostra de 52 mulheres primíparas,com idades compreendidas entre os 19 e os 36,que frequentam aulas de preparação para o parto.Diversas variáveis foram consideradas nesteestudo: variáveis de auto-eficácia – por exemplo,expectativas de auto-eficácia no controlo da dor,expectativas quanto ao resultado e importânciado controlo da dor e de ter um trabalho de partoe parto sem analgésicos; variáveis individuais –212
  11. 11. tais como, o locus de controlo (medido atravésda Escala de Locus de controlo de Rotter, 1966)e a desejabilidade social (avaliada com a Escalade Desejabilidade Social de Marlowe-Crowne,1960); variáveis de preparação para o parto – taiscomo, o treino de controlo da dor e a experiênciano controlo da dor; e variáveis relativas ao parto– tempo de trabalho de parto e tipo de parto. Osdados foram recolhidos na semana que seguiu aúltima aula de preparação para o parto (1.ª fase),na fase inicial do parto (2.ª fase) e alguns diasapós o parto (3.ª fase).Estes autores observam que as expectativas deauto-eficácia da mulher, nomeadamente as suasexpectativas positivas quanto à importância decontrolar a dor e quanto ao facto de conseguircontrolar a dor, predizem melhor a sua persistên-cia no controlo da dor sem recorrer a medicação(percentagem de tempo no trabalho de partosem analgésicos), do que qualquer uma outra dasvariáveis consideradas no estudo. Observam queas expectativas de auto-eficácia da mulher con-tribuem mais para explicar a persistência nocontrolo da dor do que as expectativas quanto aoresultado ou importância de controlar a dor. As-sim sendo, assinalam a importância de imple-mentar as expectativas de auto-eficácia nos pro-gramas de preparação para o parto, variável quepode interferir no sucesso dos mesmos, quandose considera o seu efeito sobre a dor associadaao parto.3.3.2 Analgesia de parto pelo método epiduralA analgesia de parto pelo método epiduralteve o seu início nos anos 60 (Walker & O’Brien,1999). É a técnica mais difundida, mais indicadae mais usada de analgesia local com vista àredução da dor e compreende a administração deanestésicos por via epidural. Esta técnica cons-titui o melhor método para possibilitar um maiorbem-estar fetal e neonatal e para aliviar a dormaterna, sem risco de depressão cardiorrespira-tória para o recém nascido, corrigindo, em situa-ções de hipertensão materna, o vasoespasmodas artérias uterinas (Direcção Geral de Saúde,2001). Embora considerada por muitos como«opção de ouro» para reduzir a dor no parto, osseus riscos têm sido também largamente debati-dos (Walker & O’Brien, 1999). De facto, algunsestudos apontam que esta anestesia pode inter-ferir negativamente no progresso normal doparto em algumas pacientes, aumentando o riscode parto por cesariana, que, para além de impli-car mais custos, aumenta também o risco demortalidade e morbilidade materna. No entanto,outras investigações com amostras randomizadastêm vindo a sugerir que o uso de analgesia epi-dural não aumenta o risco de parto por cesariana(Chestnut, 1999).Como veremos de seguida, há ainda estudosque problematizam o efeito da analgesia departo pelo método epidural sobre o comporta-mento neonatal do bebé e, por consequência, nasua disposição para interagir com a mãe.Apesar da controvérsia existente acerca daanalgesia epidural, este é actualmente conside-rado o método mais eficaz no alívio da dor departo. O alívio da dor durante o trabalho de partoajuda a evitar a sua descoordenação, bem como adiminuição do fluxo de sangue uterino, os quaiscondicionam prejuízos na reserva de oxigénio daplacenta; mais ainda, a analgesia contribui para amelhoria da oxigenação fetal (Direcção Geral daSaúde, 2001). Outros estudos, por sua vez, mos-tram que a satisfação da mulher com o parto émaior no caso de ter tido uma analgesia de partopelo método epidural.Paech (1991), por exemplo, verificou que oalívio da dor e a satisfação com a experiência departo eram maiores nas mulheres que optarampela anestesia epidural. Neste estudo os autoresutilizaram uma amostra de 1000 pacientes queescolheram uma variedade de técnicas de analge-sia para o parto normal, incluindo métodos nãofarmacológicos, estimulação eléctrica dos nervostranscutâneos, meperidina intramuscular, inala-ção de óxido nitroso, anestesia epidural ou umacombinação destes métodos. De igual forma, ou-tros estudos que comparam a anestesia epiduralcom meperidina intramuscular e/ou inalação deóxido nitroso, mostram que os níveis de dor sãomenores e as pacientes sentem-se mais satisfeitascom a anestesia epidural (Glosten, 1999).Para além disso, a investigação têm vindo acomprovar que as mulheres que recebem anes-tesia local têm uma percepção mais positiva euma satisfação maior com o parto do que as querecebem anestesia geral. Tal verifica-se, pelomenos em parte, na medida em que a anestesialocal garante um conjunto de condições que be-neficiam que o parto se processe de uma forma213
