Beneath this man

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Segundo livro da trilogia This Man (O Amante)

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Beneath this man

  1. 1. Beneath This Man This Man #2 Jodi Ellen Malpas Sinopse: Jesse Ward afogou-a com sua intensidade e a surpreendeu com a sua paixão, mas ele a manteve longe de seus segredos obscuros e alma quebrada. Deixá-lo era a única maneira que Ava O'Shea poderia sobreviver. Ela deveria saber que é impossível escapar de Jesse Ward - e agora ele está de volta em sua vida, determinado a lembrá-la dos prazeres sensuais que tinham compartilhado. Ava está igualmente determinada a descobrir a verdade por baixo do exterior de aço deste homem. Isso significa deixar-se aproximar, mais uma vez, do Lord da Mansão. E é exatamente onde Jesse a quer - a curta distância...
  2. 2. A tradução em tela foi efetivada pelo grupo de forma a propiciar ao leitor acesso parcial à obra, incentivando-o à aquisição da obra literária física ou em formato e-book. O grupo tem como meta a seleção, tradução e disponibilização parcial apenas de livros sem previsão de publicação no Brasil, ausente de qualquer forma de obtenção de lucro, direto ou indireto. No intuito de preservar os direitos autorais contratuais de autores e editoras, o grupo, sem aviso prévio e quando julgar necessário, poderá cancelar o acesso e retirar o link de download dos livros cuja publicação for veiculada por editoras brasileiras. O leitor e usuário ficam cientes de que o download da presente obra destina-se tão somente ao uso pessoal e privado e que deverá abster-se da postagem ou hospedagem em qualquer rede social (Orkut, Facebook, grupos), blogs ou qualquer outro site de domínio público, bem como abster-se de tornar público ou noticiar o trabalho de tradução do grupo, sem a prévia e expressa autorização do mesmo. O leitor e usuário, ao disponibilizar a obra, também responderão pela correta e lícita utilização da mesma, eximindo o grupo de qualquer parceria, coautoria, ou coparticipação em eventual delito cometido por aquele que, por ato ou omissão, tentar ou concretamente utilizar da presente obra literária para obtenção de lucro direto ou indireto, nos termos do art. 184 do Código Penal Brasileiro e Lei nº 9610/1998. Março/2014
  3. 3. Proibido todo e qualquer uso comercial Se você pagou por esta obra, VOCÊ FOI ROUBADO.
  4. 4. Dedicatória Para todos vocês que me apoiaram, enviando amáveis palavras de encorajamento e, honestamente, tornando toda esta experiência maravilhosa. Isso seria tudo por vocês que me encontraram no Facebook, Twitter, deixaram comentários, postaram em blogs e me enviaram e-mail - mesmo os mais atrevidos! Para minha família maravilhosa pelo seu contínuo apoio, amor e paciência. G & J - duas mulheres incríveis que tomaram a nova, menina britânica sem noção, sob a suas asas. Sou eternamente grata, mas agora careca. Descanse em paz Lawson e bem vindo ao mundo do Sr. Ward! Inteligente Bob - para alguns bons conselhos, e uma dedicação especial ao seu Tam-Boy, que riu na cara do veterinário, quando este deu 5% de possibilidade de sobrevivência, depois de ter sido mordido por uma cobra. Nós todos sabemos o que sinto por cobras. Para todas as minhas meninas para que não se livrem de mim. Meu tempo foi um pouco extenso, mas vocês ainda estão aqui. Eu tenho que falar de Katie Cooke - mais conhecida como Fanny - ou ela nunca vai falar comigo novamente. É tudo sobre ela. E para todos vocês blogueiros. Autores independentes contam com vocês. Vocês fazem um trabalho incrível, através de nada mais, do que a alegria da leitura. Eu tiro meu chapéu para vocês. Cada um de vocês, muito obrigado e desfrutem. Como sempre, muito amor próximo de Londres. xxx
  5. 5. Capítulo Um Já se passaram cinco dias, desde que eu vi Jesse Ward. Cinco dias de agonia, cinco dias de vazio e cinco dias soluçando. Não há nada em mim. Nem emoção, nem alma e nem lágrimas - nada. Toda vez que meus olhos se fecham, lá está ele, as imagens tremulando, da certeza, confiança, do belo homem, que me tomou completamente, para a irreal, dolorosa, criatura bêbada, que tinha me destruído. Eu estou em uma derrota completa. Vazia e incompleta. Ele me fez precisar dele, e agora ele se foi. Na escuridão, vejo seu rosto e no silêncio, ouço sua voz. Não há como escapar disso. Tenho conhecimento dos movimentos ao meu redor, a cada barulho, um zumbido distante, cada imagem, um borrão vagaroso. Eu estou no inferno. Vazia. Incompleta. Estou em absoluta agonia. Deixei Jesse, bêbado e furioso em seu apartamento, no último domingo. Eu não ouvi falar dele, desde aquele dia que eu saí deixando-o, gritando e tropeçando ao redor. Não houve telefonemas, nem mensagens, nem flores... Nada. Sam é ainda uma presença usual, semi nua, e com Kate, mas ele sabe melhor, o que conversar comigo sobre Jesse. Ele se mantém calado e bem longe de mim. Deve ser doloroso
  6. 6. ficar ao meu redor no momento. Como pode um homem, que conheci há poucas semanas, fazer eu me sentir desse jeito? Nessas poucas semanas, eu o tinha conhecido, embora tenha aprendido que ele é intenso, sangue quente e controlador, mas ele também é gentil, carinhoso e protetor. Eu sinto muita falta dele, mas eu não sinto falta do bêbado, homem oco, que eu enfrentei na última vez que o vi. Aquele não era o Jesse, por quem eu tinha me apaixonado. Naquele breve momento de troca de insultos, porém, não chegamos nem perto de eliminar as poucas semanas antes daquele pesadelo de domingo, apenas, eu e ele. Eu gostaria, de bom grado, tirar todas as suas frustrações e desafios do caminho dele, ao ter o lado feio que foi Jesse bêbado. Estranhamente, eu sinto falta dessas características irritantes também. Eu não tenho, sequer, pensado na Mansão e o que ela representa. Isso está quase dentro do limite da insignificância. Aparentemente, Jesse ter caído fora do vagão, foi por minha inteira culpa. Ele avisou, em uma repreensão, que ele tinha me alertado que haveria danos se eu o deixasse. Ele tinha alertado. Ele só não explicou que tipo de danos ou por quê. Era mais um de seus quebra-cabeças enigmáticos, que ele nunca entrou em detalhes. Eu deveria ter pressionado mais, mas eu estava muito ocupada sendo absorvida por ele. Eu estava distraída de tudo, cega pelo desejo sexual e submersa em sua intensidade. Ele me consumiu completamente. Eu nunca considerei que ele fosse o Lord do Sexo da Mansão, e eu certamente nunca previ que ele fosse alcoólatra. Eu estava, literalmente, andando por aí com os olhos bem fechados. Estou com sorte, pois consegui evitar quaisquer questões urgentes de Patrick, no tocante ao projeto do Ward. Quando 100.000,00 libras chegaram à conta bancária da União Rococó, por cortesia do Sr. Ward, eu fiquei imensamente grata. Com tanto dinheiro pago adiantado, eu poderia enganar Patrick completamente, com uma viagem de negócios, imaginária, que estaria mantendo o Sr. Ward, fora do país e o projeto em espera. Eu sei que vou ter que lidar com isso, eventualmente, mas eu não me sinto forte o suficiente no momento, e eu não tenho certeza de quando eu me sentirei. Talvez nunca. Pobre Kate tentou, com muita dificuldade, me tirar do buraco negro onde eu havia me colocado. Ela tinha tentado me ocupar com aulas de ioga, bebidas no pub e decoração de bolo, mas estou mais feliz, apodrecendo na minha cama. E ela me encontra, sem falta, a cada
  7. 7. almoço. Não que eu coma alguma coisa. Está difícil o suficiente engolir, tentando manter a comida, sem atingir o caroço permanente do passado, que está entalado na minha garganta. A única coisa que eu anseio é pelo momento da minha caminhada matinal. Eu não estou dormindo, assim, estar me arrastando para fora da cama, às cinco horas toda manhã, é relativamente fácil. No silêncio, no ar fresco da manhã, eu faço meu caminho para o local no The Green Park, onde eu desabei de cansaço na manhã em que Jesse me arrastou pelas ruas de Londres em uma de suas maratonas de tortura. Sento-me em silêncio, colhendo lâminas de grama revestidas de orvalho, até minha bunda estar dormente e encharcada e, estou pronta para vagar de volta, lentamente, para me preparar para mais um dia sem Jesse. Quanto tempo eu posso continuar assim? Meu irmão, Dan, estará de volta a Londres, amanhã, depois de visitar meus pais em Cornwall. Eu deveria estar esperando ansiosa para vê-lo, passaram-se seis meses desde a última vez que o vi, mas onde é que vou encontrar energia para colocar no meu rosto? Com o benefício adicional do telefonema, pouco amigável, de Matt para minha mãe, contando a ela que eu estava vendo outro homem, eu enfrentei um interrogatório. Eu disse à minha mãe que não era verdade - que era verdade na época, não agora - mas eu conheço minha mãe, bem o suficiente, para saber que ela não acreditou em mim, mesmo quando eu estou do outro lado de um telefone e ela não pode me ver, girando meu cabelo. O que eu digo a eles? Que eu tinha me apaixonado por um homem, e eu nem sei quantos anos ele tem? Ele é dono de um clube de sexo e, oh sim, ele é alcoólatra. Não me ajudou não ter viajado para vê-los, com minha lamentável desculpa de trabalho, e eu espero, completamente, a terceira etapa de Dan, quando eu o vir amanhã. Preciso me preparar para o questionamento dele. Vai ser o interrogatório da minha vida. Meu celular vibra na minha mesa, arrastando-me dos meus devaneios e bato a caneta. É Ruth Quinn. Eu gemo interiormente. Esta mulher está demonstrando ser um desafio, por si mesma. Ela telefonou na terça-feira e exigiu marcar hora para o mesmo dia, e eu expliquei que estava ocupada e sugeri que outra pessoa seria capaz de fazê-lo, mas ela insistiu que me queria. Ela, finalmente, marcou a minha primeira consulta, que aconteceu de ser hoje, e
  8. 8. desde então ela tem ligado, todos os dias, para me lembrar. Eu deveria, simplesmente, ignorá-la, mas ela apenas ligará para o escritório. — Srta. Quinn. — Cumprimento, cansada. — Ava, como você está? Ela sempre pergunta: o que é bom, eu acho. Eu não vou lhe dizer a verdade. — Eu estou bem. E você? — Sim, sim, tudo bem — ela gorjeia. — Eu só queria confirmar nosso encontro marcado. E lá vai você. Ela é tão exigente. Eu acho que eu poderia fixar, para mim mesmo, um valor, para sair deste trabalho. — Quatro e meia, Srta. Quinn. — Reitero, pelo terceiro dia consecutivo. — Querida, eu espero ansiosamente por isso. — Ótimo, vejo você, então. — Eu desligo e assopro longamente, acalmando a respiração. O que eu estava pensando, acabar com a minha sexta-feira com um novo cliente e uma tarefa difícil como essa? Victoria chega apressada ao escritório, seus longos cabelos loiros, ventilando sobre os ombros. Ela parece diferente. Ela parece laranja! — O que você fez? — Eu pergunto, completamente alarmada. Eu sei que eu não estou, particularmente, vendo claramente no momento, mas não há como ignorar o tom de sua pele. Ela revira os olhos e pega seu espelho compacto de sua Mulberry para inspecionar seu rosto. — Não! — Avisa. — Eu pedi por um bronzeado. — Ela esfrega no rosto com um lenço. — A mulher estúpida usou o frasco errado. Eu pareço um sopro do queijo! — Ela continua a esfregar o rosto dela enquanto bufa e fica zangada. — Você precisa arranjar um esfoliante para o corpo e a cabeça, no banho. — Eu aconselho, voltando-me para o meu computador. — Eu não posso acreditar que isso está acontecendo comigo! — Ela chora. — Drew vai me levar para sair esta noite. Ele vai correr quilômetros, quando me vir assim!
  9. 9. — Aonde você vai? — Eu pergunto. — Ao Langan. Eu serei confundida com um Z, cheia de bolhas. Eu não posso continuar assim. Esta é uma completa catástrofe para Victoria. Ela e Drew só estão se vendo há uma semana, outro relacionamento separado, nas costas do meu grupo fodido da vida. Tudo que eu preciso agora, é que Tom venha aqui e declare que ele vai se casar. Egoisticamente, eu não sou feliz por ninguém. Sally, nossa chefe capacho do escritório, aparece fugindo da cozinha e em seu encalço, quando ela espia Victoria. — Wow! Victoria, você está bem? — Ela pergunta, e eu sorrio para mim mesma, quando Sally me dá um olhar alarmado. Todo este material de embelezamento vai se ajeitar sobre a cabeça pura de Sal. — Tudo bem! — Victoria estala. Sally se retira para a segurança do armário estático, escapando de uma Victoria muito irritada e ainda mais deprimida que eu. — Onde está o Tom? — Eu pergunto, em uma tentativa de distrair Victoria de sua crise por causa do bronzeamento artificial. Ela pousa ruidosamente, seu espelho compacto sobre a mesa, e vira bruscamente para me encarar. Se eu tivesse energia, eu iria rir. Ela parece péssima. — Ele está na casa da Sra. Baines. Parece que o pesadelo continua. — Ela bufa, bagunçando seus cabelos loiros, em torno de seu rosto. Deixo Victoria e seu rosto brilhante, voltando o olhar, entorpecidamente, para a tela do meu computador. Eu mal posso esperar que o dia acabe, para que eu possa me arrastar para minha cama, onde eu não tenho que ver, falar ou interagir com ninguém. Bate quatro horas, eu desligo meu computador e deixo o escritório em direção à casa da Srta. Quinn.
