Crônica Da Meia Idade Desde há muito ouço falar na "crise da meia-idade".  Definições que sugerem certa melancol...
Pois bem, reivindico o meu direito de estar na crise da meia-idade, de não querer levantar de manhã, de não querer assisti...
Certo.  Sem salto ou saias ousadas, mas, talvez, algumas baladas noite adentro...  Mas como reagiriam todos à minha volta,...
Mas como ter respaldo para tal discurso, se o que penso é como conseguir mais dinheiro com o diploma que tenho?  Ou, só de...
Ainda assim, presa de todas as dificuldades, não penso em abrir mão da minha "crise da meia-idade".  Aos poucos....
Longas conversas sobre os defeitos das empregadas são sinais inequívocos da crise da meia-idade, mas como posso enumerar o...
Estou percebendo, pouco a pouco, que meu desejo de ter uma tão afamada crise da meia-idade corre um sério risco de opressã...
Quero ter o prazer de usar cremes para rejuvenescimento e, mesmo que na realidade não sirvam prá nada, quero, pelo menos, ...
Quero desejar uma nova lua-de-mel com meu marido, viajar aos lugares que ia quando jovem.  Não, não precisa ser os mesmos ...
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CRONICA DA MEIA IDADE

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CRONICA DA MEIA IDADE

  1. 1. Crônica Da Meia Idade Desde há muito ouço falar na "crise da meia-idade". Definições que sugerem certa melancolia por ocasião de 50 anos, mais ou menos... Fulano está na "crise", minha vizinha entrou na "crise", etc. Havia, quando eu estudava, um professor que enaltecia a necessidade que temos de passar por todas as fases do nosso desenvolvimento psicológico. O que você não viveu, dizia ele, fará falta mais tarde.
  2. 2. Pois bem, reivindico o meu direito de estar na crise da meia-idade, de não querer levantar de manhã, de não querer assistir nada, na TV, algum programa mais sério, apenas novelas fúteis, de ler apenas histórias em quadrinhos... Quando ia falar de mudar meu guarda-roupa, algo como mini-saias ousadas, decotes provocantes, etc., percebi o primeiro entrave para o meu ingresso na "crise"; os recursos financeiros. Nada de mini-saias ou decotes, por conseqüência, nada de maquiagem, cremes, sapatos com saltos de 7 cm. Pensando bem, acho bom mesmo não usar salto sete porque poderia cair e quebrar o quadril ou o fêmur, e, com a osteoporose, teria sérias dificuldades.
  3. 3. Certo. Sem salto ou saias ousadas, mas, talvez, algumas baladas noite adentro... Mas como reagiriam todos à minha volta, se tivessem conhecimento do estado sonambúlico de meus neurônios após as 22:00 hs? Deveriam existir baladas da meia-idade, que não fosse a barulheira de compasso apressado que não tenho mais paciência para ouvir, mas que não chegasse aos tão saudosos "Baile da Saudade". Pensei também em mudar de papo. Algo do tipo "Vou voltar a estudar", seria mais conveniente. Talvez até alguns requintes de referências sutis a profissões como engenharia, economia ou química industrial.
  4. 4. Mas como ter respaldo para tal discurso, se o que penso é como conseguir mais dinheiro com o diploma que tenho? Ou, só de pensar no dia-a-dia de um engenheiro, esgoto-me horrorizada. Mulheres de meia-idade costumam escrever cartas a programas femininos, emitindo opiniões e relatando suas experiências. Ora, ora. O segundo empecilho... A absoluta falta de tempo. Como posso me consagrar a esse estado emocional se falta luz no consultório, o carro quebra, preciso marcar ginecologista há três meses e ainda não fiz as compras de supermercado? Sem falar na conta negativa no banco...
  5. 5. Ainda assim, presa de todas as dificuldades, não penso em abrir mão da minha "crise da meia-idade". Aos poucos... é isso, como se fosse homeopatia... Que tal, dia sim, dia não das 7 às 8 da noite? Mãe, preciso ir à padaria, dá dinheiro? Não posso, estou na crise da meia-idade. Comprou o remédio tal? Não posso, estou na crise da meia-idade. Todos poderiam estar acostumados ao cabo de 6 meses a um ano...
  6. 6. Longas conversas sobre os defeitos das empregadas são sinais inequívocos da crise da meia-idade, mas como posso enumerar os defeitos da empregada se nem sequer a encontro? Quando chego, cansada, com dor nas costas, ela está despedindo-se para sua própria jornada diária de quase 2 horas para casa. Como poderia eu enumerar-lhe os defeitos? Ou mesmo discutir boas marcas de detergente, se nem sequer lavo a louça que sujo? Isso quando tenho a chance de sujar...
  7. 7. Estou percebendo, pouco a pouco, que meu desejo de ter uma tão afamada crise da meia-idade corre um sério risco de opressão completa e irrestrita. Não tenho tempo, não tenho dinheiro, nem malícia, e, como se não bastassem tais carências, não tenho o principal... a paciência. Mas ainda não desisti. Reivindico meu direito a me sentir velha fora de hora, jovem fora de hora, melancólica em relação à infância de meus filhos (que ainda nomeio crianças).
  8. 8. Quero ter o prazer de usar cremes para rejuvenescimento e, mesmo que na realidade não sirvam prá nada, quero, pelo menos, lembrar-me deles. Quero a nostalgia das músicas dos anos 60 ou 70, ou mesmo as do ano passado. Quero poder lembrar-me do meu primeiro namorado, pelo menos durante 10 minutos uma vez por mês.
  9. 9. Quero desejar uma nova lua-de-mel com meu marido, viajar aos lugares que ia quando jovem. Não, não precisa ser os mesmos lugares, pode ser qualquer um, pode ser qualquer música, pode ser qualquer roupa, enfim, reivindico o meu direito de entrar na "Crise da Meia-idade". Quero ter tempo de sentir-me idosa para tal, quero assistir Silvio Santos no final de semana e achar "normal". Quero comer doces e sentir-lhes o gosto, quero namorar jovenzinhos de 20 anos e sentir-lhes o gosto... Quero minha crise da meia-idade. J.G.Munck Música : Vinicius de Moraes & Francis Lai - Samba Sarava Montagem : [email_address] www.pranos.com.br

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