  12. 12. que está mais de acordo com as expectativas damulher e possibilita a relação imediata com o be-bé.No entanto, os estudos que atenderam a qua-lidade da relação e dos cuidados que são ofereci-dos ao bebé pelas mães que foram objecto deanalgesia epidural, não oferecem uma visão tãopositiva do problema.Muhlen, Pryke, e Wade (1986), por exemplo,estudam o efeito do tipo de parto (parto normal,estimulado, induzido, e por cesariana) e da anes-tesia epidural sobre o comportamento neo-nataldo bebé. Uma amostra de 106 bebés é avaliada,através da Escala de Avaliação do Comporta-mento Neo-natal de Brazelton (Neonatal Beha-vioral Assessment Scale, NBAS), no 1.º, 5.º e28.º dias de vida. As mães são todas primíparas,têm idades entre os 18 e os 44 anos e são predo-minantemente de classe média. Os resultadosmostram que as maiores diferenças, observadasno comportamento neo-natal dos bebés, se devemà analgesia epidural e não ao tipo de parto. Osbebés das mães que receberam analgesia epidu-ral de parto exibem aos 28 dias resultados signi-ficativamente mais baixos nas seguintes escalasdo NBAS: processos motores e resposta aostress. A desorganização que observam no com-portamento do bebé, na opinião dos referidosautores, em consequência da analgesia epidural,pode perturbar a relação com a mãe, o que deve-ria ser considerado quando a decisão de analge-sia epidural é tomada. Consideram ainda neces-sário desenvolver drogas de baixa toxicidade etécnicas para remover a dor que não recorram amedicação.Estes resultados foram mais recentemente re-plicados por Sepkoski, Lester, Ostheimer, e Bra-zelton (1992). Estes investigadores quiseram deigual forma estudar o efeito da analgesia epidu-ral de parto sobre o comportamento neo-natal dobebé, durante o primeiro mês de vida. Nesse sen-tido, avaliam através da NBAS, administrada no1.º, 3.º, 7.º e 28.º dias, 20 bebés que nasceram deum parto com anestesia epidural e 20 bebés cujasmães não foram medicadas durante o parto. Veri-ficam que os bebés cujas mães tinham feito umaanestesia epidural exibem um pior desempenhona escala (e isso, sobretudo no respeitante àresposta de orientação e ao desenvolvimentomotor) do que os bebés cujas mães não tinhamsido sujeitas a intervenção anestésica. Conside-ram então que os efeitos encontrados – da anes-tesia epidural materna sobre o comportamentoneo-natal do bebé – são susceptíveis de desorga-nizar, e, nesse sentido, de afectar negativamente,a interacção precoce mãe-bebé.Também mais recentemente, Walker e O’Brien(1999) pretenderam avaliar o efeito da analgesiade parto pelo método epidural sobre um conjuntode dimensões do trabalho de parto e o estadoneo-natal do bebé. Para esse efeito, analisaramos processos médicos de 233 parturientes primí-paras, com idades entre os 14 e os 39 anos.Quando comparam o grupo de mulheres que tevecom o grupo de mulheres que não teve analgesiaepidural de parto, observaram um maior númerode partos instrumentais e um maior número decesarianas no primeiro grupo. Para além disso,no grupo com analgesia epidural, a segunda fasedo trabalho de parto foi significativamente maislonga do que no grupo sem epidural. Por suavez, os índices de apgar do bebé ao 1.º e 5.º mi-nutos são significativamente menos elevados nogrupo com epidural do que no grupo sem epidu-ral; mas também significativamente menos ele-vados no grupo em que a epidural foi adminis-trada mais cedo (dilatação inferior a 5 cm) doque nos restantes grupos, em que a epidural foiadministrada mais tarde (dilatação superior a 5cm) ou não foi administrada.4. CONCLUSÃOAo longo deste artigo, os autores procuraramdescrever a experiência de parto, bem como osfactores que interferem na experiência de partoda mulher. Partindo das circunstâncias sociais eculturais que determinam muito do que acontecepor altura do parto, os autores pretenderam re-latar o que a investigação mostra ser hoje o partopara a generalidade das mulheres.Os estudos mostram que as mulheres tendemespontaneamente a falar mais da gravidez do quedo parto, embora o momento em que viram o be-bé pela primeira vez seja muito significativo doponto de vista emocional para a maior parte de-las (e.g., Lee, 1995). Geralmente referem o partocomo uma experiência difícil, pautada pela dor,medo, e emocionalidade negativa (e.g., Thune-Larsen & Pedersen, 1988), e têm no momentouma apreciação correcta e mais tarde uma me-214
