AS SEIS FACES

357 visualizações

Publicada em

AS SEIS FACES

0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
357
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
19
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
2
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

AS SEIS FACES

  1. 1. AS SEIS FACES J. G. De Araújo Jorge Quando te encontro e observo que ficaste mais linda e soltaste os cabelos para me agradar e me entregas os lábios num beijo tênue e morno como a aragem, e tranças os teus dedos em meus dedos, e me olhas como no dia em te tirei para dançar pela primeira vez, é que percebo que continuas a NAMORADA .
  2. 2. Quando te preocupas com o tempo porque vou sair, e recomendas cuidados como se me visses criança, e repreendes minha falta depois que as visitas se foram, e endireitas a minha gravata, e escolhes a minha camisa, e me fazes trocar os sapatos que não combinam, quando surpreendes meu cansaço e me enlaças e recostas minha cabeça em teu colo, e me dás conselhos como se eu pudesse segui-los, é que descubro que há em ti, para mim, até mesmo um pouco de MÃE .
  3. 3. Quando te consomes muito mais com as minhas preocupações e adivinhas meus pensamentos, me prevines contra falsos amigos, e te empenhas em partilhar da minha luta, e economizas, como se isso poupasse minhas forças, e, sem querer, com uma palavra, desvendas uma solução tão próxima e tão evidente, mas que meus olhos não percebiam, quando à noite, na sombra, sem tocarmos nossos corpos conversamos, esquecidos, como dois amigos numa encruzilhada, é que compreendo também que tu és a COMPANHEIRA.
  4. 4. Quando chego e, ao abrir a porta, estás à espera com a tua felicidade que me envolve e me aconchega, e tiras da minha mão a pesada pasta de couro e me entregas os lábios (úmidos e trêmulos), quando te encontro depois, em todos os detalhes cotidianos e prosaicos, que fazem o melhor da minha vida, minha toalha de banho no lugar; meus chinelos no seu canto; minha roupa limpa sobre a cama; aquela jarra de flores arrumada; aquela mesa posta, com seus talheres brilhando; aquele odor de refeição, que é o perfume do lar, quando te vejo, leve e diligente, a circular pela casa que consideras teu Reino, teu Mundo, teu Universo, Sei então que tu és a ESPOSA
  5. 5. Quando à noite, de tarde, de manhã (e num momento imprevisto e nunca marcado!) sinto que precisas de mim, que te faço falta, como de ar, ou de água, de alimento, ou de vida, e te encontro ao meu lado sempre irrevelada, e te dispo, e se desencontram nossas mãos e nossos corpos e, então, nos jogamos como banhistas contra o mar, contra as ondas – o mar desconhecido, as ondas que afogam e arrastam – e de súbito estamos salvos na areia, como náufragos, és a AMANTE.
  6. 6. Quando te tenho ao meu lado, deitada numa nuvem a acompanhar outras nuvens preguiçosas e itinerantes no céu do coração, quando te pões a falar como as crianças nas brincadeiras em diminutivos, em “faz-de-contas” de pura imaginação, e de ti restou – apenas o contato de nossos corpos que permanecem em nós, entretanto, distante, imaterial, a planar como aquela gaivota na vaga luz da tarde que se esvai, quando estirados na areia, cansados, mas felizes, já podemos conversar... – eu diria que, nesta hora, tu és simplesmente a IRMÃ.
  7. 7. <ul><li>Quando penso em ti, </li></ul><ul><li>e te sei tantas, </li></ul><ul><li>no milagre da multiplicação do Amor, </li></ul><ul><li>recolho-me a ti, </li></ul><ul><li>como o pássaro às ramagens, </li></ul><ul><li>onde encontra a sombra, </li></ul><ul><li>o ninho, </li></ul><ul><li>o balanço, </li></ul><ul><li>o fruto, </li></ul><ul><li>o impulso para o vôo, </li></ul><ul><li>E AMO, e TRABALHO, e SONHO, e CANTO! </li></ul>Música : André Rieu_Fascination Montagem : [email_address] www.pranos.com.br

×