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MOITA MACEDO

  1. 1. EXPOSIÇÃO DO LANÇAMENTO DO LIVRO: “ MOITA MACEDO – DESENHOS” Moita Macedo
  2. 2. 1) “Cristo”, 1981 Óleo sb platex 48 x 38 cm
  3. 3. 2) “Caravelas”, 1983 Óleo sb platex 46 x 53 cm
  4. 4. 3) “Cavalo ao entardecer”, 1980 Técª mista sb papel 15 x 21 cm
  5. 5. 4) Composição s/ Título Acrílico sb papel 29 x 21 cm
  6. 6. 6) Composição s/ Título, 71 Acrílico sb papel 29 x 21 cm
  7. 7. 7) “Cidade”, Acrílico sb papel 27 x 20 cm
  8. 8. 8) “Cidade”, 1971 Técnica mista sb papel 15 x 21 cm
  9. 9. 9) “Cidade”, 1973 Técnica mista sb papel 27 x 18 cm
  10. 10. 10) S/ Título, 1981 Técnica mista sb papel 20 x 22 cm
  11. 11. 11) “D. Quixote”, 1981 Técª mista sb papel 21 x 15 cm
  12. 12. “ Tarot”, 1972 Guache sb papel, 23 x 17cm S/ Título, 1972 Guache sb papel, 21 x 15cm
  13. 13. 18) 19) e 20) “Cenas de Toreio”, 1972 Técª mista sb papel 10 x 14 cm
  14. 14. 12) “Cristo” Desenho sb papel 30 x 21 cm
  15. 15. 13) “Cristo”, 1977 Desenho sb papel 30 x 21 cm
  16. 16. 14) “Cristo”, 1977 Tinta da China sb papel 30 x 21 cm
  17. 17. 21) Composição, Desenhos sb papel x cm
  18. 18. 21) Composição, Desenhos sb papel x cm
  19. 19. 16) “D. Quixote”, 1971 Guache sb papel x cm
  20. 20. 23) S/ Título , 1982 Guache sb papel 18 x 24 cm
  21. 21. 17 S/ Título , 1981 Técª mista sb papel 22 x 30 cm
  22. 22. O MARAVILHOSO MUNDO DO DESENHO EM MOITA MACEDO : Notas para o reconhecimento do processo criativo de um grande artista   A publicação do álbum de Desenhos seriados de Moita Macedo, organizado por Fernando António Baptista Pereira, constitui não só a base que faltava para a compreensão dos processos criativos desse pintor-poeta ainda mal estudado, mas também um eficaz testemunho de revalorização da arte do Desenho como fonte de informação insubstituível no terreno da História da Arte científica. O artista é um dos nomes injustamente nebulosos no panorama da arte portuguesa novecentista. De facto, José Albano Pontes Santos Moita Morais Macedo (1930-1983), o pintor Moita Macedo, apesar da sua altíssima qualidade plástica, é ainda hoje uma personalidade mal conhecida da História da Arte. Talvez por causa da sua formação autodidacta, ou talvez ainda pelo facto de a sua obra ser numerosa e se expressar em várias linhas temáticas e em diversos materiais e distintas técnicas e suportes, a verdade é que só após a sua morte prematura o fascínio pelas qualidades deste pintor-poeta se manifestou de modo mais consistente nos meios ligados à crítica da produção artística. Este «pintor de natureza surpreendentemente rica», como o definiu Urbano Tavares Rodrigues, foi, entre outras coisas, poeta, escritor, militante de causas cívicas, resistente à ditadura, viajeiro por terras da Índia tântrica e budista, escultor, autor de capas de livro, conferencista e animador dos círculos culturais da Siderurgia Nacional.
  23. 23. … / O MARAVILHOSO MUNDO DO DESENHO EM MOITA MACEDO : Notas para o reconhecimento do processo criativo de um grande artista   Macedo escolheu a via do informalismo expressionista, através da qual melhor soube explorar, em modos muito pessoais (com sábia acentuação do relevo pictural como aqui bem observa Baptista Pereira), esse encantamento pelos caminhos de uma pintura dilacerante, marcada pela distorção das formas, pela devoção pelos nocturnos, pelas convulsões do traço e da matéria, num diálogo libertário entre o onirismo e a realidade. Tem-se afirmado que a sua arte oscila entre um informalismo de base, devidamente assumido e consciencializado, e a tradição dos novos selvagens, em traços onde o neo-expressionismo abstracto e o gestualismo constróem as experiências e as possibilidades do artista. Esta auto-definição de tendências teve uma causa: depois de ser incentivado no seio do ambiente artístico da Cooperativa Gravura, onde conheceu o seu amigo Almada-Negreiros, teve de seguida o conhecimento directo da obra de Artur Bual, artista que lhe marcaria graus de exigência e estímulo paraa linhas criadoras em novas dimensões de nostalgia, fulgor, desencanto e esperança... (…) livro, que explica a essência do informalismo gestual de Moita Macedo. Os desenhos – base para o entendimento do mundo de sonhos e agitações critativas do pintor, mas também, em si mesmo, verdadeiros desenhos-pinturas, dado o recurso frenético à cor que é recorrente nestes trabalhos, e face às fronteiras 
  24. 24. … / O MARAVILHOSO MUNDO DO DESENHO EM MOITA MACEDO : Notas para o reconhecimento do processo criativo de um grande artista   ténues que no caso possam traçar-se entre pintura e desenho...) -- foram devidamente grupados por Fernando António Baptista Pereira em quatro grandes categorias temáticas, a que chamou: o grupo Desejos, Rostos e Nus , onde o onirismo buliçoso e para-erótico seduz pela diversidade de conceitos lineares e as buscas obsessivas em variações sobre um mesmo tema, o grupo Os Outros Eus , deriva na obra do artista por outros temas, como o da Tauromaquia, registo das suas origens ribatejanas, mas também pelos Cristos martirizados, onde o sopro de Bual se expressa, o grupo Presença do Mundo e dos Homens , onde as visões de cidades utópicas, os agrupamentos de figuras e as cenas de trabalho se multiplicam, e, finalmente, o grupo Evasão e Utopia , acaso o mais interessante, através do qual melhor se entendem as obsessões do pintor pelas manchas complexas e pela gestualidade de um informalismo muito pessoal. Tem-se destacado justamente no artista a touche vigorosa de um gestualismo que se exprime através do claro-escuro e do barroquismo de manchas de um Hartung, por exemplo, e é precisamente pelo estudo dos desenhos, como o fez solidamente Fernando António Baptista Pereira, que este livro agora proporciona, que melhor se vai poder entender essa expressão plástica de Moita Macedo. Vitor Serrão – Historiador de Arte (Catedrático da Faculdade de Letras de Lisboa)

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