  13. 13. mória precisa do que aconteceu (e.g., Algom &Lubel, 1994). A dor no parto, por exemplo, écorrectamente avaliada e é um dos elementosmais recordado, sendo também correctamentememorizada pela maior parte das mulheres. Ador no parto interfere muito significativamentena qualidade da experiência da mulher (e.g.,Paech, 1991), assim como na sua disponibilidadepara voltar a engravidar (e.g., Niven, 1988) epara se envolver emocionalmente com o bebé(e.g., Robson & Kumar, 1980), sendo por conse-quência uma das dimensões a privilegiar na in-vestigação e na prática psicológica.Para além da dor, neste artigo os autores pro-curaram analisar outros factores relativos às cir-cunstâncias de parto que muito determinam aqualidade da experiência da mulher (nomeada-mente a sua percepção positiva e satisfação como parto) e que, por consequência, mais interfe-rem no estado emocional da mulher e na qualida-de da relação que estabelece com o bebé. Muitoembora existam diferenças individuais que de-vem sempre ser consideradas, da revisão da lite-ratura apresentada pode concluir-se que, a expe-riência de parto é positivamente afectada, no quese refere à percepção e satisfação da mulher,pelas seguintes condições: presença de uma pes-soa significativa (e.g., Cranley et al., 1983);parto normal e não por cesariana (DiMatteo etal., 1996); anestesia apenas local e não geral, nocaso do parto por cesariana (e.g., Marut & Mer-cer, 1979); participação activa nas decisões rela-tivas ao parto (e.g., Cranley et al., 1983) e no tra-balho de parto (Leventhal et al., 1989); partosem dor, tal como se verifica, por exemplo, nasequência de analgesia pelo método epidural(e.g., Glosten, 1999). Todas e cada uma dascircunstâncias atrás enunciadas favorecem aindao estado emocional da mulher durante o pós-par-to e, em geral, beneficiam a qualidade da relaçãoe dos cuidados que a mãe presta ao bebé (e.g.,Kearney et al., 1990). Nesse sentido, a investi-gação aponta que são estas as condições que aintervenção psicológica deverá geralmente favo-recer para possibilitar que a mulher tenha umaexperiência de parto mais positiva, que propicieo seu bem estar e o do bebé durante o puerpério.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASAlfasi, G. (1985). Mother-infant feeding interactions inpreterm and full-term infants. Infant Behaviour De-velopment, 8 (2), 167-180.Algom, D., & Lubel, S. (1994). Psychophysics in thefield: perception and memory for labor pain. Per-ception & Psychophysics, 55 (2), 133-141.Bradley, C. F., Ross, S. E., & Warnyca, J. (1983). Aprospective study of mother’s attitudes and feelingsfollowing cesarean and vaginal births. Birth, 10,79-83.Brazelton, T. B. (1981). On becoming a father. NewYork: Delacort Press.Chestnut, D. H. (1999). Effects on the progress oflabor and method of delivery. In D. H. Chestnut(Ed.), Obstetric anesthesia – Principles and prac-tice (pp. 386-407). St. Louis, Missouri: Mosby, Inc.Clement, S., Wilson, J., & Sikorski, J. (1999). The de-velopment of an intrapartum intervention scorebased on women’s experiences. Journal of Repro-ductive and Infant Psychology, 17 (1), 53-62.Copstick, S., Taylor, K., Hayes, R., & Morris, N.(1999). The relation of time of day to childbirth.Journal of Reproductive and Infant Psychology, 4,13-22.Cranley, M. S., Hedhal, K. J., & Pegg, S. H. (1983).Women’s perceptions of vaginal and cesarean deli-veries. Nursing Research, 32 (1), 10-15.Crawford, J. W. (1982). Mother-infant interaction inpremature and full-term infants. Child Develop-ment, 53, 957-962.Cummins, L. H., Scrimshaw, S. C. M., & Engle, P. L.(1988). Views of cesarean birth among primiparouswomen of Mexican origin in Los Angeles. Birth,15, 164-170.DeVries, F. G., Wellemans-Camus, M., & Candeur-Meyrant, S. (1993). Influence du climat institution-nel entourant la naissance sur les comportements etles interactions précoces entre la mère et son bébé.Enfance, 1 (2), 85-98.DiMatteo, M. R., Morton, S. C., Lepper, H. S., Damush,T. M., Carney, M. F., Pearson, M., & Kahn, K. L.(1996). Cesarean childbirth and psychosocial out-comes: A meta-analysis. Health Psychology, 15(4), 303-324.Direcção Geral de Saúde (2001). Plano nacional de lutacontra a dor. Aprovado por Despacho Ministerialde 26 de Março de 2001.Field, T. M., & Windmayer, S. M. (1980). Develop-mental follow-up of infants delivered by cesareansection and general anesthesia. Infant BehaviourDevelopment, 3, 253-264.Figueiredo, B. (2000). Psicopatologia do desenvolvi-mento na maternidade. In I. Soares (org.), Trajec-tórias (in)adaptadas de desenvolvimento (pp. 347--380). Coimbra: Quarteto Editora.215
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