  10. 10. Eu chego a uma deslumbrante casa na cidade Lansdowne Crescent, na hora, e Srta. Quinn atende a porta. Estou completamente atordoada. Sua voz não condiz com a sua aparência nem um pouco. Eu a tinha como uma solteirona de meia-idade, tipo de professora de piano, mas eu não poderia estar mais longe da verdade. Ela é muito atraente, com longos cabelos loiros, grandes olhos azuis e pele pálida e suave, e ela está vestindo preto lindo, com cunho matador. Ela sorri. — Você deve ser Ava. Por favor, entre. — Ela me guia para uma cozinha da década de setenta, horrenda. — Srta. Quinn, meu portfólio. — Eu entrego-lhe meu arquivo, e ela pega-o com entusiasmo. Ela tem um sorriso, verdadeiramente, caloroso. Talvez eu tenha compreendido tudo errado. — Por favor, me chame de Ruth. Eu tenho ouvido bastante sobre o seu trabalho, Ava — diz ela, enquanto remexe de um lado a outro do arquivo. — Lusso, especialmente. — Oh, você tem? — Eu pareço surpresa, mas eu não estou. Patrick foi brilhante pela resposta da União Rococó que tinha obtido a partir da publicidade do Lusso. Eu preferiria esquecer todas as coisas relativas ao Lusso, mas isso não parece possível. — Sim, claro! Todo mundo está falando sobre isso. Você fez um trabalho incrível. Gostaria de uma bebida? — Um café seria bom, obrigado. Ela sorri e se põe a fazer a bebida. — Por favor, sente-se, Ava. Sento-me e retiro minha pasta de instruções de clientes, fazendo uma anotação de seu nome e endereço no topo. — Então, em que posso ajudá-la, Ruth? Ela ri e acena a colher em torno da direção geral do ambiente. — Precisa perguntar? É horrível, não é? — Ela exclama, voltando à função de fazer o café. Sim, na verdade, é, mas eu não estou a ponto de suspirar de horror do marrom e amarelo, com disposição em falsas paredes de tijolos.
  11. 11. Ela continua: — Obviamente, eu estou procurando por algumas ideias para transformar esta monstruosidade. Eu estava pensando em bater até o fim, assim fazendo um grande ambiente de família. Aqui, eu vou te mostrar. — Ela me entrega um café e sinaliza para eu segui-la até a sala ao lado. A decoração é tão sombria quanto da cozinha. Ela parece bastante jovem - trinta e poucos anos, talvez - por isso eu estou supondo, que ela se mexe muito aqui dentro. Este lugar não parece ter sido tocado com um pincel, nos últimos 40 anos. Após uma hora de discussões, estou confiante de que entendi o que Ruth está tentando realizar. Ela tem uma boa visão. Ela me leva até a porta da frente. — Eu vou elaborar alguns projetos de acordo com o seu orçamento e ideias, e trazê-los para você com um cronograma de meus honorários — eu digo a ela enquanto estou indo embora. — Existe alguma coisa em particular que eu deva levar em consideração? — Não, não é tudo. Obviamente, eu quero todos os luxos básicos que você esperaria encontrar em uma cozinha. — Ela estende sua mão e eu a pego, educadamente. — Uma adega para vinho. — Ela ri. — Absolutamente. — Eu sorrio com força, a menção de álcool fazendo o meu sangue gelar. — Entrarei em contato, Srta. Quinn. — Ruth, por favor! — Ela balança a cabeça. — Estou ansiosa para isso, Ava. — Ruth, claro. — Deixo Srta. Quinn, aliviada por eu ter cumprido todas as amabilidades necessárias, por agora, de qualquer maneira – até que eu encontre meu irmão amanhã. Eu me arrasto pela rua em direção à casa de Kate, esperando que ela não esteja em casa para que eu possa retirar-me para o meu quarto, antes que ela retome a missão de animar - Ava. — Ava!
  12. 12. Eu paro e vejo Sam pendurado na janela de seu carro, enquanto ele passava, lentamente, ao meu lado. — Hey, Samuel. — Eu digo em um sorriso tenso, enquanto eu continuo na caminhada. — Ava, por favor, não se junte ao seu amigo perverso, no clube VAI-A-MERDA-SAM. Eu posso ser forçado a me retirar. — Ele estaciona e sai de seu Porsche, encontrando-me na calçada em frente à casa de Kate. Ele aparenta no seu estilo descontraído habitual, com shorts, ridiculamente largos, camisetas dos Rolling Stones e seu cabelo castanho tímido, em uma bagunça desgrenhada. — Sinto muito. Você se mudou definitivamente, agora? — Eu pergunto, com uma sobrancelha arqueada. Sam tem seu próprio apartamento pretensioso, em Hyde Park, com muito mais espaço, mas com a oficina de Kate no andar térreo da casa dela, ela insiste para que ele fique no dela. — Não, eu não mudei. Kate disse que você estaria em casa por volta das seis. Eu estava esperando para te buscar. — De repente, ele parece todo nervoso, o que me faz sentir extremamente desconfortável. — Está tudo bem? — Eu pergunto. Ele oferece um pequeno sorriso, mas este não alcança sua covinha. — Não, realmente. Ava, eu preciso que você venha comigo. — Diz ele em voz baixa. — Onde? — Por que ele está agindo tão tenso? Este não parece Sam. Ele, geralmente, é tão despreocupado e sem remorso. — Para a casa do Jesse. Sam deve ter visto o olhar de horror no meu rosto, porque ele avança em minha direção com uma expressão de súplica. Apenas a menção de nome dele, me causa pânico. Por que ele quer que eu vá para casa de Jesse? Depois do nosso último encontro, você teria que me arrastar para lá, chutando e gritando. Não há nenhuma chance, no inferno, para que eu volte naquele lugar - nunca mais.
  13. 13. — Sam, eu não posso. — Eu dou um passo para trás, balançando a cabeça. Meu corpo também começa a tremer. Ele suspira e arrasta seu tênis na calçada. — Ava, estou ficando preocupado. Ele não atende ao telefone e ninguém tem ouvido falar dele. Eu não sei mais o que fazer. Eu sei que você não quer falar sobre ele, mas isso foi há quase cinco dias. Eu tenho ido ao Lusso, mas o porteiro se recusa a nos deixar subir. Ele vai deixar você. Kate disse que você o conhece. Você não pode, somente, nos levar lá em cima? Eu só preciso saber que ele está bem. — Não, Sam. Desculpe-me, eu não posso. — Eu resmungo. — Ava, eu estou preocupado que ele tenha feito algo estúpido. Por favor. Minha garganta começa a fechar e Sam caminha em minha direção com as mãos estendidas. Eu não percebi que eu estava andando para trás. — Sam, por favor, não. Eu não posso fazer isso. Ele não vai querer me ver e eu não quero vê-lo. Ele agarra minhas mãos para deter meu recuo, me puxando para seu peito e segurando-me firmemente contra ele. — Ava, eu não pediria, eu realmente não pediria, mas eu preciso entrar lá e ver como ele está. Meus ombros baixam em derrota no abraço dele, e um silencioso soluço escapa, quando eu pensava que já não havia mais lágrimas. — Eu não posso vê-lo, Sam. — Hey. — Ele se afasta e olha para mim. — Apenas consiga nos passar pelo porteiro. Isso é tudo que estou pedindo. — Ele enxuga uma lágrima perdida e sorri suplicante. — Eu não vou entrar. — Eu afirmo, com meu estômago em um nó de pânico, com a ideia de vê-lo novamente. Mas, e se ele fez algo estúpido. — Ava, é só nos levar até o apartamento dele. Concordo com a cabeça e seco as lágrimas rolando. — Obrigado. — ele me puxa em direção ao seu Porsche. — Entre. Drew e John vão nos encontrar lá. — Ele abre a porta do passageiro e me orienta para entrar no carro.
  14. 14. Com John e Drew nos encontrando lá, ele deve ter assumido que eu concordaria. Eu não posso culpar o cara por ser otimista. Entro no carro e deixo Sam me levar ao Lusso, em St. Katherine Docks - um lugar para onde eu jurei, nunca voltar.
  15. 15. Capítulo Dois Quando Lusso chega à vista, eu começo a hiperventilar. Sinto um desejo irresistível de abrir a porta e saltar do carro de Sam em movimento. Ele olha para mim, um olhar com evidente ansiedade em seu rosto bonito, como se ele sentisse a minha intenção de fugir. Uma vez que nos estávamos estacionados do lado de fora dos portões, Sam dá a volta para se juntar a mim, mantendo um controle firme sobre mim, enquanto ele nos orienta em direção aos portões de pedestres, onde Drew nos espera. Ele está vestido em sua habitual elegância, tudo adequado e esguio, com cabelo preto perfeitamente elegante, mas ele não faz mais eu me sentir desconfortável. Eu estou mais do que chocada por ele me retirar do abraço de Sam, não obstante, me puxando para ele e me apertando com força. Este é o primeiro contato real que eu já tive com o homem. Dizer que ele era retraído, seria um grande eufemismo. — Ava, obrigado por ter vindo. — Ele diz, segurando-me em seu abraço apertado. Eu não digo nada, pois realmente, não sei o que dizer. Eles estão realmente preocupados com Jesse, e eu me sinto culpada e ainda mais ansiosa agora. Ele me solta e
  16. 16. oferece um pequeno, porém um animador sorriso. Ele não faz nada para me tranquilizar, no entanto. Sam aponta para cima em direção à via. — Aqui está o grande cara. Viramos para ver John dirigindo seu Range Rover preto, derrapando com uma parada abrupta atrás do carro de Sam. Ele desliza seu grande corpo para fora, tira os óculos escuros e acena com a cabeça em saudação. Este é o habitual reconhecimento, sem palavras, de John. Bom Deus, ele parece fodido. Eu tenho apenas um breve vislumbre de seus olhos - eles estão sempre escondidos por trás daqueles óculos, mesmo à noite ou no interior, mas o sol está brilhando agora, então, por que ele os tirou está além de mim. Talvez ele queira que todos saibam o quanto ele está chateado. Ele está se esforçando. Ele parece formidável. Eu respiro fundo e insiro o código porta, empurrando-a aberta para os caras. Eu desejava que isso fosse o mais longe que tivesse que ir. Drew gesticula para mim, para mostrar o caminho, sempre um cavalheiro, assim que eu prossigo com meus pés e começo a minha caminhada pelo parque de estacionamento, em silêncio. Eu vejo o carro de Jesse e observo que sua janela ainda está em ruinas. Meu estômago vira. Entramos no hall de mármore do Lusso em silêncio, exceto pelo bater dos nossos passos. Minhas entranhas começam a se agitar, minha respiração a acelerar. Tanta coisa aconteceu neste lugar. Lusso foi a minha primeira grande realização em design. Meu primeiro encontro sexual com Jesse aconteceu aqui, assim como, Tive o meu último encontro com ele. Tudo começou e terminou aqui. Clive olha para cima de sua grande e curvada mesa de mármore, enquanto nos aproximamos com uma expressão aborrecida, gritante. — Clive. — eu digo em um sorriso forçado. Ele me olha, e, em seguida, aos três seres sinistros que me acompanham diante de seus olhos, antes de seus olhos se decidirem por mim, novamente. — Olá, Ava. Como você está? — Estou bem, Clive. — Minto. Estou longe de estar bem. — Você?
