O sentimento de um ocidental – III – AO GÁS
E saio. A noite pesa, esmaga. Nos              Passeios de lajedo arrastam-se as impuras.               Ó moles hospitais!...
E eu que medito um livro que exacerbe,   Quisera que o real e a análise mo dessem;  Casas de confecções e modas resplandec...
Desdobram-se tecidos estrangeiros;  Plantas ornamentais secam nos mostradores;   Flocos de pós-de-arroz pairam sufocadores...
   1. Apresenta uma explicação para o subtítulo    desta secção do poema.
   O poema intitula-se “Ao Gás” para valorizar a    luz que proporcionaram os candeeiros acesos    a gás naquela noite.
   2. Na sua deambulação, o sujeito poético    continua a sofrer os efeitos opressivos do    ambiente da cidade.     2.1...
“A noite pesa, esmaga.” – Primeiro Verso“Cercam-me as lojas, tépidas.” – Quinto Verso
   Destaca a importância de que se reveste a    quarta   estrofe,   atendendo   à   oposição    temática que estabelece c...
   A quarta estrofe é particularmente importante por se    opor às restantes do poema. A referência a um    forjador, hom...
   Face as circunstancias presentes, o sujeito    poético deseja concretizar uma obra com um    objetivo particular.   4...
   4.1 O sujeito poético escreveu um livro que    incomode, que desperte algum interesse por    quem o leia.
   4.2 Os meios que permitirão esse livro são a    observação do real e a sua análise através do    olhar crítico do suje...
   Assim como em “ Ave Marias”, em “Ao Gás” o    mundo citadino é descrito através de processos    linguísticos e estilís...
   5.1 Identifica no poema exemplos de cada um dos    recursos expressivos usados para representar a    realidade    de  ...
a. “Que grande cobra, a lúbrica pessoa”              Verso 25b. “Um cheiro salutar e honesto a pão noforno.”              ...
d. Olfativo: “E de uma padaria exala-se, indaquente”   Auditivo: “Da solidão regouga um cauteleirorouco;”   Visual: “Mas t...
   Ricardo Carvalho Nº23   Ricardo Verde Nº24         11º03
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  1. 1. O sentimento de um ocidental – III – AO GÁS
  2. 2. E saio. A noite pesa, esmaga. Nos Passeios de lajedo arrastam-se as impuras. Ó moles hospitais! Sai das embocaduras Um sopro que arrepia os ombros quase nus. Cercam-me as lojas, tépidas. Eu penso Ver círios laterais, ver filas de capelas, Com santos e fiéis, andores, ramos, velas, Em uma catedral de um comprimento imenso. As burguesinhas do Catolicismo Resvalam pelo chão minado pelos canos; E lembram-me, ao chorar doente dos pianos, As freiras que os jejuns matavam de histerismo. Num cutileiro, de avental, ao torno, Um forjador maneja um malho, rubramente; E de uma padaria exala-se, inda quente,Declamação Um cheiro salutar e honesto a pão no forno.
  3. 3. E eu que medito um livro que exacerbe, Quisera que o real e a análise mo dessem; Casas de confecções e modas resplandecem; Pelas vitrines olha um ratoneiro imberbe. Longas descidas! Não poder pintar Com versos magistrais, salubres e sinceros, A esguia difusão dos vossos reverberos, E a vossa palidez romântica e lunar! Que grande cobra, a lúbrica pessoa,Que espartilhada escolhe uns xales com debuxo! Sua excelência atrai, magnética, entre luxo,Que ao longo dos balcões de mogno se amontoa. E aquela velha, de bandós! Por vezes, A sua traîne imita um leque antigo, aberto, Nas barras verticais, a duas tintas. Perto,Escarvam, à vitória, os seus mecklemburgueses.
  4. 4. Desdobram-se tecidos estrangeiros; Plantas ornamentais secam nos mostradores; Flocos de pós-de-arroz pairam sufocadores,E em nuvens de cetins requebram-se os caixeiros. Mas tudo cansa! Apagam-se nas frentes Os candelabros, como estrelas, pouco a pouco; Da solidão regouga um cauteleiro rouco; Tornam-se mausoléus as armações fulgentes. "Dó da miséria!... Compaixão de mim!..." E, nas esquinas, calvo, eterno, sem repouso,Pede-me sempre esmola um homenzinho idoso, Meu velho professor nas aulas de Latim!
  5. 5.  1. Apresenta uma explicação para o subtítulo desta secção do poema.
  6. 6.  O poema intitula-se “Ao Gás” para valorizar a luz que proporcionaram os candeeiros acesos a gás naquela noite.
  7. 7.  2. Na sua deambulação, o sujeito poético continua a sofrer os efeitos opressivos do ambiente da cidade.  2.1 Transcreve os verbos que, nas duas primeiras estrofes, os mencionam.
  8. 8. “A noite pesa, esmaga.” – Primeiro Verso“Cercam-me as lojas, tépidas.” – Quinto Verso
  9. 9.  Destaca a importância de que se reveste a quarta estrofe, atendendo à oposição temática que estabelece com as restantes quadras do texto.
  10. 10.  A quarta estrofe é particularmente importante por se opor às restantes do poema. A referência a um forjador, homem de força, e ao pão (símbolo de vida), por ser o elemento essencial para matar a fome, remetem para a ideia do ambiente rural e carácter saudável, vital que transmite o campo.
  11. 11.  Face as circunstancias presentes, o sujeito poético deseja concretizar uma obra com um objetivo particular. 4.1- Refere-o 4.2- Indica os meios que lhe permitirão atingi-lo
  12. 12.  4.1 O sujeito poético escreveu um livro que incomode, que desperte algum interesse por quem o leia.
  13. 13.  4.2 Os meios que permitirão esse livro são a observação do real e a sua análise através do olhar crítico do sujeito.
  14. 14.  Assim como em “ Ave Marias”, em “Ao Gás” o mundo citadino é descrito através de processos linguísticos e estilísticos que aproximam a poesia de Cesário Verde da pintura impressionista.
  15. 15.  5.1 Identifica no poema exemplos de cada um dos recursos expressivos usados para representar a realidade de forma fragmentária e dela apresentar, em primeiro lugar, a impressão que provoca.a. Metáfora; c. Hipálage;b. Sinestesia; d. Expressões de cariz sensitivo.
  16. 16. a. “Que grande cobra, a lúbrica pessoa” Verso 25b. “Um cheiro salutar e honesto a pão noforno.” Verso 16c. “Um cheiro salutar e honesto a pão noforno.” Verso 16
  17. 17. d. Olfativo: “E de uma padaria exala-se, indaquente” Auditivo: “Da solidão regouga um cauteleirorouco;” Visual: “Mas tudo cansa! Apagam-se nasfrentes” Táctil: “E de uma padaria exala-se, indaquente”
  18. 18.  Ricardo Carvalho Nº23 Ricardo Verde Nº24 11º03

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