  17. 17. — Sim, eu estou bem. — Ele está cansado, sem dúvida, depois de ter alguns encontros acalorados com os três homens me escoltando, a julgar por sua recepção fria em relação a mim, eles não foram agradáveis. — Clive, eu ficaria muito grata se você pudesse nos deixar subir até a cobertura, para verificar Jesse. — Eu projetei minha voz com uma confiança contundente, mas eu não sinto nada disso. Meu coração está se acelerando a cada segundo. — Ava, eu disse a seus amigos aqui, que eu poderia perder meu emprego se eu permitisse isso. — Ele remexe o olhar, cauteloso, para os meninos — Novamente. — Eu sei, Clive, mas eles estão preocupados. — Eu digo, parecendo completamente indiferente. — Eles somente querem verificar se ele está bem, e então, eles irão embora. — Eu tento com delicadeza, uma vez que sei o quanto Drew, Sam e John teriam sido muito menos do que isso. — Ava, eu tenho ido lá em cima e batido na porta do Sr. Ward e não obtive resposta. Checamos alguns dos CCTV, e eu não o vi sair ou voltar na minha vigilância. A segurança não pode verificar cinco dias de filmagem contínua. Eu disse isso a seus amigos. Se eu deixá- los subir, é mais do que vale o meu trabalho. Estou chocada com a reviravolta repentina de Clive nas regras de porteiro. Se ao menos ele tivesse sido este profissionalismo e essa teimosia quando eu vim para ver Jesse no domingo, então, poderíamos nunca ter tido a briga que tivemos. Mas, então, eu ainda estaria, divinamente, inconsciente do pequeno problema de Jesse. Sinto Sam pressionar contra minhas costas. — Vamos subir, de qualquer forma, porra! — Ele grita por cima do meu ombro. Eu recuo um pouco, mas eu não posso culpá-lo por estar frustrado. Estou me sentindo muito frustrada. Eu só quero conseguir que eles passem por Clive e vou embora. Eu posso sentir as paredes se fechando, por todos os lados em minha direção. Eu posso ver Jesse me carregando, pelo chão de mármore, em seus braços. Todas as imagens, inundando meu cérebro, estão agora ainda mais claras por estar aqui.
  18. 18. Viro-me e vejo John com uma expressão de trovão no rosto, e sua mão no ombro de Sam, sua maneira de dizer para Sam se acalmar. Eu não queria fazer isso, mas os ânimos estão exaltados. — Clive, eu odiaria ter que recorrer à chantagem. — Eu digo firmemente, virando-me para encará-lo. Ele me olha confuso, e eu posso ver seu cérebro trabalhando, tentando pensar com o que eu poderia chantageá-lo. — Eu odiaria que qualquer um soubesse sobre os visitantes regulares do Sr. Gomez, ou a aversão de Sr. Holland por uma menina tailandesa ou duas. — Eu vejo como o rosto o rosto de Clive se contrai, em uma contorção de derrotismo. — Ava, você joga sujo, minha menina. — Você não me deixa outra escolha, Clive. — Eu cuspo. Ele balança a cabeça e sinaliza para nós irmos em direção ao elevador, enquanto murmurava insultos em voz baixa. — Brilhante! — Sam canta, enquanto eles fazem o caminho para o elevador da cobertura. Eu não tenho nenhuma ideia de como isso acontece, mas acho que meus pés estão elevando-se e dando passos atrás deles, seguindo-os até o elevador. — Jesse poder ter mudado o código. — Eu digo às suas costas. Sam oscila ao redor, parecendo alarmado. Eu dou de ombros. — Se ele mudou, então não há nenhuma maneira de chegar lá em cima. De repente, eu estava na frente do elevador, tomando uma respiração profunda e inserindo o código de acesso. Há um coro de exalações, quando as portas abrem e eles entram. Eu permaneço do lado de fora e olho para Sam, e ele sorri, sacudindo a cabeça levemente, incentivando-me a embarcar com eles. Eu vou.
  19. 19. Entro no elevador, Sam e Drew me ladeando de um lado e John, de outro. Eu digito o código novamente. Nós viajamos em um silêncio desconfortável, e quando as portas do elevador se abrem, estamos cara a cara com as portas duplas, que levam à cobertura de Jesse. Sam é o primeiro a sair do elevador, caminhando em direção à porta, sacudindo o punho com calma, antes de começar bater na porta como um louco. — Jesse! Abra a porra dessa porta! Drew e John se aproximam e o puxaram para longe, e depois John tenta ele próprio, mas isso não funciona. Eu não posso ajudar, mas acho que poderia ter sido a última pessoa a sair do apartamento. Lembro-me de fazer uma observação ao bater na porta, tão forte quanto eu podia. — Sam, amigo, ele pode até não estar aqui. — Drew acalma. — Onde diabos ele está, então? — Sam grita. — Oh, ele está aí — John ressoa. — E o filho da puta deve ter se afogado em suas tristezas, por muito tempo, até agora. Ele tem um negócio a tocar. Eu ainda estava no elevador, quando as portas começam a fechar, me tirando do meu estado atordoado. Meu reflexo natural foi colocar meu braço tentando detê-las, antes de fechar e eu saio para o hall da cobertura. Eu sei que eu disse que eu iria trazê-los até aqui e ir embora, eu sei que eu deveria apenas sair, mas ver Sam neste estado tem me deixado, ainda mais preocupada, e as palavras de John estão me dando um formigamento. Afogando- se em suas tristezas ou afogando-se na vodka? Se eu ficar, vou me defrontar com um bêbado e violento Jesse, novamente? Drew bate na porta, calmamente. É ridículo. Se o martelar incessante de Sam não obteve resposta, então, duvido que a batida cavalheiresca de Drew, obterá. Ele se afasta da porta e arrasta Sam em torno de mim. — Ava, você já tentou ligar para ele? — Drew pergunta. — Não! — Eu digo. Por que eu faria isso? Eu tenho certeza que ele não gostaria de falar comigo.
  20. 20. — Você pode tentar? — Sam pede suplicante. Eu balanço minha cabeça. — Ele não me atenderia, Sam. — Ava, você apenas pode tentar? — Drew empurra. Eu, relutantemente, pego meu celular da minha bolsa e rolo minha lista de contatos, discando Jesse e segurando meu telefone no meu ouvido, enquanto Sam e Drew assistem, nervosamente. Eu não sei o que diabos eu vou dizer se ele atender. A cabeça de Drew se encaixa em direção à porta. — Eu posso ouvi-lo tocar. — Ele volta para mim, obviamente esperando que a ligação seja atendida, mas vai para a caixa postal. Meu coração aperta. Ele não quer falar comigo. Eu vou voltar para o elevador, a ferida aumentou por sua rejeição à minha chamada, mas então, um enorme barulho sai ao redor do hall. Sam, Drew e eu, todos chicoteamos nossas cabeças em direção às portas duplas que levam à cobertura de Jesse e encontramos John, do outro lado, cercado pelo batente da porta estilhaçada. Ele acena para nós, e Sam e Drew voam em direção ao interior da cobertura. Eu sigo provisoriamente atrás deles e os únicos pensamentos, passando pela minha mente, são da minha última descoberta aqui. Por que eu estou andando desse jeito? Volte! Entre no elevador! Vai, embora AGORA! Mas eu não entrei. Eu estou à porta e pelo que posso ver, nada mudou. Tudo ainda parece estar no lugar. Eu caminho um pouco mais para a área aberta, e ouvir os caras correndo para cima e para baixo, em busca de Jesse, e como a parte inferior das escadas vem na vista, eu observo que a garrafa vazia de vodka, ainda está na mesa do console. Então, vejo as portas do terraço abertas. Eu dou passos cautelosos, próximo a elas, ainda ouvindo os caras correndo pela cobertura, portas abrindo e fechando, seu nome sendo chamado. No entanto, eu estou sendo puxada em direção ao terraço. Eu sei o porquê. É o mesmo magnetismo que me puxa para Jesse, cada vez que ele está próximo, exceto que, eu quero ver o que está além da soleira daquelas portas? Eu sei que não será o meu Jesse. Eu quero enfrentá-lo de novo quando ele está em um estado terrível, quando ele é tão cruel e odioso? Não, é claro que eu não quero, mas eu não consigo afastar-me, também.
  21. 21. Ao me aproximar das portas, tento preparar meus olhos para a bagunça bêbada, esparramada sobre uma das espreguiçadeiras, apertando uma garrafa de vodka, mas em vez disso, eu sou cumprimentada pelo corpo nu e inconsciente de Jesse, no chão do deck. Meu coração sufoca e meu pulso começa a bater nos meus ouvidos. — Ele está aqui! — Eu grito, correndo em direção ao seu corpo sem energia, jogo minha bolsa no chão, enquanto eu desmorono ao seu lado. Eu agarro seus grandes ombros para tentar virá-lo. Eu não sei de onde eu consegui força, mas eu o viro, puxando-o mais, então, sua cabeça está embalada em meu colo. Eu começo, desesperadamente, alisar as mãos sobre seu rosto barbudo, observando que sua mão ainda está inchada e machucada, com sangue seco em todos os nós dos dedos. — Jesse, acorda. Por favor, acorde. — Rogo, transmitindo histeria, quando eu olho para o homem que eu amo, inconsciente e sem responder, deitado no meu colo. Lágrimas escorrem pelo meu rosto e derramam sobre as bochechas dele. — Jesse, por favor. — Eu desesperadamente passo minhas mãos sobre o rosto, o peito e o cabelo dele. Ele parece vazio, ele perdeu peso e sua mandíbula está coberta de uma semana de barba por fazer. — Filho da puta. — John rosna, quando me encontra no terraço, com Jesse apoiado no meu colo. — Eu não sei se ele está respirando. — Eu soluço, olhando com os olhos vidrados para a montanha de homem que me persegue. Por que não tinha checado isso ainda? É a primeira regra em primeiros socorros. Eu pego seu pulso, mas minhas mãos trêmulas não me permitindo manter um apoio estável para determinar um pulso. — Aqui. — John gesticula, ajoelhando-se e tomando o braço de Jesse de mim. Eu olho para cima e vejo Sam derrapar em uma parada na porta. — O que... Lágrimas estão invadindo meus olhos, incontrolavelmente, e tudo entra em câmera lenta. Sam vem caminhando e para ao meu lado. Ele começa a esfregar meu braço.
  22. 22. — Vou chamar uma ambulância. — Drew diz urgentemente, quando nos encontra, todos aglomerados em volta da forma imóvel de Jesse. — Espere. — John grita duramente, inclinando-se sobre Jesse e puxando os lábios secos separados, inspecionando cada parte de seu corpo mole. — Filho da puta estúpido. Ele está bêbado, em um maldito coma. Eu olho para Sam e Drew, mas eu não consigo entender suas reações à conclusão de John. Como ele sabe disso? Ele pode estar meio morto para todos, John sabe. Ele certamente parece isso. — Acho que devemos chamar uma ambulância. — Eu empurro entre soluços. John olha para mim com simpatia. Eu nunca tinha visto nada, mas que uma expressão completamente impassível em seu rosto duro, então, o jeito que ele está olhando para mim agora, todo triste de como eu sou um pouco ingênua, é estranhamente reconfortante. — Ava, garota. Eu o vi assim, mais de uma vez. Ele precisa de sua cama e alguns cuidados para tirá-lo disso. Ele não precisa de um médico. Não desse tipo, de qualquer maneira. — John balança a cabeça. Oh? Quantas vezes é mais do que uma vez? John parece como se soubesse o que fazer. Ele não está muito preocupado com a condição de Jesse, deitado no meu colo, ao passo que, eu estou um desastre e histérica. Sam e Drew não estão bem, também. Eles o viram assim, antes? John aperta minha bochecha e levanta-se do chão. Eu nunca ouvi falar tanto. O grande, gigante e silencioso acaba de se tornar o grande, gigante e amigável, mas eu ainda não gostaria de cruzar com ele. — O que aconteceu com a mão dele? — Sam questiona quando a vê ensanguentada, ferida e suja. Isso, realmente, parece terrível e, provavelmente, é necessário verificar. — Ele quebrou a janela do carro dele. — eu fungo, e todos olham para mim. — Quando nós discutimos na casa de Kate. — Eu acrescento quase envergonhada. — Devemos levá-lo para cama? — Drew pergunta timidamente.
  23. 23. — Sofá. — John instrui. Voltamos às poucas palavras. Eu vejo quando Sam se levanta e recolhe uma garrafa de vodka vazia, debaixo da espreguiçadeira. Ele olha para isso com em completo desgosto e dramaticamente a quebra na lateral de um vaso alto. Eu estremeço com barulho que ecoou ao nosso redor, porem, mais significativamente, Jesse estremece também. — Jesse? — Eu o sacudo um pouco. — Jesse, por favor, abra seus olhos. Sam, Drew e John, todos se agruparam em torno de nós e o braço de Jesse, começa a movimentar-se para cima de sua cabeça, agitando em torno do ar. Eu pego seu braço e o coloco de volta ao seu lado, mas tão logo eu o solto, ele traz de volta na frente do meu rosto, murmurando de forma inaudível e agitando-se sobre suas pernas. — Ele está olhando pra você, garota. — John diz calmamente. Eu lanço um olhar chocado em John, e ele acena para mim. Ele está olhando para mim? Eu alcanço sua mão novamente e a guio para o meu rosto, espalhando sua palma da mão contra a minha bochecha. Ele instantaneamente se acalma. A palma da mão fria, no meu rosto, me oferece pouco conforto e parece acalmá-lo, então eu a mantenho lá e o deixo me sentir, apavorado que ele está, muito possivelmente, tendo ficado aqui fora, no terraço, por dias, nu e inconsciente. Pode ser fresco durante os dias de maio, mas o anoitecer traz temperaturas mais frias. Por que eu caminhei para longe dele? Eu deveria ter ficado e o acalmado, não ido embora. — Eu vou pegar algumas roupas de cama lá em cima. — Drew diz, voltando para dentro da cobertura. — Vamos? — John solicita, apontando para Jesse no chão. Eu relutantemente solto a mão de Jesse e deixo Sam e John ladeá-lo em ambos os lados para coordenar uma elevação. Quando ele foi suspenso do meu colo, eu me empurrei e corri na frente para me certificar se o caminho estava livre. Eu libero todo o couro no canto do sofá de um milhão de almofadas – com toda minha delicadeza – logo, se parece mais com uma cama quando eu termino.
  24. 24. Enquanto Drew desce as escadas com as mãos cheias de cobertores, Sam e John esperam, pacientemente, com peso do corpo nu de Jesse, equilibrado uniformemente entre eles. Eu pego um veludo lançado por Drew e o coloco sobre o couro frio, e depois retorno para John e Sam poder baixá-lo no sofá, antes apoiando a cabeça dele sobre algumas almofadas e lanço outro cobertor por sobre seu corpo nu. Eu caio de joelhos ao seu lado, passando minha mão nos lado de seu rosto mal barbeado. A tristeza se arrasta em mim, as lágrimas começam a cair novamente. Eu poderia ter evitado isso. Se eu não tivesse me enfurecido e ido embora, ele não estaria nessa situação agora. Eu deveria ter ficado, o acalmado e esperado ele ficar sóbrio. Eu me odeio. — Ava, você está bem? — Eu ouço a voz tranquila de Drew sobre os meus soluços contidos, e uma mão começa a esfregar minhas costas. Eu fungo e limpo o nariz com as costas da minha mão. — Eu estou bem, me desculpe. — Não se desculpe. — Sam suspira. Eu me inclino sobre Jesse e pouso meus lábios na sua testa, deixando-os durar por alguns segundos, e quando eu me levanto do chão, seu braço surge, abruptamente, sob o cobertor e me agarra. — Ava? — Sua voz está prejudicada e rouca, e seus olhos se abrem um pouco, procurando ao redor da sala e quando encontram os meus, tudo que posso ver são fendas vazias do nada, seu verde de costume, seus olhos viciantes margeados em negros. — Hey. — Eu pouso minha mão sobre a dele no meu braço. Ele tenta levantar a cabeça do travesseiro, mas eu nem tenho que repreendê-lo. Antes de eu ter a chance de empurrá-lo para baixo, ele desiste de tentar. — Eu sinto muito. — Ele murmura de uma maneira lastimável, sua mão começando a acariciar seu caminho até meu braço, para encontrar meu rosto novamente. — Eu sinto muito, sinto muito, sinto muito, sinto muito, sinto muito... — Pare. — Sussurro com a voz trêmula, ajudando sua mão para alcançar o meu rosto. — Por favor, pare. — Eu viro meus lábios para sua mão e beijo a palma e quando me viro para encará-lo novamente, seus olhos estão fechados. Ele foi embora de novo.
  25. 25. Tomo sua mão e a ponho no cobertor, em seguida, certifico que ele está bem coberto, antes de levantar e ao me virar, para ver Sam, Drew e John, todos de pé em silêncio, estão me observando cuidar dele. Eu tinha esquecido, completamente, que eu não estava sozinha com Jesse, mas eu não estou nem um pouco envergonhada. — Vou fazer um café. — Sam rompe o silêncio e vai para a cozinha, John e Drew o seguindo. Eu levo outro olhar para Jesse, meu instinto querendo engatinhar no sofá e aconchegar-se a ele, acariciá-lo e acalmá-lo. Eu posso fazer isso, mas primeiro eu preciso conversar com os caras. Eu os sigo até a cozinha e encontro Sam e Drew pegando banquetas e John levantando o freezer do chão. Não estava assim quando eu saí no domingo. Jesse, claramente, teve um ataque de raiva. — Eu tenho que vazar. — Drew diz pesarosamente, colocando o último banco na posição vertical. — Vou levar Victoria para sair. — Ele parece um pouco envergonhado. — Vai amigo. — Sam empurra, enquanto procura por canecas. — Eu te ligo mais tarde. — No último armário, prateleira superior à direita. — Eu dou a Sam as instruções para as canecas e ele se vira, olhando-me com curiosidade. Eu dou de ombros. — Eu estarei fora, então. Falo com você amanhã. — Diz Drew. Eu ofereço um pequeno sorriso e John faz sua marca, e acena quando Drew nos deixa, ele e Sam terminam os cafés. Ele transporta três canecas de café preto para a ilha, onde John e eu tínhamos tomado os nossos lugares. — Nós não arriscaremos o leite, isto é, se ele ainda tem algum. Preto, ok? — Sam pergunta. Concordo com a cabeça e me sirvo, John segue o exemplo, colocando incríveis quatro colheres de açúcar em seu café. Eu sei que não há leite, mas seria inútil partilhar isso.
  26. 26. — Então. — Sam começa. — Agora que o encontramos, o que vamos fazer com ele? — Ele brinca. Despreocupado, Sam está de volta e isso é um alívio. Vê-lo tão carregado, só tinha alimentado minha preocupação, e como isso terminou, ele teve todos os motivos para estar ansioso. Eu, no íntimo, estremeço só de pensar em Jesse sozinho e sofrendo, durante os últimos cinco dias. Quanto tempo será que ele teria ficado lá se eu tivesse me recusado a vir? Eles teriam, certamente, ligado para a polícia. John fala. — Tudo está funcionando perfeitamente na Mansão. Nós não temos que nos preocupar com isso. Ele estará de volta ao normal, depois de se cuidar por uma semana, dessa longa ressaca. — Será que ele não precisa ir para uma reabilitação? — Eu pergunto. — Ou terapia, eu não sei. — Eu não tenho nenhuma ideia de como essas coisas funcionam. John balança a cabeça e coloca seus óculos de volta, e eu começo a me perguntar sobre sua afinidade com Jesse. Eu pensei que ele fosse apenas um empregado, mas ele parece ser o único que sabe sobre tudo isso. — Sem reabilitação. — John afirma com firmeza. — Ele não é um alcoólatra, no sentido clássico da palavra. Ele não é obcecado com o álcool, Ava. Bebeu para clarear seu mau humor, para preencher uma lacuna. Uma vez que ele começa, ele não pode parar. — Ele me oferece um pequeno sorriso. — Você ajudou, menina. — O que eu ajudei? — Pergunto, defensivamente. Eu não sei por que eu soei tão ferida, pela declaração de John. Ele apenas disse que eu ajudei na situação, mas não posso deixar de sentir que ele está insinuando que eu poderia ter ajudado bastante com a recaída. Sam coloca sua mão sobre a minha na bancada. — A atenção dele estava focada em outro lugar. — Mas então, eu o deixei. — Eu digo baixinho. Só estou confirmando o que ambos estão pensando. Nós não estávamos juntos, no sentido de casal para eu deixá-lo, no entanto. Nada tinha sido estabelecido, a respeito de onde ambos estavam. Nós nunca conseguimos colocar as cartas na mesa ou resolver essa merda.
  27. 27. — Não é culpa sua, Ava. — Sam me tranquiliza com firmeza. — Você não sabia. — Ele nunca me disse. — eu sussurro. — Se eu soubesse, as coisas teriam sido diferentes. — Eu ainda estou me defendendo. Eu não sei como as coisas teriam sido diferentes, se Jesse tivesse me dito, ou se eu tivesse percebido isso por mim mesma. O que sei é que nunca mais quero ver Jesse novamente, como ele estava no último domingo. Se eu partir agora, isso vai acontecer de novo? Ou eu poderia ficar e ajudá-lo, mas eu estaria fazendo isso por culpa ou porque eu o amo? Ele pode, ainda, não me querer aqui. Ele estava muita bravo comigo. Minha cabeça está uma mistura confusa. Eu apoio meus cotovelos no balcão e planto minha cabeça em minhas mãos. O que diabos penso em fazer? — Ava? — Profundo estrondo de John puxa minha mente de volta. — Ele é um bom homem. — O que o fez beber? Quão ruim é isso? — Eu pergunto. Eu sei que ele é um bom homem, no fundo, mas se eu souber mais eu posso entender melhor. — Quem sabe? — John reflete, e, em seguida, olha para mim. — Não fique pensando que ele fica bêbado durante todo o dia, todos os dias. Ele não fica. Como ele está agora, isso é apenas por causa da infelicidade, não porque ele seja um alcoólatra. — E ele não bebeu desde quando eu apareci? — Eu não posso acreditar nisso. John ri. — Ele não bebeu, apesar de você ter trazido algumas outras qualidades, bastante desagradáveis nele, menina. Eu franzo a testa, mas eu sei exatamente, do que John está falando, e assim faz Sam olhar em seu rosto bochechudo. Eu tenho dito que Jesse é, geralmente, um tipo bastante descontraído, mas eu apenas tenho visto trechos de um Jesse Ward descontraído, e que foi, principalmente, quando ele estava buscando seu próprio caminho. Na maioria das vezes, tudo o que eu tenho visto, é um insensato maníaco por controle. Ele mesmo já admitiu, que ele só gosta disso comigo... Sorte a minha. O que eles enfrentariam com ele se eu fosse embora de novo? — Eu vou ficar, mas se ele voltar a si e não me quiser aqui, eu vou chamar um de vocês dois. — Eu adverti. Sam visivelmente fraqueja. — Isso não vai acontecer, Ava.
  28. 28. John concorda. — Preciso voltar para a Mansão e tocar o negócio desse filho da puta. — Ele se levanta da banqueta. — Ava, você precisa do meu número. Onde está o seu telefone? Eu olho em volta para minha bolsa e percebo que a deixei no terraço, então eu levanto em um salto e deixo Sam e John na cozinha, enquanto eu vou buscá-la. No meu caminho de volta para a cozinha, vejo que Jesse ainda está fora do ar. Quanto tempo ele ficará assim e até que ponto devo, realmente me preocupar? Eu não tenho ideia do que devo fazer. Eu fico olhando para ele, em silêncio, seus cílios piscando levemente, o peito dele levantando e descendo constantemente. Mesmo inconsciente, ele parece perturbado. Eu me aproximo calmamente e puxo o cobertor até seu queixo. Eu não posso ajudá-lo. Eu nunca cuidei dele antes, mas é instintivo. Eu me ajoelho e pouso meus lábios em sua bochecha fria, absorvendo o pouco de conforto pelo contato antes de ficar em pé e voltar para a cozinha. John tinha ido. — Aqui — Sam me passa um pedaço de papel. — Número do John. — Ele estava com pressa? — Eu questiono. Ele poderia ter esperado por mim. — Ele nunca perde mais tempo do que o necessário. Ouça, eu falei com Kate. Ela está trazendo algumas roupas a mais para você. — Oh, tudo bem. — Minhas pobres roupas vão se perguntar onde moram. Elas foram transportadas de volta para este lugar em várias ocasiões. — Obrigado, Ava. — Sam diz com sinceridade. — Não me agradeça. — Eu protesto, sentindo-me desconfortável, especialmente porque isto é, em parte, culpa minha. Sam caminha, nervosamente. — Eu sei. É só que... Bem, depois de último domingo, todo o choque na Mansão. — Não, Sam.
  29. 29. — Quando ele bebe, ele efetivamente bebe. — Sam ri levemente. — Ele é um homem orgulhoso, Ava. Ele vai ficar mortificado por termos visto ele desse jeito. Eu imagino que ele ficará. O Jesse que eu conheço é forte, confiante, dominador e um montão de outras coisas. Fraco e indefeso não estão incluídos na longa lista de atributos de Jesse. Eu queria dizer a Sam que a Mansão e suas atividades têm sido diluídas pelo problema com a bebida, mas ele não tem. Não é verdade. Agora estou aqui e eu tenho que manter meus olhos em Jesse novamente, está tudo berrando alto na minha cabeça. Jesse é dono de um clube de sexo. Ele também usa as facilidades do seu próprio clube. Sam confirmou isso, apesar de que isso foi notoriamente óbvio, quando eu me confrontei com o marido de uma das conquistas de Jesse. Eu sabia que, no fundo, ele mesmo se colocou nisso, ele era um playboy buscando prazer, mas eu certamente não imaginei como. Passamos a próxima hora recolhendo embalagens vazias de todo o apartamento, e despejando-as em alguns sacos do lixo preto. Eu esvaziei a geladeira de mais vodka, derrubando tudo pia abaixo. Estou abismada do quanto ele tinha carregado até lá; ele deve ter comprado um engradado cheio do produto. É óbvio que ele planejava ficar aqui sozinho, com a sua vodka, por um bom tempo. Eu sei de uma coisa, porém, eu não vou beber nunca mais. Clive interfona para dizer que há uma jovem senhora, no hall de entrada, de nome Kate, e depois de eu ter avisado Clive, o que tínhamos encontrado, descemos para encontra- la, cada um arrastando um saco de lixo preto, cheio de lixo e garrafas vazias. Faço uma nota mental para verificar a porta de fora danificada. Quando chegamos ao hall de entrada, Kate está esperando sob a observação atenta de Clive. — Hey. — ela diz com cautela quando nos aproximamos, arrastando sacos de lixo, que faziam barulho metálico, conosco. — Como ele está? Eu libero o saco, causando mais barulho estridente, e dou a Clive um olhar fixo, apenas para deixá-lo saber que eu estou realmente irritada com ele. Se ele tivesse deixado
  30. 30. Sam, Drew ou John subir até cobertura de Jesse antes de agora, poderíamos tê-lo, apenas, o encontrado bêbado, ao invés de em completo estado de coma. Ele tem a decência de olhar desculpando-se. — Ele está adormecido. — Sam responde a ela, quando torna-se óbvio que estou muito ocupada, fazendo Clive se sentir culpado. Quando volto minha atenção de volta a Kate, vejo Sam deslizar seu braço livre ao redor dela e lhe dando um abraço. Ela o afasta longe de brincadeira. — Aqui. — Kate me passa o minha sacola para a noite. Essa coisa está como um ioiô, entre a casa de Kate e o Lusso. — Eu só joguei algumas coisas e tudo que estava dentro. — Obrigado. — Eu pego a sacola. — Então, você se hospedará aqui, então? — Ela pergunta. — Sim. — eu respondo em um encolher de ombros. Sam me dá aquele olhar apreciativo, e eu imediatamente, me sento desconfortável novamente. — Por quanto tempo você ficará? — Kate pergunta. Esse é um ponto. Por quanto tempo? Quanto tempo essas coisas levam? Ele poderia acordar hoje à noite, ou poderia ser amanhã ou no dia seguinte. Eu tenho um trabalho a fazer e um apartamento para encontrar. Eu olho para Sam por alguma pista, mas ele encolhe os ombros, assim não ajuda em nada. Eu olho para trás, para Kate e encolho os ombros também. De repente, me dou conta de que deixei Jesse, lá em cima, e começo a entrar em pânico. Ele pode acordar e ninguém estará lá. — Eu tenho que voltar lá para cima. — Eu digo, olhando para trás em direção aos elevadores. — Claro, vá. — Kate me enxota com a mão e pega o saco de lixo do chão. — Vamos nos livrar deles. Nós dissemos nosso adeus e eu prometi ligar pra ela de manhã. Antes de voltar para o elevador, no meu caminho, instruo Clive para arrumar da janela do carro de Jesse e a porta de seu apartamento. Ele, naturalmente, vai diretamente para isso.
  31. 31. Quando eu chego de volta no andar de cima, fecho a porta, mas não totalmente segura. Isso vai ficar assim até que o homem que faz os reparos conserte, no entanto. Eu passo na sala de estar e vejo que Jesse ainda está dormindo. Então, o que eu faço agora? Eu olho para o meu corpo e percebo que eu ainda estou com meu vestido cinzento-acastanhado e saltos, então, eu vou para cima, me fixando no quarto simples, na extremidade final do corredor. Cambaleio ao encontrar todos os travesseiros no chão e os lençóis amarrotados da minha breve passagem, antes de Jesse ter me transportado de volta para a cama dele, depois do massacre do vestido. Eu arrumo tudo na cama e, em seguida, me troco colocando os meus jeans rasgados e uma camiseta preta. Eu poderia tomar um banho, mas não quero deixar Jesse sozinho por muito tempo. Isso vai ter que esperar. Caminho de volta para baixo faço um café preto e quando eu estou tomando-o na cozinha, eu imagino que seria uma boa ideia ler sobre alcoolismo. Jesse deve ter um computador em algum lugar. Eu vou em busca de um e encontro um laptop em seu escritório. Eu o ligo, e fico imensamente aliviada quando ele não solicita uma senha. Este homem tem problemas com segurança pessoal. Eu o levo e desço as escadas e instalo-me na poltrona em frente a Jesse, para que eu possa manter os olhos nele. Abrindo o Google, eu digito “Alcoólatras” e sou presenteada com dezessete milhões de resultados. No topo da página, no entanto, há “Alcoólicos Anônimos”. Esse seria um bom lugar para começar, eu suponho. John pode ter dito que Jesse não é alcoólatra, mas eu tenho minhas dúvidas. Após algumas horas de navegação na internet, eu sinto como se minhas células cerebrais estivessem eletrocutadas. Há muito mais coisa para ser absorvida, efeitos a longo prazo, problemas psiquiátricos, sintomas de abstinência. Eu li um artigo sobre traumas de infância graves, que levam ao alcoolismo, o que me faz pensar, se algo aconteceu a Jesse quando ele era um menino, a cicatriz em seu abdômen, surge em minha mente imediatamente. Existem também ligações genéticas, então eu me pergunto se um dos seus
  32. 32. pais era alcoólatra? Estou bombardeada com informações, e não sei o que fazer com nada disso. Estes não são o tipo de perguntas que você apenas chega e pergunta. Minha mente retorna ao domingo passado e às coisas que ele me disse. — Você é uma provocadora idiota de merda, Ava. Eu precisei de você e você me deixou. — Então, eu o tinha deixado... novamente. Ele disse que não me contou, porque ele não queria que eu tivesse outra desculpa para deixá-lo, mas então, ele disse que não era um alcoólatra. John disse a mesma coisa. Se ele tem um problema e se envolve álcool, então isso não faz dele um alcoólatra? Eu fecho o laptop em exasperação e o coloco na mesa de café. São apenas dez horas, mas estou totalmente exausta. Eu não quero subir para a cama, pois caso ele acorde e eu não quero tornar-me confortável, então eu reúno algumas almofadas, arrumo no chão, ao lado dele e me deito, descansando minha cabeça no sofá e acariciando os pelos de seus braços tonificados. O contato com ele me relaxa e não demora muito até que meus olhos fiquem pesados e eu esteja à deriva.
  33. 33. Capítulo Três — Eu te amo. Estou vagamente consciente de sua mão segurando a parte de trás da minha cabeça, os dedos atravessando o meu cabelo, e isso é tão reconfortante... tão certo. Abro os olhos e estou de frente a uma versão mais maçante de verde que conheço tão bem. Eu pulo e bato meu tornozelo na mesa de café. — Merda! — Eu amaldiçoo. — Cuidado com a boca! — Ele me repreende com sua voz enérgica e quebrada. Eu agarro meu tornozelo, mas então, eu acordo completamente e lembro onde eu estou. Eu fico em pé e viro meu olhar para o sofá, encontrando Jesse um pouco sentado, parecendo terrível, mas pelo menos, ele está acordado. — Você está acordado! — Eu grito. Ele estremece, segurando a cabeça com a mão boa. Oh merda! Ele deve estar com a ressaca do inferno e eu aqui gritando como uma alma penada. Volto os poucos passos, necessários para encontrar a cadeira atrás de mim, e depois me abaixo no assento. Eu não tenho ideia nenhuma do que dizer a ele. Eu não vou perguntar
  34. 34. como ele está sentindo, pois é bastante óbvio, e eu não vou atingi-lo com um discurso sobre segurança pessoal ou por ignorar a sua saúde. Eu realmente quero perguntar se ele se lembra da nossa briga. O que devo fazer? Eu não sei, então eu resolvo me sentar, com as mãos no meu colo e calar a boca. Eu olho para ele, olhando para mim e minha mente está girando com as coisas que eu quero dizer, nenhuma das quais eu posso. Eu quero dizer-lhe que eu o amo, para começar. E eu quero perguntar por que ele não me disse que é dono de um clube de sexo, ou que ele tem um problema com bebida. Ele está se perguntando o que eu estou fazendo aqui? Será que ele quer que eu saia? Oh, Deus, ele precisa de uma bebida? O silêncio está me matando. — Como você está se sentindo? — Eu deixo escapar, desejando, imediatamente, que eu tivesse mantido minha boca fechada. Ele suspira e inspeciona a mão ferida. — Merda. — Expressa bruscamente. Oh, tudo bem. Agora, o que eu digo? Ele não parece satisfeito em me ver, absolutamente, então, talvez eu deva ir antes que eu o empurre para quebrar outra garrafa aberta. Ele vai ter de ir comprar um pouco mais, no entanto. Isso será, provavelmente, mais de uma razão para ele ficar com raiva de mim. Eu decido que ele deve precisar de algum líquido, então eu me levanto e vou em direção à cozinha. Vou dar-lhe um pouco de água e depois eu vou embora. — Onde você está indo? — Pergunta ele, um pouco em pânico e levantando do sofá. — Achei que você, talvez, precisasse de um pouco de água. — Eu asseguro-lhe, meu coração se exalta um pouco. Ele não quer me deixar ir. Eu tenho visto essa expressão muitas vezes. O excesso de controle dominador, geralmente o acompanha depois que ele me imobiliza em algum lugar, mas não vou colocar minhas esperanças muito além. Ele não tem força para me perseguir, prender ou dominar no momento. Estou desapontada. Ele se fixa em minha resposta, e eu continuo o meu caminho para a cozinha, olhando para o relógio do forno enquanto pego um copo. Oito horas. Eu dormi por dez horas seguidas. Isso não acontece desde que... bem, desde que eu tinha terminado com Jesse.
  35. 35. Eu pego uma garrafa de água na geladeira e encho o copo, antes de perambular de volta ao vasto espaço aberto, para encontrar Jesse sentado no sofá, com a cabeça entre as mãos, o cobertor reunido em seu colo. Quando eu chego, ele levanta o olhar para o meu e os nossos olhos se prendem. Eu entrego-lhe a água. Com a mão boa, ele pega o copo, seus dedos pousam sobre o meu. Eu retiro o meu rapidamente, a água espirrar para fora do copo. Eu não sei por que isso aconteceu, e a expressão em seu rosto, me faz sentir instantaneamente sem coração. Ele está tremendo terrivelmente, e eu estou me perguntando se é abstinência. Tenho certeza de que li tremores como um sintoma, juntamente com uma lista de outros sinais. Ele segue os meus olhos em direção a sua mão e balança a cabeça. Isso é estranho. As coisas nunca foram assim entre nós. Nenhum de nós sabe o que dizer. — Quando foi a última bebida? — Eu pergunto. Este é elefante rosa no território da sala, mas eu tenho que dizer alguma coisa. Ele bebe sua água e depois despenca para trás no sofá, aparecendo seus músculos abdominais, agora mais nítida, sua ligeira perda de peso. — Eu não sei. Que dia é hoje? — — Sábado. — Sábado? — Pergunta ele, obviamente chocado. — Foda. Eu estou supondo que isso significa que ele perdeu muito tempo, mas ele não pode ter estado nesta cobertura, por cinco dias contínuos, embriagado. Certamente, ele estaria morto? E depois o silêncio cai de novo, e eu me encontro voltando para a cadeira em frente a ele, girando meus polegares e procurando no meu cérebro, a coisa cerca a dizer. Eu odeio isso. Normalmente eu pensaria duas vezes antes de mergulhar nele, jogando meus braços ao redor dele e deixando-o sufocado completamente, mas ele está tão frágil, no momento, o que é uma loucura, considerando sua altura, sua estrutura está um pouco mais magra. Meu forte birrento está reduzido a uma confusão trêmula. Isso está me matando. E além de tudo isso, eu nem sei se ele me quer. Eu não tenho certeza se realmente quero isso também. Este homem não é o homem por quem me apaixonei. Esse é o verdadeiro Jesse?
  36. 36. Ele se senta e brinca com seu copo, pensativo, a visão familiar das engrenagens girando é confortante, é um pequeno pedaço dele, que eu reconheço, mas eu não posso suportar esse silêncio. — Jesse, há alguma coisa que eu posso fazer? — Pergunto desesperadamente, enquanto silenciosamente, imploro para que ele me dê alguma coisa - qualquer coisa. Ele suspira. — Há muitas coisas que você pode fazer, Ava. Mas eu não posso lhe pedir para fazer qualquer um delas. — Ele não olha para mim. Eu quero gritar com ele, dizer a ele o que fez comigo. Sentar aqui olhando para ele, todo despenteado e traçando a borda do copo, está apenas reforçando o lado sensível do instinto de fuga do meu cérebro. — Você quer um banho? — Eu pergunto. Eu não posso mais ficar em silêncio. Eu vou arrancar meus cabelos. Ele se inclina para frente e estremece. — Claro. — Ele murmura. Eu o assisto lutar para ficar em pé, e me sinto como uma vaca fria por não ajudá-lo, mas eu não sei se ele quer que eu o ajude, assim como, não tenho certeza se posso ajuda-lo. O clima entre nós está muito estranho. Quando ele levanta, os cobertores caem a seus pés e ele olha para seu corpo nu. — Merda. — Ele amaldiçoa, descendo para recuperar um dos cobertores. Ele o envolve em torno de sua cintura e se vira para mim. — Sinto muito. — Diz ele em um encolher de ombros. Desculpe? Como se eu não o tivesse visto antes - muitas vezes, na verdade. Em suas palavras, não há um lugar no meu corpo que o dele não esteve, dentro, por cima ou sobre ele. Meus ombros inclinam e eu suspiro quando começo a andar com ele até as escadas para a suíte máster. Demora um pouco, e estamos cercados pelo silêncio desconfortável, durante todo o caminho, mas conseguimos, eventualmente. Eu não sei por quanto tempo mais eu posso ficar aqui. Isto está há um milhão de quilômetros de distância do que eu estou acostumada, com esse homem.
  37. 37. — Um banho de banheira seria melhor? — Eu pergunto, andando na frente para o banheiro. Ele parece exausto depois de sua caminhada e de subir as escadas, manter-se em pé no chuveiro não vai ser divertido. Um bom mergulho da musculatura na banheira, provavelmente, vai ajudar. Ele dá de ombros novamente. — Eu suponho que sim. Ok, eu vou dar um banho nele, e então eu vou embora. Eu não posso fazer isso. Este é o homem que eu estava começando a achar que conhecia, por quem eu estava esperando desesperadamente conhecer, mas eu estou destruída por descobrir que eu, absolutamente, não o conheço - nem mesmo um pouco. Vou ligar para John e ver o que ele sugere. Eu não sirvo para isso. Ele está inibido, afastado e todas as coisas dolorosas que ele gritou para mim, durante a nossa briga, estão ficando cada vez mais nítidas e claras, quanto mais continuamos. Por que eu entrei naquele elevador? Dirijo-me à torneira misturadora gigante e ponho a minha mão sob esta, até que a temperatura esteja certa, tentando o meu melhor para não pensar na conversa da banheira e o fato de que Jesse é o autoproclamado homem da banheira, agora - mas apenas quando estou dentro dela com ele. Eu aperto o botão do plugue e deixo a água correr, sabendo que a coisa gigante vai demorar um tempão para encher. Viro-me e fico cara a cara com a pia do banheiro. Foi aí que tivemos nosso primeiro encontro sexual. Este banheiro era o lugar onde tomávamos banho juntos, banhos de banheira juntos e tínhamos muitas sessões de sexo picante juntos. Foi também onde eu o vi pela última vez. Pare! Eu balanço meus pensamentos para longe e me ocupo tentando encontrar algum banho de imersão, no geral, vagando sobre isso, enquanto Jesse está encostado na parede em silêncio. Como eu sabia que aconteceria, a banheira leva uma eternidade para encher, e eu começo a desejar que eu tivesse apenas o empurrado para o chuveiro.
  38. 38. Finalmente, está cheia o suficiente. — Pronto. — Digo logo, saindo do banheiro. Eu nunca me senti compelida a fugir de sua presença. Eu passo para fora, irritada e fugindo do toque dele, por medo de perder minha cabeça, mas eu nunca quis, verdadeiramente, ir embora. Agora, eu quero. — Você está agindo como uma estranha. — Diz ele em voz baixa, enquanto alcanço a porta, me parando em meu caminho. Isto é muito doloroso. Eu não viro. — Eu me sinto como uma estranha. — Eu digo baixinho, engolindo em seco e tentando impedir as agitações, que estão ameaçando invadir meu corpo. O silêncio se instala de novo, informações diferentes pendentes na minha cabeça. Eu realmente não sei o que fazer para solucionar. Eu pensei que a dor não poderia se tornar pior. Eu pensei que já estava no nível mais baixo do inferno. Eu estava errada. Vê-lo assim é incapacitante para mim. Eu preciso ir embora e continuar com a minha batalha para esquecer este homem. Eu sinto que retroagi alguns passos, agora que eu o vi de novo, mas a verdade é que eu, não tinha feito qualquer progresso em minha recuperação. Se qualquer forma, isso fará com que todo o processo doloroso seja mais fácil. — Por favor, olhe para mim, Ava. Meu coração corre velozmente até minha garganta com suas palavras, que são um apelo, ao invés da exigência habitual. Até a sua voz soa diferente. Não é a familiar, profunda, rouca, o ruído sexy que eu conheço. Agora, ela está arruinada e quebrada. Ele está arruinado e quebrado, o que significa que estou arruinada e quebrada. Eu, lentamente, giro para enfrentar o homem que é um estranho para mim, encontrando o seu lábio inferior preso entre os dentes, quando ele olha para mim através dos ocos olhos verdes. — Eu não posso fazer isso. — Eu me viro e saio, meu coração batendo forte, mas ficando mais lento ao mesmo tempo. Ele vai parar em breve. — Ava! Eu o ouço vindo depois de mim, mas eu não olho para trás. Ele não está em sua força total, então essa pode ser a única vez que eu realmente vá escapar dele. O que eu estava
  39. 39. pensando vindo para cá? Flashbacks do domingo passado sobrecarregam minha cabeça, enquanto eu atinjo as escadas, rápido, minha visão embaçada, minhas pernas dormentes. Quando eu chego ao final da escada, sinto o aperto familiar de sua mão ao redor de meu pulso, e eu entro em pânico, precipitando-me para afastá-lo de mim. — Não! — Eu grito, freneticamente tentando me libertar de seu domínio duro. — Não me toque! — Ava, não faça isso. — Ele implora, agarrando o meu outro pulso e me segurando em sua frente. — Pare! Eu desmorono no chão, sentindo-me impotente e frágil. Eu já estou quebrada, mas ele pode fracionar o golpe final que vai acabar comigo de vez. — Por favor, não. — Eu soluço. — Por favor, não torne isso mais difícil. Ele cai no chão comigo, me puxando para seu colo e me sufocando completamente. Eu soluço sem parar, em seu peito. Não posso controlar isso. Seu rosto pressiona em meu cabelo. — Sinto muito — ele sussurra. — Estou muito, muito arrependido. Eu não mereço, mas me dê uma chance. — Ele me aperta com força. — Eu preciso de uma nova chance. — Eu não sei o que fazer. — Estou sendo honesta. Eu, realmente, não sei o que fazer. Eu sinto a necessidade de escapar dele, mas, ao mesmo tempo, eu sinto a necessidade de ficar e deixá-lo fazer melhorar as coisas. Mas, se eu ficar serei levada a um golpe de morte? Ou, se eu sair, isso vai ser o golpe de morte? Para nós dois? Tudo o que conheço é o forte, seguro e confiante Jesse, o Jesse que se choca quando eu o desafio, me maltrata quando eu ameaço deixá-lo e me fode até que eu esteja delirando. Este está extremamente distante daquele homem. — Não fuja de mim, novamente. — Ele implora, me segurando apertado. Percebo que seus tremores abrandaram. Eu me inclino para trás, limpando meu rosto, manchado de lágrimas, com as costas da minha mão, meus olhos fixos em seu estômago, sua cicatriz enorme e mais evidente do que
  40. 40. nunca. Eu não posso olhar para os seus olhos. Eles não são mais familiar para mim. Eles não estão escuros, com raiva ou brilhantes de prazer - não se estreitaram ferozmente ou estão cobertos com luxúria por mim. Eles são fendas vazias de nada, sem nenhum conforto para me oferecer. Apesar disso, porém, eu sei que se eu sair por aquela porta, estarei liquidada. Minha única esperança é ficar, encontrar as respostas que eu preciso e rezar para que elas não me destruam. Ele tem o poder de me destruir. Sua mão fria desliza debaixo do meu queixo, e puxa meu rosto para o dele. — Eu vou fazer isso dar certo. Eu vou fazer você lembrar, Ava. Eu olho em seus olhos e vejo a determinação através da névoa de verde. Determinação é bom, mas isso erradica a dor e a loucura que tinha vindo antes disso? — Você pode me fazer lembrar à maneira convencional? — Pergunto seriamente. Não é uma piada, embora ele sorri um pouco. — Eu farei disso, minha missão, meu objetivo. Eu farei qualquer coisa. Suas palavras, uma repetição da noite de lançamento do Lusso, foram ditas com tanta determinação quanto naquela época. Ele manteve sua promessa para provar que eu queria. Uma pequena centelha de esperança ilumina o meu coração carregado, e eu afundo meu rosto de volta em seu peito, agarrando-o. Eu acredito nele. Uma tranquila expiração de ar dos lábios dele, enquanto ele me puxa para mais perto e me segura como se sua vida dependesse disso. Provavelmente dependa. E a minha também. — Seu banho vai ficar frio. — Murmuro em seu peito nu, quando ainda estamos estagnados no chão, em um abraço, algum tempo depois. — Eu estou confortável. — Ele reclama, e eu encontro um pedaço familiar de Jesse em seu tom. — Você precisa comer também — eu informo, sentindo-me estranha distribuindo instruções para ele. — E essa mão precisa se vista também. Dói?
  41. 41. — Como o inferno — Ele confirma. Eu não estou surpresa. Parece horrível. Espero que ela não esteja quebrada, porque cinco dias sem qualquer tratamento médico, pode ter feito os ossos assentar fora do lugar. — Vamos. — Eu me retiro de seu aperto viciante. Ele resmunga, mas me libera. Levantando-me, eu levo minha mão para ele, e ele olha para mim com um pequeno sorriso antes de tomá-la e levantar-se do chão. Nós caminhamos em silêncio até as escadas, de volta para o suíte máster. — Entre você e comece. — Eu ordeno calmamente, apontando para o banho. — Você está fazendo exigências? — Suas sobrancelhas sobem. Ele, obviamente, percebe a peculiar inversão, também. — Parece que sim. — Eu aceno para o banho. Ele começa a morder seus lábios, sem fazer qualquer tentativa de entrar no banho. — Você vai entrar comigo? — Ele pergunta em voz baixa. De repente eu me sinto estranha e fora do lugar. — Não posso. — Eu balanço minha cabeça e recuo ligeiramente. Isso vai contra todos os meus impulsos, mas sei que tão longo eu me renda ao seu afeto e seu toque, vou ser desviada do meu objetivo de endireitar a cabeça, para obter respostas. — Ava, você está me pedindo para não tocá-la. Isso vai contra todos os meus instintos. — Jesse, por favor. Eu preciso de tempo. — Não é normal, Ava. Para mim, não tocar você, não é justo. Ele está certo, mas eu não posso me permitir ser engolida por ele. Eu preciso manter a cabeça no lugar, porque assim que ele põe suas mãos em mim, eu fico dispersa. Eu não digo nada. Eu apenas olho para a banheira, novamente, antes de voltar os olhos para ele. Ele balança a cabeça, não envolvendo o cobertor em torno de sua cintura antes de entrar na banheira, abaixando-se cautelosamente na água. Eu pego um frasco da pia do banheiro, e me agacho ao lado da banheira para lavar o cabelo dele.
  42. 42. — Isso não é o mesmo, sem você aqui comigo. — Ele resmunga, inclinando-se para trás e fechando os olhos. Eu ignoro sua queixa e começo a lavar seu cabelo e ensaboar bem seu corpo, da cabeça aos pés, lutando contra a excitação inevitável fluindo através de mim com o toque. Demorando em torno de sua cicatriz em seu abdômen, pensativa, eu calmamente espero instiga-lo a explicar sobre ela. Isso não acontece. Ele mantém os olhos cerrados e a boca fechada. Tenho a sensação de que isso será uma viagem difícil. Ele nunca oferece informações, e ele evita as minhas perguntas com uma severa advertência ou táticas de distração. Eu não posso deixar isso acontecer novamente. Isso vai levar toda a minha energia e força de vontade. Não é normal, para mim, fugir dele. Eu corro minha mão pelo seu rosto áspero. — Você precisa se barbear. Ele abre os olhos e leva sua mão boa ao queixo, acariciando a barba. — Você não gosta? — Eu gosto de você de qualquer maneira que vier. Só não bêbado! O olhar fugaz que passa sobre seu rosto, quase me convence de que ele lê a minha mente, mas em seguida, ele provavelmente deve estar pensando exatamente a mesma coisa. — Eu não vou tocar em mais uma gota novamente. — Ele declara confiante, garantindo que mantenha nossos olhos fixos um no outro, enquanto ele faz o seu voto. — Você parece confiante. — Eu replico calmamente. — Eu estou. — Ele se senta mais acima na banheira e se vira para mim, levantando a mão machucada para tocar meu rosto, fazendo uma careta, quando ele percebe que não pode. — Eu quero dizer isso, nunca mais. Eu prometo a você. — Ele soa tão sincero. — Eu não sou um delirante alcoólatra, Ava. Admito que me empolgo, uma vez que eu tenha uma bebida, eu encontro dificuldade em parar, mas posso me controlar ou deixar isso. Eu estava em um momento ruim, depois que você me deixou. Eu só queria paralisar a dor.
  43. 43. Meu coração aperta em meu peito, e eu sinto uma sensação de alívio misturada com um pouco de dúvida. Todo mundo fica um pouco entusiasmado quando eles tomam uma bebida, certo? — Eu estou de volta. — eu observo o passado dele, tentando juntar o que eu preciso dizer. Milhões de palavras foram atropeladas na minha mente durante dias, mas agora eu não consigo pensar em nenhuma delas. — Por que você não me contou isso antes? É isso o que você quis dizer, quando disse que iria causar mais danos, se eu saísse? Ele deixa cair a cabeça. — Isso foi uma coisa de merda a dizer. — Foi. Ele retorna o olhar para mim. — Eu só queria que você ficasse. Fiquei espantado quando você me disse que eu tinha um belo hotel. — Ele sorri um pouco, e eu me sinto uma idiota. — As coisas ficaram muito intensas, muito rapidamente. Eu não sabia como lhe dizer. Eu não queria que você fugisse novamente. Você continuou fugindo. — Ele soletrou as últimas palavras, claramente, ainda frustrado por eu ter fugido dele. No entanto, eu estava certa. O tempo todo eu estava certa ao tentar escapar dele. — Não fui muito longe, não é? Você não vai me deixou. — Eu iria te contar. Você não deveria ir a Mansão assim. Eu não estava preparado, Ava. Isso foi muito óbvio. Todas as vezes que eu tinha ido ao suposto hotel, eu tinha sido acompanhada ou confinada no escritório de Jesse. Tenho certeza de que as pessoas foram alertadas ao falar comigo, e ninguém se aproximou de Jesse, quando eu estava com ele. E ele está certo, as coisas ficaram muito intensas, muito rapidamente, mas isso não tinha nada a ver comigo. Deus, há muito o que conversar. Preciso saber sobre as coisas, e ele tem que conseguir me dizer. A pequena criatura desagradável, em quem Jesse bateu na Mansão, tinha algumas coisas muito interessantes a dizer. Será que Jesse teve um caso com a esposa dele? Tantas perguntas. Eu suspiro. — Vamos lá, você está enrugando. — Pego uma toalha nas mãos, e ele reflete o meu suspiro, antes de empurrar-se sobre o lado da banheira, com a mão boa. Ele sai e eu deslizo a toalha sobre seu corpo, enquanto ele me observa de perto.
  44. 44. Os cantos dos seus lábios levantam, ligeiramente, o semblante de um sorriso, quando eu chego ao seu pescoço. — Algumas semanas atrás, eu estava cuidando da sua ressaca. — Diz ele em voz baixa. — Eu aposto que sua cabeça está muito pior do que a minha estava. — Eu mandei embora as lembranças dele e prendi a toalha ao redor da cintura. — Comida e depois hospital. — Hospital? — Ele diz bruscamente, com a voz assustada. — Eu não preciso de um hospital, Ava. — Sua mão. — Eu esclareço. Ele provavelmente pensa que eu quero dividi-lo em pedaços. Vejo compreensão superficial em seus olhos, quando ele levanta a mão para inspecioná-la. O sangue foi todo lavado, mas isso ainda parecia ser sério. — Está tudo bem. — Ele resmunga. — Eu não acho que está. — Eu protesto baixinho. — Ava, eu não preciso ir ao hospital. — Não vá, então. — Eu viro e vou para o quarto. Seguindo-me, ele cai no final da cama e assiste, enquanto desapareço em seu enorme closet. Eu vasculho suas roupas, encontrando uma calça de moletom cinza e uma camiseta branca. Ele precisa de conforto. Eu recupero uma boxer de sua cômoda, e ando de volta para encontrá-lo deitado de costas na cama. Apenas subir a escada e tomar um banho o exauriu. Eu nem posso imaginar uma ressaca nesta escala. — Aqui, vista isso. — Eu coloco as roupas, na cama, ao lado dele, e ele vira a cabeça para inspecionar a minha escolha, deixando escapar uma pesada respiração cansada. Quando ele não faz nenhuma tentativa de se vestir, eu pego a cueca e me ajoelho na frente dele, mantendo-me a seus pés. Ele fez isso comigo muitas vezes. Eu bato no seu tornozelo e ele me empurra na cama, olhando para mim, um pequeno brilho iluminando seus olhos. É outro traço familiar.
  45. 45. Em silêncio, ele levanta os pés para os buracos e fica esperando para que eu possa ajustar as boxers até suas pernas, mas, em seguida, a toalha cai quando estou na metade de seu corpo e eu fico cara a cara com sua enorme excitação. Eu libero sua cueca e salto para trás, como se ele pudesse me queimar ou algo assim. Nem tudo nele está quebrado, então, penso comigo mesma, tentando ignorar a barra de aço de carne, a curta distância. Eu viro um olhar para ele e, pela primeira vez, seus olhos brilham totalmente, mas não é uma coisa boa. Eu já vi esse olhar, mais de uma vez, um montão na verdade, e não é o que eu preciso agora, embora meu corpo esteja, completamente, em desacordo com o meu cérebro. Eu me esforço para controlar a vontade de empurrá-lo na cama e me escarranchar nele. Eu não vou arriscar distrair, qualquer um de nós, com o sexo. Há muito o que falar. Ele se curva para puxar sua boxer pelo resto do caminho. — Eu vou para o hospital. — ele diz. — Se você quer que eu vá, então eu vou. Eu franzo a testa para ele. — Concordar em ter suas mãos examinadas, não vai me fazer cair a seus pés, em sinal de gratidão. — Digo secamente. Seus olhos se estreitam um pouco, com a minha aspereza. — Eu vou deixar isso escapar. — Eu preciso alimentá-lo. — Murmuro, virando e saindo do quarto, deixando Jesse vestir sua calça de moletom e camiseta. Preciso que ele deseje se cuidar, e não apenas fazer as coisas, porque ele acha que vai trazê-lo mais perto de mim. Isso não ajudará. Isso seria, apenas, outra foram de manipulação, e eu tenho que evitar qualquer coisa que influencie uma pequena parte da minha mente, que está funcionando corretamente.
  46. 46. Capítulo Quatro Eu examino o conteúdo de sua geladeira. Não há nada que eu possa fazer com uma lata de creme de leite aberta, um pote de pasta de chocolate ou um pouco de manteiga de amendoim. Há muito que Jesse poderia fazer, no entanto - como fazer uma Ava éclair. Eu balanço minha cabeça em um estremecimento. — Você não tem nada. — Eu digo quando ele se aproxima por trás de mim e pega o pote de manteiga de amendoim. Ele embala o frasco debaixo do braço e desenrosca a tampa com a mão boa, jogando-a no balcão de café da manhã, antes de empoleirar-se em uma banqueta e ocupar-se em mergulhar o dedo no pote e lamber. — Eu vou ao supermercado. — Eu fecho a porta da geladeira e vou para as escadas. Ele tira o dedo da boca. — Eu vou. — Tudo bem. — Eu continuo meu caminho. — Eu vou porque eu quero. — Diz ele em voz baixa.
  47. 47. Eu paro o meu trajeto. — Tudo bem. — Ava, você vai olhar para mim? — Sua voz é impaciente. Eu não gosto disso. Eu me viro para encará-lo, em silêncio, suplicando para que ele instigue uma conversa, mas ele apenas olha para mim, parecendo quase louco. — Vou me aprontar. — Viro-me, deixando-o na cozinha. Eu tomo um banho na suíte, no quarto de hóspede, deixando-me permanecer sob a água quente por uma eternidade, como se pudesse lavar todos os meus problemas. Quando eu finalmente saio do chuveiro, procuro nas minhas malas e acho que Kate tinha, literalmente e completamente, jogado tudo e qualquer coisa dentro. Visto um vestido azul- violáceo dos anos cinquenta, que se alarga na cintura e minhas sapatilhas creme, antes seco rápido o meu cabelo e prendendo-o desordenado abaixo na minha nuca. Um passada rápida de blush e rímel e estou pronta. Eu me apresento ao espelho, mas eu não pareço muito melhor, depois das minhas tentativas de me fazer parecer melhor. Meus olhos, provavelmente, estão semelhantes ao de Jesse na escala de oco e a sensação de vazio que tem sido persistente desde o último domingo, não foi preenchida pela presença de Jesse. Talvez eu tenha feito tudo errado. Talvez seja melhor eu ir embora, porque certamente não vou me sentir melhor por estar aqui. Eu suspiro no meu reflexo, desejando que isso me dê algumas respostas, mas sei que o único lugar onde eu posso encontrar as respostas que estou procurando, está sentado lá embaixo refestelando-se com manteiga de amendoim. Eu pego minha bolsa e vou até ele. Ele está adormecido. Eu olho para ele sentado no sofá, com uma perna para cima, uma pendurada na ponta, a palma da mão descansando em seu peito. Sua boca está ligeiramente aberta e os cílios estão piscando. Eu o deixo, vou para a cozinha para tomar a minha pílula e enviar uma rápida mensagem para Kate, deixando-a saber que está tudo bem, mesmo que não esteja, e então ligo para o meu irmão. Com tudo o que aconteceu, eu esqueci que eu deveria vê-lo hoje. — Ava?
  48. 48. — Dan! — É tão bom ouvir voz dele. — Onde está você? — Bem, o hotel que eu reservei deixou-me decepcionado, então eu vou ficar com Harvey. — Ele provoca. Ignoro sua pequena brincadeira. Ele não se importa de ter que encontrar outro lugar para dormir. Ele odiava Matt. — Como estão a mamãe e o papai? — Eu pergunto. — Preocupados. — Afirma categoricamente. Eu sabia que estariam. — Eles não precisam estar. — Sim, bem, eles estão. E eu também. Onde você está? Merda! Onde eu estou? Mal posso lhe dizer, exatamente, onde estou e com quem. — Na casa de Kate — eu minto. Não é como se ele fosse falar com ela ou visitá-la para descobrir a verdade. E de qualquer maneira, minha mãe sabe que eu supostamente, estou na casa de Kate e eu certamente, teria dito a ele. Será que ele está me testando? O silêncio cai na linha telefônica com a menção do nome de Kate. — Entendo. — diz ele em breve. — Ainda? Oh, o distanciamento em sua voz. Eles não se veem há anos, mas o tempo, ao que parece, não é um curandeiro. — É apenas temporário, Dan. Estou procurando um lugar neste momento. — Na verdade, enquanto nos falamos, estou sentada na cobertura do Lusso, esperando que o Senhor do Sexo da Mansão - que está com uma ressaca violenta e por quem eu estou apaixonada - acordar para que eu possa levá-lo ao hospital e conseguir que a sua mão seja examinada – a mão que ele quebrou uma janela, porque eu o irritei. Eu começo andar ao redor da ilha de cozinha. — Você falou com aquele pentelho do seu ex? — Ele pergunta. O despeito de sua voz é palpável. — Não, mas eu ouvi que ele esteve em contato com mamãe e papai. Isso foi muito legal da parte dele.
  49. 49. — Maldito, atormentado. Precisamos conversar sobre isso. Mamãe me encheu sobre sua pequena conversa com Matt. Eu sei que ele é uma cobra, mas mamãe está preocupada. Isso não ajudou, ainda mais por você não ter vindo para Newquay. — Eu telefonei. — eu me defendo. — Sim, e eu sei que você não lhe contou toda a história. O que há com esse novo cara? Eu congelo a meio-passo. Essa é uma boa pergunta. — Dan, existem algumas coisas que você não pode dizer a seus pais. — Sim, mas você pode dizer ao seu irmão. — Diz ele com firmeza. — Posso? — Eu digo bruscamente. Eu duvido disso, extremamente. Grande irmão, provavelmente, se juntaria ao meu pai na mesma ala por ataque cardíaco. Esta é a razão porque eu não fui para Newquay, pelo interrogatório e censura contínua. Vou ter que enfrentá-lo sobre isso, eventualmente, mas não agora. Eu nunca estive tão feliz pelo fato de meus pais morarem tão longe. — Sim, você pode. Então, quando eu posso vê-la? — Pergunta ele, cantando um pouco. Ver-me ou me espremer para obter informações? — Amanhã? — Eu digo. — Eu pensei que nos veríamos hoje? — Ele soa muito decepcionado. Eu também. Eu realmente quero vê-lo, mas em verdade também não quero. — Sinto muito. Eu estou procurando por alguns lugares para alugar, e também, tenho pilhas de desenhos para finalizar. — Eu minto novamente, mas eu não poderia reunir forças para parecer, razoavelmente, normal em um curto espaço de tempo. Talvez amanhã eu vá ter me arrancado da depressão e da incerteza. Eu duvido muito disso, mas pelo menos, terei tempo para tentar. — Ótimo, faremos um dia sobre isso. — Ele confirma meu medo.
  50. 50. Um dia inteiro fugindo de suas perguntas? — Ok, me liga na parte da manhã. — Eu digo, e secretamente, desejando que ele saia com todos os seus companheiros hoje, e tenha uma ressaca terrível que faça ele se atrasar para me ligar. Eu preciso de tempo. — Claro que sim. Até amanhã, criança. — Ele desliga. Eu começo a pensar nas maneiras de contornar isso e depois de uma hora inútil andando de um lado para o outro, sem rumo, ao redor da cobertura, eu fico sem ideia. Eu não posso evitá-lo para sempre. O interfone toca e eu respondo a Clive. — Ava, o homem de manutenção está aqui para consertar a porta. Oh, e a janela do carro do Sr. Ward foi trocada. — Obrigado, Clive. — Eu desligo e vou até a porta. Eu respondo a rapaz, que já está inspecionando os danos. — Você teve um rinoceronte entrando aqui com a cabeça? — Pergunta ele, coçando a cabeça. — Algo como isso. — Eu murmuro. — Eu posso garantir isso por agora, mas vai precisar ser substituída. Eu vou arrumá- la e mandar fazer outra e aviso quando estiver pronta. — Diz ele, colocando a caixa de ferramentas no chão. — Obrigada. — eu o deixo lascando os pedaços de madeira do batente da porta e viro, encontrando Jesse meio dormindo, olhando desconfiado para a porta. — O que está acontecendo? — Ele pergunta. — John teve que arrombar a sua porta da frente, quando você não abriu. — Eu o informo, secamente. Suas sobrancelhas sobem, mas então, ele parece preocupado. — Eu deveria ligar para ele. — Como você está se sentindo? — Pergunto, avaliando-o e concluindo que ele parece um pouco mais lúcido e enérgico, depois de uma hora de cochilo. — Melhor. Você?
  51. 51. — Tudo bem, eu vou pegar minha bolsa. — Eu o contorno e faço o meu caminho anterior. Sua mão voa para fora e agarra meu braço. — Ava. Eu paro e espero por uma continuação, algumas palavras que vão fazer tudo isso melhor, mas eu não obtenho nada, apenas o seu calor penetrando em minha carne, de sua mão segurando o meu braço. Eu olho para ele e o encontro olhando para mim, mas ele ainda não abriu a boca. Eu suspiro, profundamente, e me liberto dele, mas depois eu lembro de que meu carro não está aqui. — Merda. — Amaldiçoo baixo. — Cuidado com a boca, Ava. O que foi? — Meu carro está na casa de Kate. — Vamos levar o meu. — Você não pode dirigir com uma mão. — Eu me viro para encará-lo. Seu jeito de dirigir assusta a merda fora de mim, no melhor dos tempos. — Eu sei. Você pode dirigir. — Ele joga as chaves para mim, e eu entro em pânico ligeiramente. Ele confia em mim para dirigir um carro de mais de £ 160.000? Puta merda! — Ava, você está dirigindo como Miss Daisy. Você pode colocar o pé mais fundo? — Jesse geme. Eu lanço a ele uma cara feia, que ele prefere ignorar. O acelerador é muito sensível, e eu me sinto tão pequena atrás do volante. Estou morrendo de medo que eu arranhe o carro. — Cale a boca. — Eu estalo, antes de fazer o que ele disse e rugir pela estrada. Essa seria uma merda difícil, se eu batesse o carro. — Assim é melhor. — Ele olha para mim e sorri. — É mais fácil de manusear, se você não for covarde.
  52. 52. Eu poderia segurar essa declaração dele. Ele está certo, apesar disso, mas eu não vou dizer isso deste modo. Em vez disso, concentro-me na estrada e o levo ao hospital de uma vez. Depois de três horas no Minor Injuries e um raio-x, o médico confirma que a mão de Jesse não está quebrada, mas tem uma lesão muscular. — Você tem a tem deixado de repouso? — A enfermeira pergunta: — Se isso foi há alguns dias, que você provocou a lesão, era pro inchaço ter diminuído até agora. Jesse olha para mim com culpa, enquanto a enfermeira envolve sua mão em uma bandagem. — Não. — diz ele em voz baixa. Não, ele estava cerrando os punhos em garrafas de vodka. — Você deveria ter estado. — ela o repreende. — E ela deve ficar no alto. Eu levanto as sobrancelhas para ele e ele revira os olhos enquanto a enfermeira coloca seu braço em uma tipoia, antes de nos liberar para irmos embora. Quando chegamos à entrada, ele remove a tipoia e a atira na cesta de lixo. — O que você está fazendo? — Eu sobressalto, olhando para ele saindo pelas portas do hospital. — Eu não vou usar essa coisa. — Maldito seja! — Eu grito, tirando a tipoia da lata. Estou chocada. Esse homem não tem respeito pelo bem-estar do seu corpo. Ele teve seus órgãos internos agredidos com litros de vodka, e agora se recusa a cooperar para que sua mão se cure corretamente? Eu o persigo, mas ele não para até que ele chegue ao carro. Estou segurando as chaves, mas não liberei abertura da porta. Nós lançamos um olhar furioso, um ao outro, por cima do topo da DBS1 . 1 Síndrome cadela burra, as pessoas que sofrem desta tendem a ficar a um ponto, independentemente de quão estúpido que soam ou são colocadas por outros. Efeitos colaterais comuns são alvo horrível, uma incapacidade de compreender o conhecimento comum, a incapacidade de perceber a lei da física em que os líquidos não pode passar através de um sólido.
  53. 53. — Você vai abrir o carro? — Ele pergunta. — Não, não até você colocar isso de volta. — Eu seguro a tipoia acima da minha cabeça. — Eu disse a você, Ava. Eu não vou usar isso. Eu reviro os olhos, antes de estreitá-los de volta para ele. — Por quê? — Pergunto brevemente. O teimoso Jesse está de volta, mas essa característica, não estou tão contente de ver. — Eu não preciso disso. — Sim, você precisa. — Não, eu não preciso. — Ele zomba. Meu Deus! — Coloque a porra da tipoia, Jesse! — Eu grito por cima o carro. — Olhe essa sua maldita boca! — Foda-se! — Eu assobio para trás, com petulância. Ele fecha a cara, realmente rígido para mim. O que devemos parecer, no meio do estacionamento do hospital, gritando, foda-se, um para o outro, por cima do teto de um Aston Martin2 ? Eu não me importo. Ele é um homem das cavernas, às vezes. — BOCA! — Ele ruge, e, em seguida, estremece pelo nível de som de seu grito, sua mão ruim subindo para apertar sua cabeça. — FODA! Eu caio na gargalhada, quando eu o vejo dançando em círculos, balançando sua mão e desistindo de sua cabeça. Isso vai ensinar o tolo obstinado. — Abra a porra do carro, Ava. — Ele grita. Oh, ele é louco. Eu aperto meus lábios para reprimir minha risada. — Como está a sua mão? — Eu pergunto em uma risadinha, que irrompe em uma completa gargalhada. Eu não posso segurar. É uma sensação muito boa, rir. 2 Oficialmente Aston Martin Lagonda Limited, é uma fabricante britânica de carros esportivos de luxo.
  54. 54. Quando eu me recupero e me endireito, ele está olhando para mim, ferozmente, sobre o carro. — Abra. — ele exige. — Tipoia. — Eu atiro, jogando-a sobre o teto do carro. Ele pega o material e joga na rua, antes de voltar seus olhos furiosos para mim. — Abra! — Você é uma criança, às vezes, Jesse Ward. Eu não vou abrir o carro até você colocar aquela tipoia. Eu olho enquanto seus olhos se estreitam em mim e as bordas de sua boca se elevam um sorriso disfarçado. — Três. — Diz ele, em voz alta e clara. Meu queixo bate chão. — Você não vai me dar uma contagem regressiva! — Eu grito incrédula. — Dois — Seu tom é calmo e casual, enquanto estou atordoada. Ele inclina seus cotovelos em cima o teto. — Um. — Você pode começar a se cansar! — Eu zombo, de pé firme. Eu só quero que ele coloque a maldita tipoia, para seu próprio bem. Isso não faz diferença para mim, mas isto é apenas o começo. — Zero. — Ele faz uma careta, e começa a perseguição ao redor da frente do carro na minha direção, enquanto eu, instintivamente, avanço para trás. Ele para e levanta as sobrancelhas. — O que você está fazendo? — Ele pergunta, circundando o outro lado. Eu conheço essa cara, que é a sua cara de você-está-realmente-aguentando-isso. Eu sei que ele não pensará duas vezes, antes de me prender no chão e me torturar até que eu me submeta a qualquer coisa que ele exija, com medo de me mijar. Ao que eu estaria me submetendo, no entanto? — Nada. — Eu digo, certificando-me de me manter do outro lado do carro. Poderíamos ficar aqui o dia todo. — Venha aqui. — Sua voz é, aquela, baixa, o tom rouco familiar e que eu amo, é uma outra parte dele que retornou, mas eu estou sendo distraída.
  55. 55. Eu balanço minha cabeça. — Não. Antes que eu possa antecipar seu próximo movimento, ele chega em um corrida veloz no outro lado do carro, e eu saio correndo na direção oposta com um gritinho. As pessoas estão olhando, enquanto eu ziguezagueio através dos outros carros estacionados no estacionamento, como uma louca demente, antes de escorregar até parar na parte de trás da capota de um carro de tração nas quatro rodas. Eu dou uma olhadela em volta pelos cantos para ver onde ele está. Meu coração sai da minha boca, direto no asfalto. Ele está curvado, com as mãos apoiadas sobre os joelhos. Merda! Que diabos eu estou fazendo incentivando esse tipo de comportamento estúpido, quando ele deveria estar se recuperando? Eu corro em direção a ele como uma pequena passante caminhando e começo a me aproximar. — Jesse! — Eu grito, quando me aproximo. — Ele está bem, amor? — Um rapaz me pergunta quando eu grito. — Eu não... QUE! — Eu sou levantada dos meus pés com um braço e jogada sobre o ombro de Jesse. — Não brinque comigo, Ava. — diz ele presunçosamente. — Você agora, já deveria saber que eu ganho sempre. — Ele alcança acima da minha saia e descansa a mão por dentro da minha coxa, enquanto caminha a passos largos, em direção ao carro comigo caída sobre ele. Eu sorrio docemente para todos por quem passamos, mas eu não me incomodo em lutar com ele. Estou feliz que ele tem a força para me levantar. — Minha calcinha está aparecendo. — Eu reclamo quando eu agarro meu vestido, para alisá-lo sobre minha bunda. — Não, ela não está. — Ele me desce, deslizando, por seu corpo, lentamente, até que meu rosto está nivelado com o seu, meus pés fora do chão, seu peito firme e quente contra mim.
  56. 56. Seus olhos ganharam um pouco de brilho de volta, e eles estão procurando os meus. Ele vai me beijar. Eu tenho que parar isso. Eu serpenteio em seus braços. — Nós precisamos ir ao supermercado. — Digo, focando minha visão em seu peito, enquanto eu me mexo pra ficar livre. Ele suspira pesadamente, me descendo em meus pés. — Como posso resolver as coisas, se você continua evitando minhas tentativas? Eu escovo o meu vestido para baixo e volto os olhos para ele. — Isso é problema seu, Jesse. Você quer consertar as coisas me distraindo com seu toque, ao invés, de conversar comigo e me dar algumas respostas. Eu não vou deixar isso acontecer novamente. — Eu destravo da porta e subo no carro, deixando Jesse com a cabeça caída, mordendo o lábio. Nós nos dirigimos ao supermercado e eu ando para cima e para baixo no estacionamento à procura de uma vaga. Eu aprendi algo novo sobre Jesse hoje - ele é um passageiro de merda. Eu tinha sido intimidada nas ultrapassagens, cortando as pessoas e pulando as faixas, tudo em uma tentativa de ganhar alguns metros. Este homem, é um cabeça quente quando se trata de condução de veículos. Na verdade, este homem é uma pessoa exaltada e ponto final. — Ali há uma vaga. — Ele empurra o braço sobre minha linha de visão, e eu o empurro fora do meu caminho. — Essa é uma vaga para famílias com criança. — Eu rejeito, passando por ela. — Então... — Então... Eu não vejo qualquer criança neste seu lindo carro. Você vê? Ele deixa cair seu olhar para o meu estômago, e de repente eu me sinto extremamente desconfortável. — Encontrou seus comprimidos? — Ele pergunta, mantendo seu olhar no meu estômago. — Não. — Eu respondo, manobrando em uma vaga do estacionamento. Eu quero culpá-lo por me distrair da minha agenda pessoal normal, mas a verdade é que as minhas
  57. 57. habilidades de organização pessoal, sempre foram um lixo. Eu fui forçada a pagar outra consulta humilhante para a médica Monroe, para substituir o segundo lote de pílulas anticoncepcionais que eu perdi em uma semana, e eu tive que fazer testes para garantir, que eu não tinha contraído alguma doença sexual, após o sexo constante e desprotegido com Jesse. A sugestão da vida sexual ativa de Jesse me deixou poucas escolhas. — Será que você esqueceu algum? — Pergunta ele, pressionando os lábios em uma linha reta. Ele está preocupado se eu poderia estar grávida? — A minha menstruação veio no último domingo à noite. — Eu digo. Como um presságio ou algo do tipo, eu quero adicionar algo, mas eu não faço. Eu desligo a ignição. Ele permanece em silêncio enquanto eu saio do carro e espero ele sair. — Você poderia ter estacionado um pouco mais distante? — Ele resmunga, juntando- se a mim, no meu lado do carro. — Pelo menos eu estou estacionada legalmente. — Eu ando para o suporte de carrinhos, alinhados no abrigo e deslizo uma moeda no topo, para liberar um. — Alguma vez você já foi a um supermercado? — Eu pergunto enquanto caminhamos até a passarela com cobertura. Jesse e um supermercado, não é algo que se encaixa naturalmente. Ele encolhe os ombros. — Cathy faz as compras. Eu costumo comer na Mansão. A menção ao Super Clube Luxuoso do Sexo de Jesse, me arrepia e perco todo o entusiasmo de tentar começar uma conversa. Eu sinto seus olhos em mim, mas eu o ignoro e me concentro em minha frente. Enquanto nós caminhamos ao redor do supermercado, eu pego o essencial e Jesse pega uma dúzia de potes de manteiga de amendoim, alguns potes de pasta de chocolate e umas várias latas de creme. — Você não tem nada? — Eu pergunto, despejando leite no carrinho. Ele encolhe os ombros e assume o controle com a mão boa. — Cathy tem estado longe.

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